Transportes 22/08/2023 11:00
Navio cargueiro ‘movido a vento’ estreia em viagem ao Brasil
Um navio de carga equipado com velas especiais gigantes movidas a vento partiu em sua viagem inaugural.


CRÉDITO,CARGILL Cargueiros movidos a energia eólica podem ajudar indústria a caminhar em direção a um futuro mais verde
Um navio de carga equipado com velas especiais gigantes movidas a vento partiu em sua viagem inaugural.
A empresa de transporte marítimo Cargill, que fretou a embarcação, diz esperar que a tecnologia ajude a indústria a caminhar em direção a um futuro mais verde.
O uso das grandes velas (ou “asas”) WindWings, de design britânico, visa a reduzir o consumo de combustível e, portanto, a pegada de carbono do transporte marítimo.
Estima-se que a indústria seja responsável por cerca de 2,1% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2).
A primeira jornada do navio Pyxis Ocean será da China para o Brasil — e servirá como o primeiro teste da tecnologia no mundo real.
Dobradas quando o navio está no porto, as velas são abertas depois da embarcação zarpar. Elas têm 37,5 metros de altura e são construídas com o mesmo material das turbinas eólicas, o que as torna mais duráveis.
Permitir que uma embarcação seja levada pelo vento, em vez de depender apenas de seu motor, pode reduzir as emissões de um navio de carga em até 30%.
Jan Dieleman, presidente da Cargill Ocean Transportation, disse que a indústria está em uma “jornada para descarbonizar”.
Ele admite não haver uma “bala de prata”, mas disse que essa tecnologia demonstra a rapidez com que as coisas estão mudando.
“Cinco, seis anos atrás, se você perguntasse às pessoas sobre descarbonização, elas diriam ‘bem, vai ser muito difícil, não vejo isso acontecendo tão cedo'”, disse ele à BBC.
“Cinco anos depois, acho que a narrativa mudou completamente e todos estão realmente convencidos de que precisam fazer sua parte. O desafio para todos é um pouco entender como fazer isso acontecer.”
“É por isso que assumimos o desafio de ser uma das maiores empresas a assumir parte do risco, experimentar coisas e levar o setor adiante.”

CRÉDITO,CARGILL Montagem sendo executada em um estaleiro na China
O Pyxis Ocean vai demorar cerca de seis semanas para chegar ao Brasil, seu destino final.
A tecnologia usada na embarcação foi desenvolvida pela empresa britânica BAR Technologies, que surgiu da equipe do velejador britânico Ben Ainslie na Copa América de 2017, uma competição chamada por muitos de “Fórmula 1 dos mares”.
“Este é um dos projetos mais lentos que já fizemos, mas sem dúvida com o maior impacto para o planeta”, disse à BBC o chefe da equipe, John Cooper, que trabalhava para a McLaren, da Fórmula 1.
Ele acredita que esta viagem marcará uma virada para a indústria marítima.
“Prevejo que até 2025 metade dos novos navios serão encomendados com propulsão eólica”, disse ele.
“A razão pela qual estou tão confiante é a economia – uma tonelada e meia de combustível por dia. Com quatro ‘asas’ em uma embarcação, são seis toneladas de combustível economizadas, ou seja, 20 toneladas de CO2 economizadas. Por dia. Os números são enormes.”
A inovação veio do Reino Unido, mas as “asas” (WindWings) são fabricadas na China. Cooper diz que a falta de apoio do governo para reduzir o custo do aço importado impede a empresa de fabricá-lo aqui.
“É uma pena, eu adoraria construir no Reino Unido”, disse ele à BBC.
Especialistas dizem que a energia eólica para embarcações é uma área promissora, já que a indústria naval tenta reduzir os estimados 837 milhões de toneladas de CO2 que produz a cada ano.
Em julho, a indústria concordou em zerar a emissão de gases que aquecem o planeta “por volta de 2050” — uma promessa que os críticos disseram ser capenga.
“A energia eólica pode fazer uma grande diferença”, diz Simon Bullock, pesquisador de navegação no Tyndall Centre, na Universidade de Manchester.
Ele disse que novos combustíveis mais limpos levarão tempo para surgir, “então temos que mergulhar de cabeça em medidas operacionais em navios existentes, como modernizar embarcações com velas, pipas e rotores”.
“Em última análise, vamos precisar de combustíveis de carbono zero em todos os navios, mas, até lá, é urgente tornar cada viagem o mais eficiente possível. Velocidades mais lentas também são uma parte crítica da solução”, disse ele à BBC.
Stephen Gordon, diretor administrativo da empresa de dados marítimos Clarksons Research, concorda que as tecnologias relacionadas ao vento estão “ganhando força”.
“O número de navios que usam essa tecnologia dobrou nos últimos 12 meses”, disse.
“No entanto, a referência para esse dado é baixa. Na frota de transporte marítimo internacional e na carteira de pedidos de mais de 110.000 embarcações, temos registros de menos de 100 com tecnologia assistida pelo vento hoje.”
Mesmo que esse número aumente drasticamente, a tecnologia eólica pode não ser adequada para todas as embarcações, por exemplo, onde as velas interferem no descarregamento de contêineres.
“A indústria naval ainda não tem um caminho claro para a descarbonização e, dada a escala, o desafio e a diversidade da frota naval mundial, é improvável que haja uma solução única para a indústria a curto ou médio prazo”, analisa Gordon.
John Cooper, da BAR Technologies, é mais otimista, porém, dizendo que o futuro das asas eólicas é “muito promissor”.
Ele também admite certa satisfação com a ideia da indústria voltar às origens.
“Os engenheiros sempre odeiam, mas eu sempre digo que é uma volta para o futuro”, disse ele. “A invenção dos grandes motores de combustão destruiu as rotas comerciais e marítimas e agora vamos tentar reverter essa tendência.”
Deu em BBC

Descrição Jornalista
Teia Potiguar 2026 define delegação para etapa nacional
02/03/2026 20:39
Pensar vira habilidade ainda mais premium na era da IA
02/03/2026 19:27
Entidade defende que Lula não tem mais direito à reeleição
02/03/2026 18:14
Grupo terrorista Talibã libera que homens espanquem suas esposas
02/03/2026 17:17
Qual o efeito do consumo de café em pacientes diabéticos?
02/03/2026 17:00
Ataque ao Irã deve pressionar preço de combustíveis, dizem especialistas
01/03/2026 04:44 88 visualizações
02/03/2026 06:21 87 visualizações
Trump: centenas de alvos foram atingidos no Irã e comando militar “se foi”
02/03/2026 04:40 85 visualizações
Atenção, usuários do Pix: novas regras já valem e afetam seu dinheiro
02/03/2026 08:16 82 visualizações
Mostra homenageia Assis Marinho e reforça política cultural do Governo do Estado
01/03/2026 07:43 76 visualizações
Jovens médicos começam a carreira no ‘escuro’, alerta estudo
01/03/2026 08:11 72 visualizações
Lulinha admite a interlocutores que teve voo e hotel pagos pelo Careca do INSS em viagem a Portugal
02/03/2026 11:26 69 visualizações
Presidente do PT admite derrota ‘nas ruas’ e chama Flávio Bolsonaro de ‘pedra no sapato’
01/03/2026 12:47 66 visualizações
André Mendonça é o único que pode pedir sigilos de firma de Toffoli
02/03/2026 09:42 64 visualizações