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Tecnologia 31/08/2023 11:15

Óculos inteligentes causam ‘desequilíbrio de poder’, alerta estudo

Uma pesquisa, conduzida por universidades dos EUA, analisou as experiências de quem usa smart glasses e quem interage com usuário

Óculos inteligentes causam ‘desequilíbrio de poder’, alerta estudo

Óculos de realidade aumentada (AR, na sigla em inglês) – também conhecidos como smart glasses e óculos inteligentes – podem criar desequilíbrio de poder nas interações sociais, o que levanta preocupações sobre privacidade e controle.

É o que apontaram pesquisadores da Universidade de Cornell e da Universidade Brown, ambas dos EUA.

Jenny Fu, uma estudante de doutorado da Cornell, apresentou as descobertas de seu estudo na Conferência ACM Designing Interactive Systems 2023.

A pesquisa visava lançar luz sobre como os óculos de AR afetam ambos os lados da interação.

Smart glasses e o desequilíbrio de poder

Homem usando óculos inteligentes da Oppo

(Imagem: Trusted Reviews)

Esses óculos podem sobrepor objetos virtuais à visão do usuário, criando uma experiência de realidade mista. Embora a maioria do desenvolvimento foque em aprimorar a experiência do usuário que os está usando, os pesquisadores estudaram o impacto dos óculos de AR tanto nos usuários quanto nos não-usuários em interações interpessoais.

À medida que os óculos de AR evoluem, eles se tornam mais discretos e semelhantes em aparência aos óculos normais.

Esse desenvolvimento levanta preocupações sobre gravações ou manipulações não autorizadas de indivíduos.

Os pesquisadores colaboraram com especialistas de ambas as universidades para examinar a dinâmica das interações com os óculos inteligentes.

O estudo envolveu cinco pares de indivíduos, cada um composto por um usuário dos óculos e um não-usuário. Esses pares discutiram atividades de sobrevivência no deserto enquanto usavam os Spectacles, um protótipo de óculos de AR fornecido pela Snap Inc.

Os Spectacles incluíam uma câmera de vídeo e filtros que transformavam a aparência do não-usuário. Após a atividade, os pares participaram de discussões sobre como melhorar a tecnologia.

Os usuários dos óculos relataram redução da ansiedade devido aos filtros divertidos que alteravam suas percepções.

No entanto, os não-usuários se sentiram desempoderados, pois não conseguiam perceber a realidade aumentada acontecendo do outro lado das lentes. Além disso, os filtros impactaram seu autocontrole sobre a aparência. A possibilidade de gravações secretas exacerbou ainda mais esses sentimentos.

Os não-usuários tentaram retomar o controle movendo-se para evitar os filtros ou exigindo informações sobre o que o usuário estava experimentando.

A falta de transparência em alguns óculos de AR, incluindo as lentes escuras dos Spectacles, prejudicou as interações sociais e a qualidade da comunicação.

Não há contato visual direto, o que deixa as pessoas muito confusas, porque elas não sabem para onde a pessoa está olhando. Isso torna a experiência delas dessa conversa menos agradável, porque os óculos bloquearam todas essas interações não verbais.

Jenny Fu, estudante de doutorado da Universidade de Cornell que conduziu o estudo

O que fazer, então?

Para abordar essas preocupações, os participantes sugeriram adicionar displays de projeção e luzes indicadoras de gravação aos óculos de AR. Dessa forma, as pessoas próximas estariam cientes do que o usuário está vendo ou gravando.

Os pesquisadores do estudo também recomendaram testar os óculos de AR em ambientes sociais e envolver não-usuários no processo de design para garantir experiências de realidade mista equitativas.

Ao considerar as perspectivas tanto dos usuários quanto dos não-usuários, o estudo destaca a necessidade de um design ético e transparente dos óculos de AR. As descobertas foram publicadas nos Anais da Conferência ACM Designing Interactive Systems 2023.

Deu em Olhar Digital

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista