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Medicina 01/03/2026 08:11

Jovens médicos começam a carreira no ‘escuro’, alerta estudo

Jovens médicos começam a carreira no ‘escuro’, alerta estudo

A transição da faculdade para os primeiros plantões tem sido vivida por muitos médicos como um salto sem mapa.

Um estudo conduzido pela plataforma Caveo em 2025 – com 308 entrevistas com estudantes em fase final da graduação e profissionais com até três anos de formação – mostra que 68% dos formandos não se sentem preparados para iniciar a carreira.

Embora mais de 60% afirmem já ter escolhido uma especialidade, parte relevante dos entrevistados relata dúvidas sobre o mercado, sobre a rotina real das áreas e sobre o que muda na prática ao longo dos primeiros anos.

O levantamento também traz um recorte de gênero: 63% dos respondentes são mulheres.

Oportunidades no WhatsApp e decisões sem referência

A pesquisa indica um mercado altamente dependente de redes pessoais. Entre os médicos entrevistados, 87,5% dizem recorrer a indicações informais ou grupos de WhatsApp para encontrar oportunidades.

Entre estudantes, 86% apontam conversas com colegas e residentes como principal fonte de informação sobre o que vem depois do diploma.

Esse padrão aparece também nas prioridades: na escolha da especialidade, 80% dizem priorizar qualidade de vida, enquanto 40% apontam remuneração como fator principal. A leitura da Caveo é que a nova geração busca caminhos mais sustentáveis, mas ainda encontra pouca orientação prática para conectar escolhas do início da carreira a objetivos de longo prazo.

“A formação médica no Brasil segue como se a carreira fosse algo que o profissional precisa montar sozinho. O que os dados mostram é um início de trajetória com muita pressão e pouca referência confiável para decidir, o que alimenta insegurança e desgaste logo no começo”, afirma Pedro Rosolen Jr., diretor-médico e cofundador da Caveo, plataforma financeira que estrutura a vida financeira do médico ao longo da trajetória profissional.

Na avaliação da empresa, reduzir essa insegurança exige mais do que informação solta ou decisões feitas na pressa. O caminho passa por orientação prática sobre o mercado, por clareza para escolhas recorrentes e por um sistema que ajude a organizar decisões ao longo do tempo, conectando o início da carreira a objetivos de longo prazo como autonomia, estabilidade e qualidade de vida.

Quando projetam o futuro, mais de 70% descrevem como ideal uma rotina com menos plantões, consultório próprio, liberdade geográfica e qualidade de vida. O estudo também aponta que metade dos entrevistados se sente insegura para se posicionar digitalmente ou empreender na medicina, indicando que o início da carreira envolve de fato muitas demandas novas, além do exercício clínico.

Deu em Portal Terra

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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