Mais de R$ 6,3 bilhões foram desviados do INSS entre 2019 e 2024 em descontos indevidos, e mesmo com o acordo em andamento, 800 mil beneficiários ainda não pediram ressarcimento - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Corrupção 31/08/2025 11:40

Mais de R$ 6,3 bilhões foram desviados do INSS entre 2019 e 2024 em descontos indevidos, e mesmo com o acordo em andamento, 800 mil beneficiários ainda não pediram ressarcimento

Mais de R$ 6,3 bilhões foram desviados do INSS entre 2019 e 2024 em descontos indevidos, e mesmo com o acordo em andamento, 800 mil beneficiários ainda não pediram ressarcimento

O INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) iniciou um dos maiores programas de ressarcimento coletivo da história do Brasil. A devolução de valores atinge aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos, que, segundo a IstoÉ Dinheiro, somaram mais de R$ 6,3 bilhões em prejuízos entre 2019 e 2024.

Até agora, mais de 2 milhões de beneficiários já aderiram ao acordo, mas cerca de 800 mil pessoas ainda não solicitaram a devolução, mesmo tendo direito.

O reembolso é feito diretamente na conta do segurado, com correção pelo IPCA, e pode ser solicitado de forma gratuita pelo aplicativo Meu INSS ou em agências dos Correios.

Para muitos, trata-se de uma reparação vital, já que os descontos atingiram um grupo que depende quase integralmente da aposentadoria para sobreviver.

Como funcionava a fraude no INSS

As investigações da operação “Sem Desconto” da Polícia Federal, com apoio da CGU (Controladoria-Geral da União), revelaram que servidores do INSS, em parceria com entidades terceirizadas, aplicavam descontos ilegais nos benefícios, simulando taxas sindicais e empréstimos consignados que nunca foram contratados.

Segundo auditoria da CGU, 90% das assinaturas usadas para autorizar os débitos eram falsas. Em uma amostra de 1,3 mil aposentados, a imensa maioria afirmou nunca ter autorizado nenhum desconto. O esquema movimentou bilhões de reais e só veio à tona após denúncias em 2025.

Devolução já começou, mas milhares não pediram

Até o momento, 1.995.450 beneficiários receberão os valores até 1º de setembro, com correção monetária. No total, mais de 2 milhões já aderiram, mas 800 mil aposentados e pensionistas seguem sem solicitar o reembolso.

Quem sofreu descontos indevidos entre março de 2020 e março de 2025 pode receber o ressarcimento. Em alguns casos, porém, é necessário desistir de ações judiciais em andamento para integrar o acordo. O prazo atual para adesão vai até 14 de novembro de 2025, com possibilidade de prorrogação.

Impacto para os aposentados

Esse é um dos maiores golpes já registrados contra beneficiários do INSS. A fraude afetou um público vulnerável, que muitas vezes não percebeu imediatamente os descontos indevidos. Até agora, mais de 11 milhões de brasileiros consultaram os canais oficiais para checar se foram vítimas; desses, 1,87 milhão confirmaram a fraude, somando quase R$ 1 bilhão já liberado em devoluções.

Além do impacto financeiro, o escândalo reforça a necessidade de maior transparência e fiscalização nos sistemas de consignados e taxas. Especialistas defendem medidas mais rígidas para impedir novos golpes, como bloqueios automáticos e alertas em tempo real para os beneficiários.

A devolução de valores desviados do INSS representa uma vitória parcial para os aposentados e pensionistas, mas ainda há 800 mil brasileiros sem pedir o ressarcimento de descontos indevidos.

A adesão é gratuita e pode garantir o retorno de valores que fazem diferença no orçamento familiar.

Deu em CPG

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista