Crédito 04/10/2025 11:49
Inadimplência nos cartões cresce e indica dificuldades na recuperação do crédito

O primeiro trimestre de 2025 trouxe um sinal de alerta para o mercado de crédito brasileiro.
Segundo levantamento inédito da Serasa Experian, a pontualidade no pagamento das faturas de cartão caiu de 80,9% no mesmo período de 2024 para 78,1% neste ano. A redução de 2,8 pontos percentuais mostra que mais consumidores estão atrasando ou deixando de pagar suas contas em dia.
O indicador é considerado antecedente da inadimplência e aponta para um cenário de maior risco.
Segundo a economista da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, isso é um termômetro da restrição financeira das famílias.
“Notamos uma queda da pontualidade de pagamento das faturas de cartão de crédito. Os dados mostram que a população está com dificuldade de cumprir suas obrigações financeiras. Há uma redução significativa da pontualidade de pagamentos, devido aos juros elevados”, diz.
A deterioração do indicador foi registrada tanto entre homens como entre mulheres. Para o público masculino, a pontualidade caiu de 81% para 78,4%. Entre as mulheres, a queda foi ainda mais acentuada: de 80,9% para 77,9%.
Na prática, isso significa que mais de um em cada cinco pagamentos de faturas não ocorre dentro do prazo, tendência que pressiona o aumento da inadimplência.
O Cadastro Positivo da Serasa também mostra que o valor médio das faturas de cartão de crédito encolheu.
A média passou de R$ 1.419,88 no primeiro trimestre de 2024 para R$ 1.306,84 no mesmo período deste ano, uma queda de R$ 113,04. Esse recuo revela que os consumidores estão gastando menos no cartão, mas ainda assim enfrentam dificuldades para manter os pagamentos em dia.
Dívidas elevadas
Os números refletem um quadro mais amplo de fragilidade. O Brasil contabiliza hoje cerca de 78,2 milhões de CPFs negativados. Cerca de 28% dessas negativações estão ligadas a dívidas com bancos e administradoras de cartão de crédito. A dívida média do consumidor inadimplente é de R$ 6.177, valor equivalente a cerca de quatro salários mínimos.
Abdelmalack diz que o movimento não decorre de uma mudança de comportamento do consumidor, mas sim da postura mais cautelosa das instituições financeiras. “Não há uma questão comportamental de o consumidor usar menos crédito, o que ocorre é que os bancos estão cortando limites, as instituições financeiras estão mais cautelosas na concessão e na liberação de limites”, afirma.
Segundo ela, esse impacto ficou mais evidente na virada do primeiro para o segundo trimestre deste ano, em linha com os dados de inadimplência do Banco Central (BC) e com os relatórios de política monetária. “É possível ver claramente uma tendência de desaceleração na concessão do crédito ao consumidor”, diz.
Renegociação difícil
A deterioração da pontualidade acontece em um ambiente de juros ainda elevados. A taxa Selic, mantida em patamar alto para controlar a inflação, encarece o crédito e aumenta o custo da dívida para famílias e empresas. O rotativo do cartão, em especial, é uma das linhas mais caras do mercado.
Quando consumidores entram nessa modalidade, a tendência é de rápida multiplicação da dívida.
“A pontualidade de pagamento é um dos principais indicadores que o Cadastro Positivo nos traz, uma vez que sua queda é um dos primeiros sinais de um cenário mais desafiador. E é justamente isso o que vemos no comparativo entre trimestres: os menores índices de pontualidade mostram a restrição financeira atual e o aumento da inadimplência que temos visto, com patamares recordes. Somado a isso, o uso do rotativo do cartão de crédito traz um desafio adicional, uma vez que é uma linha de crédito mais cara e, com isso, também traz implicações incrementais nos índices de inadimplência e nas restrições financeiras dos brasileiros”, avalia Abdelmalack.
Na prática, o ambiente de juros altos não apenas aumenta o custo das dívidas, mas também dificulta renegociações. Com maior percepção de risco, os bancos reduzem limites, encurtam prazos e restringem a concessão. O resultado é um círculo vicioso: a queda da pontualidade aumenta a inadimplência, que por sua vez reforça a cautela dos credores, limitando a recuperação do crédito.
Efeito nas empresas
A restrição não atinge apenas consumidores. Há hoje cerca de 8 milhões de CNPJs negativados no Brasil, número recorde. Para Abdelmalack, o dado revela que mesmo com o mercado de trabalho aquecido, o setor produtivo enfrenta dificuldades em honrar compromissos. Se houver piora no mercado de trabalho, com redução nas contratações e aumento nos desligamentos, a situação pode se agravar ainda mais.
“Apesar de o mercado de trabalho aquecido, o setor produtivo está em um patamar recorde de inadimplência. Se houver uma redução nas contratações e um ritmo maior de desligamentos, indicando uma piora no mercado de trabalho, imaginar que o cenário do crédito tem espaço para piorar”, alerta.
Deu em Forbes

Descrição Jornalista
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