Brasil 24/06/2023 08:54
IBGE identifica melhoras na qualidade de vida dos brasileiros
Entre os indicadores que mais influenciaram no resultado positivo estão a melhora do acesso aos serviços financeiros e a melhora do acesso à educação.

Uma pesquisa do IBGE revelou que a qualidade de vida do brasileiro de 2008 a 2018 melhorou.
Na viagem de todos os dias entre casa e trabalho, quantas horas perdidas no transporte público? No bairro em que você mora, qual o tamanho da violência na vizinhança? E nos serviços públicos: como anda o acesso a água, luz e coleta de lixo?
“Já tivemos momentos bem piores, bem piores, bem piores. Ainda não melhorou tanto assim”, diz o estudante Abner Benedito.
Para descobrir em que condições estamos vivendo, o IBGE analisa tudo o que envolve o nosso dia a dia – são nove temas. Inclusive a renda: se as famílias têm dinheiro para todas as despesas.
E, apesar de tantas deficiências ainda no país, a comparação de duas Pesquisas de Orçamentos Familiares – a POF – mostrou que a qualidade de vida do brasileiro melhorou no período entre 2008 e 2018.
O chamado índice de desempenho econômico cresceu 12,8%. Todos os estados tiveram resultado positivo. Avançou mais em Roraima e Sergipe – onde a renda familiar por pessoa é mais baixa que a média nacional – e menos no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.
“De fato, entre 2008 e 2018, houve uma melhora de qualidade de vida do brasileiro. E depois houve uma deterioração em função do desmonte das políticas sociais todas, da crise econômica, da pandemia, uma série de outros fatores que acabaram afetando a vida das pessoas”, explica Walter Belink, economista e professor da Unicamp.
Entre os indicadores que mais influenciaram no resultado positivo estão a melhora do acesso aos serviços financeiros, que permitiu mais gente ter crédito, e a melhora do acesso à educação, que promoveu pequenas transformações. Como na vida do assistente de projetos Lucas Manso.
“Por conta da educação, eu tive como alavancar financeiramente. Com isso, eu consigo ter mais possibilidades de renda e também mais possibilidades de fazer o que eu sonho, que é impactar jovens através da educação”, diz.
O estudo mostra que a qualidade de vida melhorou para todo mundo nesse período – para ricos e para pobres. Mas um dos maiores problemas do país não mudou: a desigualdade.
O IBGE comprova isso ao comparar os dois períodos para determinar também as dificuldades que as famílias passam em busca de uma situação melhor e as consequências de viver com privações. É o chamado índice de perda de qualidade de vida.
Ao olhar para toda a população, as mulheres e as pessoas que se declaram pretas e pardas são as que tiveram as maiores perdas. Na análise por regiões, os piores resultados são de quem vive no Norte e do Nordeste.
“O resultado aponta a necessidade de a gente redesenhar políticas públicas de forma a ter uma focalização mais clara nesses grupos que são os grupos mais vulneráveis”, afirma Walter Belink.
Deu em G1

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