FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Trânsito 28/09/2025 07:42

Motociclistas representam cerca de 40% das vítimas de acidentes de trânsito no país

Motociclistas representam cerca de 40% das vítimas de acidentes de trânsito no país

O Brasil registrou, em 2024, o maior número de mortes em acidentes de moto desde 2020: 2.024 vítimas fatais, segundo dados do Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).

O levantamento mostra que, em 2025, até setembro, foram contabilizados 1.286 óbitos. Embora haja redução em relação ao ano anterior, os motociclistas representam cerca de 40% das vítimas do trânsito no país, aponta o DataSUS.

Entre 2020 e 2025, o número de mortes variou, mas se manteve em patamares elevados. A expectativa é que, mesmo com a redução parcial registrada neste ano, o total de vítimas ultrapasse a marca de mil até dezembro, consolidando um cenário preocupante.

Luce Costa/Arte R7Luce Costa/Arte R7

Elementos que contribuem

Para Celso Alves Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, diversos fatores explicam a alta mortalidade de motociclistas nas ruas.

A grande quantidade de condutores sem habilitação ou com CNH suspensa é uma realidade reconhecida pelos próprios órgãos de trânsito.

“É uma receita para o desastre: veículos ‘naturalmente’ pouco seguros, muito mais rápidos do que os outros, conduzidos por pessoas nem sempre habilitadas, hábeis ou experientes, em meio ao tráfego de veículos maiores, em um ambiente onde a percepção de riscos de todos é muito baixa”, argumenta.

Ele ressalta que as características do veículo de duas rodas guardam os principais fatores de risco.

“Moto é um veículo que não pára em pé sozinho. Um simples tombo já costuma ser grave. Acidentes em que velocidade e falta de habilidade se combinam frequentemente são fatais.”

Sequelas

Para aqueles que sobrevivem, a recuperação pode ser extremamente difícil. Um estudo da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) mostra que dores crônicas, deformidades, déficit motor, limitação funcional e amputações estão entre as sequelas mais frequentes.

Essa situação impacta diretamente o sistema de saúde. A pesquisa também revela que o número de acidentados aumenta o volume de atendimentos hospitalares.

Mais de 60% das unidades ouvidas relatam ter atendido mais de 600 vítimas de trânsito em seis meses, sendo a maioria motociclistas.

Conscientização

Em nota ao R7, o Ministério dos Transportes afirmou que a Senatran intensificou neste ano ações educativas focadas na gestão da velocidade e na proteção dos motociclistas.

A mensagem escolhida para as campanhas do Sistema Nacional de Trânsito em 2025 é: “Desacelere. Seu bem maior é a vida.”

Para o especialista Celso Alves Mariano, campanhas são necessárias, mas insuficientes.

“No Brasil, efetivamente, só fazemos campanhas, ao invés de adotarmos um Programa de Educação para o Trânsito. Elas são boas, necessárias e até indispensáveis, considerando que é o que temos. Mas insuficientes para mudar comportamento. Uma boa campanha, com abordagem eficaz, é capaz de fazer um motociclista voltar para casa e buscar o capacete para usar naquele dia”, finaliza.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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