Economia 23/05/2025 06:35
Intenção de Consumo das Famílias cai pelo quarto mês consecutivo e acende alerta na economia

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentou queda pelo quarto mês consecutivo em maio, evidenciando que o consumidor brasileiro permanece cauteloso.
Medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice segue dentro do patamar de otimismo (101,5 pontos com ajuste sazonal), mas os dados revelam a fragilidade da confiança das famílias, especialmente entre quem possui maior renda e os homens.
A retração mensal foi leve, de apenas 0,1% frente a abril, mas na comparação anual a queda foi mais significativa, de 2,1%. Os principais fatores que contribuem para este resultado são a taxa Selic alta e a inflação persistente, que corroem o poder de compra e tornam o crédito mais caro.
“O orçamento das famílias está pressionado, o que leva a esse comportamento mais cauteloso. A manutenção da taxa Selic em níveis altos limita a recuperação do consumo, especialmente de bens duráveis. O desafio agora é conciliar o controle da inflação com estímulos moderados à atividade econômica, evitando o agravamento do endividamento e da inadimplência”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
Queda puxada por duráveis
A maior retração anual ocorreu no subíndice Momento para Compra de Bens Duráveis, que desabou 7,6%, sinalizando o impacto direto dos juros altos no consumo de longo prazo.
O Acesso ao Crédito também piorou, caindo 0,9%, no comparativo com maio de 2024. No entanto, houve melhora em relação ao mês passado, de 1,4%.
“O avanço mensal na percepção do crédito, o maior em quatro meses, revela um paradoxo: mesmo em cenário restritivo, houve melhora da percepção de acesso, com 31,5% dos entrevistados considerando estar mais fácil obtê-lo, o maior percentual desde outubro. Isso pode indicar que, apesar das dificuldades macroeconômicas, o sistema financeiro vem tentando sustentar o consumo por meio de maior oferta de crédito”, analisa o economista da CNC João Marcelo Costa.
Mercado de trabalho apresenta sinais mistos
O componente Emprego Atual apresentou queda mensal de 0,3% e anual de 1,7%, enquanto a Perspectiva Profissional recuou 0,2%. No entanto, na comparação com igual período do ano passado, houve leve alta de 0,3%, indicando percepção mais positiva em relação ao futuro do mercado de trabalho na comparação a 2024.
Ainda assim, a Perspectiva de Consumo caiu 3,4% no ano, mesmo com indícios de recuperação no emprego e no crédito. Esse resultado mostra maior seletividade nas decisões de compra, principalmente por conta da alta inadimplência.
Famílias de maior renda menos otimistas
Na divisão por faixa de renda, as famílias com rendimentos superiores a 10 salários mínimos apresentaram leve melhora mensal da intenção de consumo, de 0,5%, com destaque para o Acesso ao Crédito, que subiu 1,2%. Contudo, a queda anual foi de 2,2%.
Curiosamente, essas famílias demonstraram mais pessimismo na Perspectiva Profissional (-1,5%) do que aquelas com renda inferior a 10 salários (+0,8%). Já o item Perspectiva de Consumo caiu 4,7% entre os mais ricos e 3,3% entre os mais pobres, com ambos os grupos olhando o futuro com certa desconfiança.
“Esse comportamento pode ser explicado pela alta exposição das famílias de maior renda ao consumo de bens duráveis e financiamentos, que são diretamente afetados pelas condições macroeconômicas”, afirma Costa.
Público masculino mais comedido
Por sua vez, a análise por gênero mostrou que os homens apresentaram queda anual de 2,8% na intenção de consumo, contra 1,0% das mulheres. Eles também demonstraram maior dificuldade no acesso ao crédito (-1,8%) e menor confiança na estabilidade profissional (-0,5%).
Mais resiliente, o público feminino registrou crescimento de 1,4% na Perspectiva Profissional e leve melhora do Acesso ao Crédito, de 0,4%. Apesar disso, ambas as faixas reduziram suas expectativas de consumo, com destaque negativo para os homens (-4,0%).
Deu no Portal da CNC

Descrição Jornalista
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