Saúde 21/08/2025 15:21
Há anos ouvimos que “uma taça de vinho por dia faz bem à saúde”, mas a ciência já provou que não é bem assim

Muitas vezes ouvimos dizer que “uma taça de vinho por dia faz bem à saúde”. Outras vezes, que “a quantidade diária recomendada de álcool é zero”. Afinal, quem está certo nesse debate?
As discussões sobre os benefícios e prejuízos de um alimento não se limitam às bebidas fermentadas, como vinho ou cerveja. A relação entre ovos e colesterol é um exemplo clássico, mas também há aparentes contradições em torno do consumo de café, arroz e batata.
A saúde humana tem muitas dimensões e nossa alimentação é bastante variada — mesmo dietas pouco nutritivas envolvem a ingestão de uma ampla gama de compostos, presentes nos próprios ingredientes ou adicionados a eles. Justamente por isso, estudar em detalhes o efeito de cada produto é uma tarefa complexa.
A ciência, portanto, costuma avançar de forma gradual, com uma sucessão de estudos que parecem se contradizer, mas que, na prática, apenas refinam o conhecimento. Com o acúmulo dessas pesquisas, temos hoje uma compreensão cada vez mais clara do que acontece no organismo quando consumimos álcool — mesmo que seja apenas “uma ou duas taças” de vinho.
Para entender melhor o debate, vale começar perguntando: afinal, o que o vinho tem de bom? A ideia de que ele possa trazer benefícios à saúde se baseia principalmente nos polifenóis — substâncias não nutritivas, mas com ação antioxidante.
Esses compostos, presentes nas uvas usadas na fermentação do vinho, podem ser benéficos ao organismo. O detalhe é que eles também estão disponíveis em alternativas não alcoólicas, como o suco de uva integral e a própria fruta.
Em parte por causa desses polifenóis, costuma-se atribuir ao vinho potenciais benefícios para a saúde cardiovascular. Especialistas acreditam que isso possa ocorrer porque eles ajudam a reduzir a pressão arterial e o colesterol. Ainda assim, há divergências entre os estudos sobre esse efeito.
O câncer é um dos principais riscos associados ao consumo excessivo de álcool. Diversos tipos da doença estão ligados a esse hábito: além do câncer de fígado, há evidências de relação com câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, colorretal e, no caso das mulheres, câncer de mama.
“A resposta para saber se a relação entre consumo de álcool e risco de câncer está claramente estabelecida é sim: há evidência suficiente”, afirmou Marina Pollán, diretora do Centro Nacional de Epidemiologia, em entrevista ao Science Media Centre (SMC) da Espanha. O risco, no entanto, “é proporcional à quantidade ingerida, sendo menor no consumo moderado”.
Além do câncer, o abuso de álcool é amplamente associado à cirrose hepática — que também pode evoluir para um tumor. A doença provoca cicatrizes no fígado e pode ter outras causas, como a hepatite.
Embora o consumo moderado de vinho seja frequentemente relacionado à melhora da saúde cardíaca, o álcool também pode ter o efeito oposto. Estudos ligam seu consumo a miocardiopatia alcoólica, arritmias e outros problemas no coração.
Não se pode esquecer ainda da ligação entre o álcool e questões de saúde mental, como a dependência, além da possibilidade de agravar transtornos já existentes.
Diversas pesquisas feitas nas últimas décadas apontam o álcool como a substância psicoativa mais nociva em termos sociais. Um estudo amplamente citado, realizado no Reino Unido e publicado em 2010 na The Lancet, concluiu que isso não se devia apenas ao impacto individual — nesse quesito, a heroína, o crack e a metanfetamina eram mais danosos —, mas sim ao custo social gerado.
Esses riscos, porém, costumam aparecer em casos de consumo considerado “excessivo”, diferente do “moderado” frequentemente divulgado. O problema é que, deixando de lado convenções sociais e recomendações com pouco embasamento científico, não há clareza se o consumo moderado realmente existe.
Segundo a Monografía Alcohol 2021. Consumo y Consecuencias, do Observatório Espanhol de Drogas e Adições, “não existe nível de consumo de álcool livre de risco”. Por isso, autoridades de saúde preferem falar em consumo “de baixo risco” e não “moderado”. O risco nunca é zero, mas pode ser reduzido.
E o que significa “baixo risco”? De acordo com o relatório Límites de Consumo de Bajo Riesgo de Alcohol, isso corresponde a duas Unidades de Bebida Padrão (UBP) para homens e uma para mulheres. Cada unidade equivale a 10 g de álcool, o que, no caso do vinho, representa cerca de um copo de 100 ml.
Há diferença entre dizer que o consumo moderado de álcool é compatível com uma vida saudável e afirmar que ele traga benefícios à saúde. Também não é o mesmo afirmar que o vinho possa ter um efeito positivo no bem-estar e garantir que esse possível benefício seja maior que os riscos de seu consumo — ou de outras bebidas alcoólicas.
Como vimos no início, as bebidas alcoólicas contêm inúmeros compostos: alguns prejudiciais, outros benéficos. O consenso entre especialistas é que os danos causados pelo álcool superam os possíveis benefícios de substâncias como os polifenóis.
Em resumo, uma taça de vinho por dia dificilmente será fatal, mas é importante conhecer os riscos que ela carrega. Uma alimentação equilibrada e um estilo de vida ativo podem ajudar a reduzir a probabilidade de desenvolver determinadas doenças e, quem sabe, compensar pequenos excessos aos quais nos permitimos de vez em quando.
Deu em Minha Vida

Descrição Jornalista
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