FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Crime organizado 09/03/2026 04:42

EUA devem declarar PCC e CV organizações terroristas nos próximos dias

EUA devem declarar PCC e CV organizações terroristas nos próximos dias

O governo dos Estados Unidos está prestes a anunciar uma medida que pode alterar a forma como duas das maiores  do  são tratadas internacionalmente.

A expectativa é que, nos próximos dias, o país oficialize a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.

A informação foi divulgada neste domingo (8) pelo portal UOL, que citou fontes ligadas à administração americana ou próximas a ela.

Segundo essas fontes, toda a documentação necessária para a classificação já foi finalizada dentro do Departamento de Estado dos Estados Unidos e analisada por diferentes órgãos do governo americano. Após essa avaliação interna, os setores responsáveis teriam dado sinal verde para que o processo avance.

Etapas finais do processo nos Estados Unidos

Com a análise técnica concluída, o procedimento agora entra na fase final do processo administrativo. O material foi preparado no órgão comandado pelo secretário  e deverá ser encaminhado ao Congresso americano.

Depois dessa etapa, o documento precisa ser publicado no Registro Federal, o que formaliza a decisão do governo. A previsão é que todo esse trâmite leve cerca de duas semanas para ser concluído.

Esse modelo de designação segue o mesmo padrão utilizado recentemente pelos Estados Unidos para enquadrar outras organizações criminosas da América Latina como terroristas.

Entre os exemplos estão o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela, que já passaram por procedimento semelhante.

Consequências da classificação como organização terrorista

Caso a decisão seja oficializada, as facções PCC e Comando Vermelho passarão a integrar a lista de Foreign Terrorist Organizations (FTO), uma categoria que permite ao governo americano aplicar  severas.

Entre as principais medidas previstas estão:

  • Congelamento de ativos vinculados aos grupos dentro do território ou do sistema financeiro dos Estados Unidos
  • Bloqueio de acesso ao sistema financeiro americano
  • Proibição de qualquer tipo de apoio material, incluindo fornecimento de armas ou recursos por cidadãos ou empresas dos EUA

Essas restrições também ampliam o alcance de investigações e cooperação internacional contra integrantes ou financiadores das organizações.

Reunião em Miami reforçou agenda de combate ao tráfico

O combate ao tráfico internacional de drogas tem sido tratado como prioridade pela atual administração americana. O tema esteve no centro de um encontro realizado no sábado (7), na cidade de Miami.

O evento reuniu líderes conservadores da América Latina e recebeu o nome de Shield of the Americas (Escudo das Américas).

A reunião teve como objetivo discutir estratégias de cooperação regional no enfrentamento ao  e às redes internacionais de narcotráfico.

Articulações políticas em torno da proposta

De acordo com a reportagem que revelou a informação, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado nos bastidores para estimular a classificação das facções brasileiras como grupos terroristas.

Segundo o veículo, ele teria conversado com dois presidentes latino-americanos sobre o tema: Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador. A intenção dessas conversas seria obter apoio político para a iniciativa.

Governo brasileiro se posiciona contra a medida

A possibilidade de enquadramento das facções brasileiras como organizações terroristas não é apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Autoridades brasileiras defendem que PCC e Comando Vermelho não se enquadram no conceito clássico de terrorismo. O argumento apresentado é que os grupos não possuem motivação política ou ideológica, característica normalmente associada a organizações terroristas.

Outro ponto levantado por integrantes do governo é a preocupação com possíveis impactos na soberania brasileira, especialmente diante do risco de ampliação da atuação de forças americanas em operações relacionadas ao combate ao crime organizado na região.

Deu em ContraFatos

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista