Idosos 17/06/2026 06:31
Grande ajuda: pesquisadores da UFRN pedem patente de dispositivo capaz de prever a queda em idosos

Design ergonômico e tecnologia plug-and-play permitem um uso simples e intuitivo do dispositivo, inclusive por pessoas com limitações motoras
A possibilidade de prever quedas antes que elas aconteçam, um dos maiores desafios na saúde da população idosa, começa a se tornar realidade com a invenção Sistema e método para detecção automática de risco de queda.
O dispositivo propõe uma abordagem preventiva ao monitorar oscilações corporais em tempo real, oferecendo alertas antecipados e ampliando a segurança de pacientes em situações de vulnerabilidade.
Diferentemente das tecnologias convencionais, que detectam o impacto após a ocorrência da queda, o sistema patenteado atua no estágio anterior ao evento crítico.
Baseado em sensores de alta precisão, o dispositivo analisa parâmetros e padrões de instabilidade postural para identificar sinais de risco iminente. Essa mudança de paradigma – do registro ao prognóstico – representa um avanço significativo em relação às soluções tradicionais, que se concentram, em sua maioria, na detecção reativa.
O equipamento foi projetado como um dispositivo vestível, com fixação no esterno, região localizada no tórax e próxima ao centro de massa do corpo humano.
A escolha técnica reduz interferências e ruídos de leitura comuns em dispositivos posicionados em extremidades, como os punhos. Apesar disso, a tecnologia oferece flexibilidade de uso, podendo ser fixada ou posicionada de acordo com as necessidades de cada pessoa.
“O sistema foi pensado para capturar o movimento com a maior fidelidade possível. A precisão dos dados é essencial para antecipar padrões de instabilidade”, afirma Mikael Marcos Rodrigues Costa da Silva, um dos cientistas envolvidos.
O pesquisador José Carlos Gomes da Silva demonstra o uso do dispositivo na região do tórax, o que ajuda a capturar o movimento com maior precisão. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
O pedido de patente da invenção foi depositado em fevereiro e contou com a participação, além de Mikael, de Bárbara Trindade Espois, Paulo Moreira Silva Dantas e José Carlos Gomes da Silva, em uma colaboração interdisciplinar entre os programas de pós-graduação em Educação Física e Engenharia Biomédica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Cada integrante da equipe desempenhou um papel específico no desenvolvimento da tecnologia. Mikael foi responsável pela arquitetura de hardware e pela programação de baixo nível, enquanto Bárbara conduziu a redação técnica e o design da interface.
Já José Carlos e Paulo Dantas atuaram na gestão estratégica e na articulação institucional do projeto. Essa integração de competências foi fundamental para o avanço da tecnologia.
Democratização de solução assistiva
O grupo destaca que outro diferencial da tecnologia está no design ergonômico e no conceito plug-and-play, que permite um uso simples e intuitivo, inclusive por pessoas com limitações motoras.
A estrutura externa do protótipo foi produzida por meio de impressão 3D, garantindo leveza, adaptabilidade e baixo custo de fabricação. Esses aspectos ampliam o potencial de utilização em larga escala, especialmente em contextos de saúde pública.
A relevância social da invenção se evidencia diante dos elevados índices de hospitalização decorrentes de quedas entre pessoas idosas.
Ao propor um sistema de baixo custo, baseado em hardware acessível e software proprietário, a tecnologia contribui para a democratização de soluções assistivas.
“Nosso objetivo é tornar essa tecnologia acessível, sem restringi-la a ambientes hospitalares de alto custo. Pensamos que ela pode chegar à atenção básica e às instituições de acolhimento”, destaca José Carlos.
Segundo o pesquisador, as possibilidades de aplicação da tecnologia são amplas.
Além do monitoramento clínico, o dispositivo pode atuar como ferramenta de apoio à autonomia de pessoas idosas e de pacientes com doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
A integração com sistemas de geolocalização também permite localizar indivíduos em situações de desorientação espacial, oferecendo suporte direto a familiares e cuidadores.
Dispositivo integrado a sistemas de geolocalização pode encontrar indivíduos em situações de desorientação espacial. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
Tecnologia validada avança para próxima fase
O sistema já ultrapassou a fase conceitual e conta com uma prova de conceito validada, situando-se em um estágio avançado de maturidade tecnológica.
Além disso, o registro do programa de computador responsável pela parte informática do dispositivo também foi realizado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), garantindo proteção complementar à lógica algorítmica desenvolvida. Paulo Dantas, coordenador do grupo, destaca que, do ponto de vista técnico, o sistema é capaz de realizar análises em tempo real, processando variáveis como aceleração, orientação e padrões de tremor.
Essa abordagem supera limitações de métodos anteriores que dependem exclusivamente de cálculos de aceleração após o impacto, muitas vezes sujeitos a erros ou atrasos na resposta.
Para o docente do Departamento de Educação Física, o patenteamento consolida a transformação do conhecimento científico em ativo tecnológico, validando a originalidade da solução.
Segundo Paulo Dantas, os pesquisadores seguem trabalhando no aprimoramento da tecnologia, especialmente na incorporação de algoritmos de aprendizado de máquina. O objetivo é aumentar a sensibilidade da detecção pré-impacto e otimizar o consumo energético, tornando o dispositivo ainda mais eficiente para uso contínuo.
Combinando inovação tecnológica, aplicabilidade prática e impacto social, a invenção se apresenta como uma resposta concreta a um problema crescente associado ao envelhecimento populacional.
Ao transformar dados de movimento em alertas preventivos, o sistema inaugura uma nova lógica de cuidado: mais antecipatória, inteligente e potencialmente mais eficaz na preservação da vida e da autonomia.
Deu no Portal da UFRN

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