Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro brasileiro seguiu elevando as expectativas para a inflação e taxa básica de juros, a Selic, para o fim de 2026. No boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23), os agentes subiram a Selic em 0,25% e a inflação em 0,07%.
Assim, os índices ficaram em 12,50% e 4,17%, respectivamente.
Há quatro semanas, a expectativa para a inflação era de 3,91% e a Selic era apontada em 12,13%. Apesar da alta nas projeções, a inflação segue dentro da meta estabelecida, de 4,5%.
O relatório resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. O documento traz a evolução e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores.
A variação das projeções está atrelada à disparada do preço do barril de Brent (como é chamada a referência para o preço do petróleo), pressionado pela obstrução no Estreito de Ormuz.
Lá transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Além dos riscos para os EUA e Irã, a interrupção do fluxo também pode pressionar os preços no Brasil.
Com o preço dos combustíveis mais caros, a inflação pode ser diretamente afetada. Segundo especialistas, isso ocorre devido aos custos de frete e logística nacional.
“Isso significa transporte mais caro para grãos, alimentos industrializados, insumos agrícolas e produtos manufaturados.
O efeito costuma se difundir gradualmente, elevando custos de distribuição, pressionando margens empresariais e, em muitos casos, sendo repassado ao consumidor final”, detalha o especialista em comércio exterior Jackson Campos.



