Lula e Flávio trocam acusações sobre familiares e corrupção em primeiro debate na TV - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Eleições 19/10/2026 05:27

Lula e Flávio trocam acusações sobre familiares e corrupção em primeiro debate na TV

Lula e Flávio trocam acusações sobre familiares e corrupção em primeiro debate na TV

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vão disputar o segundo turno da eleição presidencial deste ano, se enfrentaram neste domingo (18) no primeiro debate entre os dois durante a campanha eleitoral. O encontro foi promovido pela Band e pelo Estadão.

O debate foi marcado menos por apresentação de propostas e mais por discussões, provocações e bate-bocas entre os dois candidatos, que trocaram acusações e partiram para o confronto direto em diferentes momentos.

O clima acirrado também se refletiu na plateia, que se manifestou durante algumas falas e chegou a atrapalhar o andamento do programa, exigindo a intervenção dos mediadores.

O primeiro bloco do debate foi o mais tenso. Flávio e Lula tiveram 15 minutos cada para administrar como preferissem ao longo de suas intervenções, o que contribuiu para que os dois trocassem acusações sobre temas diversos.

Lula abriu a discussão questionando o voto de Flávio, em 2009, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, contra a ampliação da licença-maternidade em dois meses para servidoras públicas.

O presidente perguntou o que o senador tinha contra as mulheres. Em resposta, Flávio afirmou respeitar as mulheres e citou a mulher e as filhas. Na sequência, direcionou os ataques ao adversário.

Flávio cobrou explicações de Lula sobre as investigações envolvendo Roberta Luchsinger, a quem associou a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O senador questionou por que a Polícia Federal realizou buscas em um endereço ligado a Roberta, mas não no do filho do petista, e perguntou: “Cadê o Lulinha?”.

Lula respondeu que o caso está sob investigação da Polícia Federal e afirmou que os resultados serão conhecidos ao fim das apurações. O presidente também declarou que o filho colocou espontaneamente os sigilos bancário e telefônico à disposição da Polícia Federal.

Em seguida, Lula acusou Flávio de ter sido protegido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula afirmou que, em seu governo, não troca dirigentes da Polícia Federal para impedir investigações contra familiares ou aliados.

Flávio rebateu as declarações e acusou a Polícia Federal de não investigar o filho do presidente. Também questionou o fato de Lulinha morar na Espanha. O senador ainda associou o governo petista a suspeitas de corrupção e citou as investigações sobre fraudes no INSS, afirmando que o empresário conhecido como “Careca do INSS” teria financiado o filho de Lula no exterior.

“No seu governo tem muitas quadrilhas. Inclusive, Lula, é importante falar aqui, na frente das câmeras, você fala que todo mundo tem que ser investigado, mas a Polícia Federal até agora não foi atrás do seu filho. Por que ele está fugido lá na Espanha? Por que ele não está aqui?”, questionou Flávio.

Lula rebateu dizendo que Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos articulando um pedido de intervenção do governo de Donald Trump no Brasil.

“O seu irmão está fugindo nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil. Vocês viram que hoje, na manifestação de vocês, tinha um torpedo americano que mandava tacar um torpedo no Brasil. Na verdade, o que vocês estão fazendo é trair a pátria, e vocês serão julgados por isso.”

Discussão sobre dinheiro para filme de Bolsonaro

Flávio e Lula também trocaram farpas e bateram boca ao falar sobre a negociação de R$ 134 milhões atribuída ao senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Lula cobrou explicações sobre o destino dos recursos e questionou a versão de Flávio sobre a operação. O financiamento é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades na movimentação do dinheiro.

Lula insistiu que Flávio explicasse onde estava o dinheiro. O presidente afirmou que não havia registro de pagamento do Banco Master para o filme e citou declarações atribuídas à diretora da produção sobre o não recebimento dos valores. Também acusou o senador de apresentar versões contraditórias sobre o caso e questionou se os recursos teriam sido usados para beneficiar familiares.

“Você tem que explicar os R$ 134 milhões do Vorcaro, que você disse que não pegou e pegou, disse que foi para o fundo e não foi. Eu queria que você explicasse o que você fez com os R$ 134 milhões? Foi para ajudar o seu irmãozinho”, afirmou Lula, em referência a Eduardo Bolsonaro.

Flávio rebateu as acusações e defendeu a negociação para financiar a cinebiografia do pai.

 “Calma que não é dinheiro por fora igual o teu não”, afirmou, antes de acusar Lula de ter recebido R$ 30 milhões de forma ilegal para o Instituto Lula. O senador também orientou os espectadores a acessar suas redes sociais para ouvir um áudio atribuído a Vorcaro, que, segundo Flávio, trataria das diferenças entre o financiamento de Dark Horse e os recursos destinados ao instituto ligado ao presidente.

“Você vai ver lá o áudio do Vorcaro, onde ele fala o seguinte: ‘O filme do Bolsonaro foi tudo bem, tudo certinho. O filme do Lula teve R$ 30 milhões de por fora no Instituto Lula’. É o Vorcaro que está falando”, disse Flávio.

Provocações entre Flávio e Lula

Em determinado momento do debate, Flávio se aproximou fisicamente de Lula no palco e o convidou a ficar ao seu lado. “Fica aqui do meu lado, Lula… Fica tranquilo, eu não sou um cara violentão”, disse o senador, em uma provocação ao presidente.

Lula se afastou e respondeu com outra provocação: “Quero distância de miliciano”. Flávio retrucou: “Estou sem carteira aqui, você não vai poder me roubar”.

As declarações provocaram reação da plateia, e a moderação precisou intervir para pedir silêncio.

O senador ainda mencionou Frei Chico, irmão de Lula e dirigente sindical, ao criticar as investigações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS. Flávio acusou o governo de permitir a continuidade dos desvios e classificou o esquema como uma “roubalheira de velhinhos”. Também questionou a atuação da Polícia Federal e acusou o presidente de proteger familiares e aliados políticos.

Em outro momento, Flávio retomou as condenações de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro, mostrando a palma da mão, na qual escreveu a palavra “corrupto”, e citou o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (União), e o senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo), presentes no evento.

O candidato do PL afirmou que o presidente havia sido “descondenado” por aliados no STF (Supremo Tribunal Federal), em referência à anulação das condenações impostas a Lula pela Justiça.

Por outro lado, Lula questionou como o senador comprou uma casa avaliada em R$ 10 milhões e insinuou que a aquisição poderia estar relacionada a recursos ligados ao caso Banco Master. O imóvel citado por Lula fica em uma ilha que o atacante Richarlison havia comprado por R$ 10 milhões em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, mas que o jogador diz ter sido “tomada” por Flávio.

Em outro momento, o presidente disse que o senador vai perder a eleição e, com isso, a imunidade parlamentar, acrescentando que investigações sobre o Flávio podem avançar.

“Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito, que agora vai andar. Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar.”

Ainda durante o confronto direto com Flávio, Lula propôs que os dois candidatos autorizassem a abertura de seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo os de familiares, e sugeriu entregar as autorizações ao STF e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) antes do segundo turno.

Propostas de Flávio

Das promessas apresentadas no debate, a segurança pública teve mais destaque para Flávio Bolsonaro. Ele prometeu classificar facções como o PCC e o Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, ampliar a atuação das Forças Armadas nas fronteiras e recuperar territórios dominados pelo crime organizado.

Também defendeu construir mais de 500 mil vagas no sistema prisional, acabar com as saídas temporárias de presos, reduzir a maioridade penal para 16 anos como regra geral e para 14 em crimes hediondos e aprovar a castração química para estupradores e pedófilos. O senador ainda propôs instalar mais de 1 milhão de câmeras com inteligência artificial para monitoramento.

Na economia, o candidato anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade, voltado ao microcrédito, à qualificação profissional e ao empreendedorismo em comunidades e periferias. Também prometeu um programa de renegociação de dívidas, com descontos, carência para o início dos pagamentos e juros menores.

Flávio defendeu cortes de gastos públicos e afirmou que pretende transformar a Caixa Econômica Federal em uma instituição de apoio a pequenos empreendedores. Sobre a jornada de trabalho, declarou ser favorável ao fim da escala 6×1 e disse que não vai apresentar uma proposta contra essa medida.

Para a saúde, Flávio prometeu implementar um SUS inspirado no modelo de gestão do Hospital Albert Einstein e anunciou Cláudio Lottenberg, ex-presidente da instituição, como seu escolhido para o Ministério da Saúde, caso seja eleito. O candidato também afirmou que pretende manter o Bolsa Família.

Propostas de Lula

Lula destacou investimentos na Nova Indústria Brasil, com R$ 25 bilhões, e a expectativa de atrair até R$ 500 bilhões para a instalação de data centers no país.

O presidente defendeu que parte dos dados armazenados nessas estruturas fique sob custódia do governo brasileiro e prometeu ampliar a formação de profissionais em áreas como engenharia, matemática e tecnologia.

Para reduzir o endividamento, Lula propôs um programa de renegociação de débitos bancários, com descontos de até 92% e cobertura de até R$ 300 bilhões em dívidas, além de um repasse via Pix para ajudar os beneficiários a reorganizar as finanças.

O presidente também prometeu manter a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, com ganhos reais para trabalhadores, aposentados e pensionistas.

Na saúde, Lula prometeu ampliar a estrutura para que pacientes com câncer comecem o tratamento em até 30 dias, manter a oferta gratuita de 40 medicamentos de uso contínuo e dar continuidade ao Mais Médicos.

Também defendeu a modernização dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro, com parcerias com prefeituras e a iniciativa privada, e rejeitou propostas que, segundo ele, possam levar à privatização do SUS.

Na segurança pública, o presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança e prometeu criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar ações com estados e municípios.

Disse que pretende combater o crime organizado tanto nas comunidades quanto em suas estruturas financeiras, com foco em lavagem de dinheiro e no financiamento de facções e milícias. Também propôs integrar serviços do governo federal para facilitar o bloqueio de celulares roubados ou furtados.

Na educação, Lula anunciou a proposta de criar uma modalidade do Pé-de-Meia voltada a incentivar estudantes com bom desempenho no Enem a seguir a carreira docente. Também prometeu criar uma Universidade Indígena em Brasília e manter e ampliar as políticas de cotas no ensino superior.

O presidente ainda defendeu o fortalecimento de empresas estatais estratégicas, como a Petrobras, e a continuidade de investimentos na indústria naval e na produção nacional de fertilizantes.

Deu em R7

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista