O costume de pedir bênção aos país está chegando ao fim, e isso é um fato - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
PMN – Agosto Lilás – 0808 a 0809

Comportamento 10/08/2025 09:53

O costume de pedir bênção aos país está chegando ao fim, e isso é um fato

O costume de pedir bênção aos país está chegando ao fim, e isso é um fato

O costume de pedir a bênção aos pais, comum em gerações passadas, está desaparecendo no Brasil. Esse ato, que simbolizava respeito e afeto, perde força com as mudanças nas dinâmicas familiares.

O mais importante é que essa transformação não representa necessariamente perda de valores, mas sim adaptação cultural.

Segundo o antropólogo David Stigger, da USP, “a cultura não perde seus valores, ela transforma. Ela realoca e reorganiza”. Assim, mesmo que a prática tradicional se torne rara, o gesto sobrevive de outras formas.

Novas famílias, novos rituais

As famílias brasileiras deixaram para trás o modelo patriarcal. Hoje, há lares chefiados por mães solo, casais homoafetivos e avós responsáveis pelos netos. Isso altera a lógica da bênção, antes ligada diretamente à figura do pai ou da mãe.

Stigger destaca que “grande parte das famílias brasileiras são encabeçadas por mulheres. Então, um sei lá, uma bênção pai ou ben mãe, ele se desloca”. O ritual se adapta, acompanhando a diversidade de arranjos familiares.

A bênção como proteção simbólica

No passado, a bênção marcava a passagem do lar — espaço privado — para o espaço público, visto como mais perigoso.

O pedido acontecia geralmente ao sair de casa, funcionando como gesto de proteção e cuidado.

Essa dimensão simbólica ajudava o indivíduo a enfrentar o mundo exterior com a força dos laços familiares. Portanto, não era apenas um hábito, mas um ato carregado de significado.

A hiperconexão muda as fronteiras

Com a tecnologia e a comunicação instantânea, a divisão entre público e privado ficou mais fluida. Aplicativos como WhatsApp mantêm familiares conectados o tempo todo.

Para Stigger, isso reduz a necessidade de um ritual específico de despedida. “A eficácia simbólica da bênção muitas vezes não se torna tão necessária”, afirma.

Transformações jurídicas e afetivas

A pesquisadora Christiane Torres de Azeredo, em estudo do Instituto Brasileiro de Direito da Família, lembra que a estrutura familiar sempre passou por mudanças.

A Constituição de 1988 consagrou o afeto e a dignidade como pilares da família. Substituiu o “pátrio poder” pelo “poder familiar”, reforçando a igualdade e a valorização das relações afetivas.

O gesto se transforma, o afeto permanece

O desaparecimento da bênção em sua forma tradicional não significa ruptura no respeito ou no amor entre pais e filhos.

Representa apenas novas formas de expressar esses sentimentos, moldadas pela realidade de cada geração.

Deu em CPG/Com informações de Gazeta de São Paulo.

Ricardo Rosado de Holanda
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