FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Segurança 23/02/2024 06:37

Mais de 500 agentes, helicópteros, cães farejadores, drones: o aparato que atua há dez dias nas buscas por 2 fugitivos de Mossoró

Fuga aconteceu no dia 14 de fevereiro e é a primeira registrada no sistema prisional federal. Investigadores acreditam que suspeitos permanecem em região próxima ao presídio.

Mais de 500 agentes, helicópteros, cães farejadores, drones: o aparato que atua há dez dias nas buscas por 2 fugitivos de Mossoró

Há 10 dias, um aparato com mais de 500 agentes, helicópteros, drones e cães farejadores buscam pelos dois criminosos que fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró, no Oeste potiguar.

Deibson Nascimento e Rogério Mendonça fugiram na madrugada do dia 14 de fevereiro do presídio. Embora os foragidos tenham deixado algumas pistas para trás, eles ainda não foram localizados até a manhã desta sexta-feira (23). Nesta quinta (22), a Polícia Federal prendeu três suspeitos de terem ajudado os dois fugitivos do presídio de Mossoró.

No dia 18 de fevereiro, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou que mais de 500 agentes federais e estaduais já estavam envolvidos nas buscas.

O Ministério da Justiça e o governo do Rio Grande do Norte não informaram os custos envolvidos na operação. A Secretaria de Segurança Pública do RN também não detalhou o número de agentes estaduais envolvidos, muitos deles enviados da capital do estado, Natal.

A operação causou lotação em hotéis de Mossoró e restaurantes da cidade também estão movimentados. Uma comitiva do Ministério da Justiça, capitaneada pelo secretário nacional de Políticas Penais, se encontra no estado desde o dia da fuga, em 14 de fevereiro.

Nesta quinta-feira (22), chegaram a Mossoró mais 100 homens da Força Nacional, com cerca de 20 viaturas e um ônibus.

O Ministério também autorizou o envio da Força Penal Nacional, na penitenciária, por 60 dias, a partir desta sexta-feira (23). O número não informado de agentes vai atuar no reforço da área externa do presídio e no treinamento dos agentes locais.

Críticas à operação

Para o ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, José Vicente da Silva Filho, o uso do aparato policial por um prazo longo não faz sentido e tem um custo elevado.

“É um exagero. É injustificável o uso de um contingente como esse por tanto tempo. Faz sentido nos dois primeiros dias, em que se mobiliza todas as forças para buscar a recaptura. Depois de uma semana, é preciso deixar a cargo da investigação”, afirmou.

“Todas essas forças de segurança foram retiradas de outras áreas em que a população também precisa das suas atuações. Estão fazendo barreiras na área rural, onde não há demanda. E talvez os criminosos já não estejam mais no estado”, pontuou.

O especialista ainda afirmou que os custos de uma operação como essa envolvem o dia de trabalho dos profissionais, alimentação, combustível de carros e aeronaves, hospedagem, entre outras despesas. Apesar disso, ele preferiu não estimar o valor gasto nas ações, até agora.

José Vicente ainda apontou que um levantamento de 2023 informou que o Rio Grande do Norte tem mais de 7 mil foragidos da Justiça.

Buscas completam 10 dias

As buscas acontecem, principalmente, em Mossoró e também em Baraúna, onde na quarta-feira (21) houve um cerco em uma operação policial. Nenhum detalhe da ação foi divulgado.

As duas cidades são ligadas pela RN-015, estrada onde fica a Penitenciária Federal de Mossoró. A força-tarefa trabalha com a hipótese de que os fugitivos permanecem em uma região próxima à unidade prisional.

As zonas rurais e áreas de mata são focos de buscas, mas os trabalhos são dificultados pelas pelas características naturais da caatinga, o bioma da região. Os agentes enfrentam situações como mata fechada, grutas, animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões, forte insolação, calor e a época de chuva na região.

Defensoria Pública da União (DPU) recomendou que os policiais usem câmeras corporais nas buscas pelos fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró.

O documento também pede a realização de exame de corpo de delito e audiência de custódia imediatamente após a recaptura.

Fuga e pistas dos foragidos

A última vez que os fugitivos foram vistos foi na noite de sexta (16), quando invadiram uma casa na zona rural de Mossoró, fizeram os moradores reféns e fugiram levando comida, água e dois celulares, que tiveram os sinais captados próximo à divisa com o Ceará. A casa fica a cerca de 3 quilômetros da penitenciária.

Uma residência, distante cerca de 7 quilômetros da penitenciária, também foi arrombada por eles, segundo os investigadores na noite do próprio dia 14 de fevereiro

Deu em G1/RN

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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