Arqueologia 17/12/2021 10:49
Pesquisadores brasileiros identificam rochas com mais de 2,4 bilhões de anos no RN
A descoberta ajudará a entender a história geológica desta região ainda pouco compreendida e de grande interesse para a comunidade científica mundial.

Rochas formadas entre 2,38 a 2,45 bilhões de anos atrás, durante o período Sidérico, foram identificadas por pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) no interior do Rio Grande do Norte (RN).
A descoberta ajudará a entender a história geológica desta região ainda pouco compreendida e de grande interesse para a comunidade científica mundial.
Graças à integração de métodos analíticos de investigação geológica, os pesquisadores conseguiram identificar as rochas com idades siderianas na parte central da Província da Borborema, no interior do RN. O material revela parte da evolução da crosta terrestre durante o período Sidérico.

Para chegar a este resultado, os pesquisadores do SGB identificaram diferentes tipos de rochas na região. Para determinar a cronologia, eles utilizaram os métodos U-Pb (urânio/chumbo) e o Sm-Nd (samário-neodímio), amplamente utilizados para datação de rochas.
Além disso, foram utilizadas técnicas de cartografia geológica combinadas com dados aerogeofísicos. Segundo o pesquisador em geociência do SGB, Alan Costa, foram identificados fragmentos de crosta continental de idades siderianas em dois locais da região.
Os resultados ajudarão a compreender os processos de evolução geotectônicas atuantes durante o período sideriano, na região onde hoje é a região da Província Bornorema. Este período é definido por suas intensas mudanças na crosta terrestre.

Nele, são identificadas a formação de grandes depósitos de formações ferríferas bandadas (BIFs) — um tipo de rocha sedimentar —, oxigenação dos oceanos e da atmosfera, conhecido como Grande evento de oxigenação (GEO), responsável pela extinção em massa de organismos anaeróbicos.
Os processos de formação da crosta continental juvenil deste período recebem grande atenção de pesquisas em todo o mundo. Costa explicou que os novos resultados, somados a outros estudos, podem contribuir para a literatura geológica mundial — sobretudo porque ainda não existe um consenso sobre tais processos.
De todo modo, a descoberta é um importante passo para a ampliação do conhecimento da evolução geotectônica da região, fundamental para entender a formação de depósitos de minérios, bem como descobri-los.
O estudo foi publicado no períodico do SGB, o Journal of the Geological Survey of Brazil.
Deu em Canaltech

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