FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Construção Civil 15/02/2026 13:00

Fim dos pedreiros? Bairro inteiro é construído por impressoras 3D gigantes, ergue casas em apenas 24 a 48 horas com concreto especial Lavacrete e usa só 3 operadores no Texas

Fim dos pedreiros? Bairro inteiro é construído por impressoras 3D gigantes, ergue casas em apenas 24 a 48 horas com concreto especial Lavacrete e usa só 3 operadores no Texas

Um bairro com casas “impressas” por robôs gigantes saiu do protótipo e virou obra em escala residencial no Texas, nos arredores de Austin, com a promessa de reduzir desperdícios e simplificar etapas tradicionais da construção.

O empreendimento, conhecido como Genesis Collection no condomínio Wolf Ranch, fica em Georgetown, a cerca de 50 quilômetros de Austin, e reúne 100 casas térreas erguidas com sistema industrial de impressão 3D, em parceria entre a construtora Lennar e a empresa de tecnologia ICON.

Embora o título que circula nas redes fale em paredes prontas em 24 a 48 horas, o acompanhamento do canteiro mostra que, nesse bairro, a etapa de impressão do conjunto de paredes pode levar semanas por casa, antes da finalização completa.

 

O que está sendo construído nos arredores de Austin

No Wolf Ranch, a impressão 3D não entrega uma casa inteira do começo ao fim, mas produz o sistema de paredes em concreto extrudado, enquanto fundação e cobertura seguem métodos convencionais adotados no mercado imobiliário norte-americano.

As casas são térreas, com três ou quatro quartos, e foram colocadas à venda em faixas que ficaram entre aproximadamente US$ 450 mil e perto de US$ 600 mil, segundo informações divulgadas durante a comercialização do projeto.

Parte do apelo está na repetibilidade do processo.

Bairro no Texas usa impressoras 3D gigantes para erguer casas com concreto especial, reduzir resíduos e acelerar a construção civil.
Bairro no Texas usa impressoras 3D gigantes para erguer casas com concreto especial, reduzir resíduos e acelerar a construção civil.

O bairro foi planejado com diferentes plantas e variações de fachada, mantendo um método produtivo semelhante que ajuda a reduzir retrabalho e padronizar a execução das paredes.

Como funciona a construção com impressoras 3D gigantes

Em vez de tijolos e argamassa aplicados manualmente, o equipamento deposita, camada a camada, um composto cimentício por meio de um bico extrusor, seguindo um percurso programado digitalmente.

Esse processo cria uma textura estriada característica do método e transforma o arquivo arquitetônico em paredes físicas com precisão automatizada.

A ICON descreve o sistema Vulcan como tecnologia de construção aditiva capaz de imprimir estruturas amplas sem necessidade de reposicionamento constante do equipamento.

Nesse fluxo, o software BuildOS atua como ponte entre projeto e obra, preparando os arquivos para impressão e comandando o hardware no canteiro com monitoramento integrado.

A promessa de operação com equipes reduzidas aparece associada às novas gerações de máquinas, que funcionam com número menor de trabalhadores em comparação aos canteiros tradicionais.

Lavacrete e resistência a furacões e eventos extremos

O material utilizado na extrusão, chamado Lavacrete, é descrito pela empresa como um concreto de alta resistência desenvolvido para fluir pela impressora e solidificar rapidamente sem perder estabilidade estrutural.

Segundo a ICON, o sistema de paredes teria superado exigências de projeto previstas em códigos de construção, ampliando a margem de segurança estrutural.

No caso de furacões, a empresa afirma que o sistema passa por ensaios padronizados e pode resistir a ventos de até 250 milhas por hora em condições de teste.

Em relação a terremotos, a companhia informa que adapta o sistema para atender requisitos regionais, inclusive demandas sísmicas, conforme a área de atuação.

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Velocidade, resíduos e limites da automação

A ideia de imprimir paredes em 24 horas ajudou a popularizar a tecnologia nos primeiros anos de divulgação do método.

No bairro do Texas, porém, o ritmo observado indica prazo mais longo para concluir a impressão por unidade, ainda que o processo possa ocorrer em paralelo a outras etapas da obra.

A redução de resíduos é um dos argumentos centrais da construção aditiva, já que a deposição segue o traçado do projeto com menos sobras comuns na alvenaria convencional.

Mesmo com automação avançada, telhados, portas, janelas, instalações elétricas e acabamentos continuam sendo executados por métodos tradicionais.

Isso significa que a impressão 3D concentra-se principalmente nas paredes, e não elimina completamente as demais fases do cronograma construtivo.

Impressão 3D e crise de moradia nos Estados Unidos

A aposta em obras automatizadas cresceu junto com o debate sobre falta de moradias no país, onde diferentes estudos apontam déficit de alguns milhões de unidades habitacionais.

Estimativas recentes colocam o déficit em torno de 3,8 milhões a quase 5 milhões de residências, dependendo da metodologia considerada.

Ainda assim, o caso do Wolf Ranch indica que, mesmo com paredes impressas, o preço final permanece alinhado ao padrão de mercado local, influenciado por fatores como terreno, regulamentação e financiamento.

No plano empresarial, a construtora envolvida já sinalizou interesse em expandir empreendimentos semelhantes, sugerindo continuidade do modelo com ajustes operacionais.

Com essa experiência, a impressão 3D entra em fase mais operacional e menos experimental, em que desempenho real, certificações e custos passam a ser avaliados com maior rigor.

Se os robôs já conseguem mudar o jeito de erguer paredes em um bairro inteiro, o que ainda falta para essa lógica virar regra na habitação e não apenas um experimento em regiões valorizadas?

Deu em CPG

 

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista