FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Saúde 14/01/2026 05:45

O que realmente acontece se você não come por 36 horas?

O que realmente acontece se você não come por 36 horas?

Nesta madrugada, a bailarina e influencer Aline Campos falou sobre o jejum intermitente em conversa com outros competidores.

Ela afirmou que costuma passar longos períodos sem comer, e chegou a argumentar sobre os benefícios que sentiu ao ficar 36h seguidas (ou mais) sem ingerir qualquer alimento. Campos também disse que a prática melhorou a sua relação com a comida e saúde mental.

A ideia de ficar 36h sem fazer refeições parece absurda, mas já foi estudada por um pesquisador da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

Jejum vs. restrição calórica

Outra personalidade que ganhou destaque ao advogar pelo jejum de 36h foi o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak. A partir das 17h de todos os domingos até às 5h das terças-feiras, o político consome apenas água, chá ou café preto. Isso significa que ele se mantém por cerca de 36 horas sem tomar café da manhã, almoçar nem jantar.

Segundo Adam Collins, da Universidade de Surrey, essa abordagem é uma versão mais rigorosa da dieta em que as pessoas se restringem a consumir entre 500 e 600 calorias duas vezes por semana. Essa restrição de tempo de alimentação é o que conhecemos como jejum.

A restrição calórica, por sua vez, é uma redução diária de ingestão de calorias. Essa abstinência significa que o corpo utiliza as suas reservas normais de energia, como as gorduras, em vez de carboidratos básicos para se manter.

Quanto mais rigoroso o jejum, maior é a intolerância temporária à glicose — Foto: PxHere
Quanto mais rigoroso o jejum, maior é a intolerância temporária à glicose — Foto: PxHere

Collins realizou pesquisas anteriores que compararam pessoas que jejuaram por 36 horas com aquelas que seguiram uma dieta com restrição calórica e com aquelas que se alimentaram normalmente. Como resultado, ele observou que quanto mais rigoroso o jejum, maior a mudança da queima de carboidratos para a queima de gordura.

O pesquisador argumenta que o jejum de um dia e meio pode, sim, trazer “flexibilidade metabólica” e “resistência metabólica” para o corpo.

Isto quer dizer que o organismo teria não apenas a capacidade de alternar entre diferentes fontes de energia, mas também de lidar com pressões da dieta e do estilo de vida – como períodos de excessos alimentares, inatividade ou estresse.

Outro efeito do jejum é o desencadeamento da autofagia celular. “Suas células começam a decompor componentes celulares e, em seguida, reciclam esses componentes para outras funções”, disse Collins, em entrevista ao The Guardian.

Jejuar ou não?

Estudos que envolveram animais indicavam que um jejum de 36 horas ou mais poderia trazer benefícios para o envelhecimento e para o reparo do DNA. Mas Collins observou que não se pode garantir, com certeza, que essa mesma relação é aplicada ao corpo humano.

Não há comprovações científicas de que o jejum seja o responsável por tais benefícios drásticos para a saúde a curto prazo. No entanto, a prática pode ajudar na perda de gordura corporal, assim como na perda de massa muscular, efeito menos desejável.

Durante os períodos de jejum, é necessário que a pessoa fique um pouco inativa fisicamente, já que não terá energia o suficiente para se movimentar adequadamente — Foto: Alexander Grey/Unsplash
Durante os períodos de jejum, é necessário que a pessoa fique um pouco inativa fisicamente, já que não terá energia o suficiente para se movimentar adequadamente — Foto: Alexander Grey/Unsplash

Para além das questões físicas, especialistas ainda não possuem um consenso quanto aos efeitos cognitivos da privação de alimento. Apesar disso, Collins observou que a mudança produz cetonas, substâncias que têm sido associadas ao aumento da acuidade mental e à supressão do apetite. “Mesmo após 36 horas de jejum, os níveis de cetonas não serão muito altos”.

Nem todas as pessoas podem seguir as mesmas rotinas dietéticas de Aline Campos e Rishi Sunak. Pessoas com transtornos alimentares e grávidas não devem nem sequer tentar o jejum.

Pré-diabéticos, por sua vez, precisam tomar cuidado e serem acompanhados por profissionais, uma vez que a intolerância temporária à glicose poderia os beneficiar, aumentando sua sensibilidade à insulina.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista