Ainda sobre os criticados uniformes do Time Brasil. Muito falou-se sobre o estilo, ou sobre a falta dele.
Sobre a caretice das saias na altura do joelho. E ainda que as capas de chuva “salvaram” a reputação fashion dos atletas brasileiros.
Mas, em meio à polêmica, a professora de jardinagem Clara Costa, autora de diversos livros sobre o tema, questiona quais são as plantas bordadas ao lado da onça, da arara e do tucano nas costas das jaquetas jeans.
“Ninguém cita, nos materiais de divulgação, quais são as plantas bordadas. Na estampa ‘arara’, vemos um caládio, a folhagem verde com nervuras vermelhas, nativa de vários países da América do Sul”, pontua.
“Na estampa ‘onça’, há quatro folhas azuis com nervuras vermelhas (torcendo para não ser uma menção à moda das plantas tingidas) e uma folha de samambaia-do-amazonas”, explica.
“Na jaqueta que leva o tucano, o bicho pega. Há duas folhas largas e verdes com nervuras vermelhas. Seria uma bananeira-ornamental sem manchas? Outra samambaia? Musgo-azul?”, pergunta a professora de jardinagem, ainda sem respostas.
Ela tenta responder, no mesmo post em sua conta @minhasplantas, no Instagram.
“O botânico italiano Stefano Mancuso cita que o reino vegetal passa por uma espécie de invisibilidade a nossos olhos. Vivemos como se essa paisagem fosse um bloco único. Esse analfabetismo botânico nos acompanha pela vida”.
Até agora, o trabalho manual feito pelas bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, cidade do semiárido do Rio Grande do Norte, tinha sido o único detalhe elogiado nos uniformes feitos pela Riachulo para a delegação brasileira.
Segundo a marca, os desenhos “ilustram a força da biodiversidade brasileira com ilustrações de animais silvestres e cores fortes fazendo alusão a bandeira do Brasil”.


