Minérios 03/04/2026 07:37
EUA avançam sobre terras raras do Brasil com acordo bilionário de US$ 565 milhões

Os Estados Unidos deram um passo relevante na disputa global por minerais estratégicos ao assegurar acesso a terras raras produzidas no Brasil.
O movimento ocorre por meio de um financiamento de US$ 565 milhões destinado à mineradora Serra Verde.
A operação foi conduzida pela U.S. International Development Finance Corporation e inclui cláusulas que permitem aos americanos influenciar diretamente o destino da produção — um mecanismo considerado inédito e que não havia sido divulgado anteriormente.
O cenário internacional tem intensificado a corrida por terras raras, e o Brasil ocupa posição estratégica nesse contexto. O país possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, embora ainda apresente produção limitada.
Atualmente, a Serra Verde opera a única mina ativa voltada exclusivamente a terras raras no território brasileiro, localizada no estado de Goiás.
A jazida de Pela Ema se destaca por conter terras raras pesadas — consideradas mais escassas e valiosas — e figura entre as poucas fontes relevantes fora da China, que domina amplamente esse mercado.
Esses minerais são essenciais para a produção de tecnologias modernas, como turbinas eólicas, veículos elétricos, eletrônicos e sistemas militares, tornando-se peças-chave tanto para a transição energética quanto para estratégias de defesa.
O acordo firmado pela DFC inclui cláusulas conhecidas como “offtake”, que asseguram prioridade de fornecimento a empresas americanas ou alinhadas aos interesses dos Estados Unidos.
Na prática, isso significa que uma parcela significativa da produção da Serra Verde poderá ser direcionada ao mercado norte-americano. Como consequência, a disponibilidade desses recursos para outros compradores — incluindo a própria China — tende a ser reduzida.
Essa iniciativa reflete uma mudança na postura de Washington, que passou a adotar uma política industrial mais ativa para garantir acesso a insumos críticos, especialmente após gargalos nas cadeias globais durante a pandemia e o aumento das tensões geopolíticas.
Além dos Estados Unidos, outros atores internacionais também estão de olho nas reservas brasileiras. A União Europeia, a Índia e a própria China já demonstraram interesse em projetos ligados a terras raras no Brasil.
A disputa ocorre em um momento de forte crescimento da demanda global, impulsionado pela eletrificação da economia, expansão das energias renováveis e avanços em tecnologias como inteligência artificial e sistemas de defesa.
Especialistas avaliam que o controle dessas cadeias produtivas pode redefinir o equilíbrio de poder global nas próximas décadas, substituindo o protagonismo histórico do petróleo por minerais críticos.
O acordo com a Serra Verde faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos. A DFC também negocia participação em empresas do setor mineral em outros países, como a Syrah Resources, produtora de grafite — outro insumo essencial para baterias.
Há ainda a possibilidade de conversão de dívida em participação acionária, o que ampliaria o controle direto dos americanos sobre ativos considerados estratégicos.
Paralelamente, instituições como o banco de exportação dos EUA avaliam financiamentos bilionários para projetos envolvendo outros minerais críticos, como o antimônio, utilizado principalmente na indústria de defesa.
Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta desafios para ampliar sua presença nesse mercado. Pelo menos meia dúzia de projetos de terras raras está em desenvolvimento, mas limitações de financiamento e infraestrutura dificultam o avanço.
Nos últimos anos, a Serra Verde chegou a redirecionar parte de sua produção — antes majoritariamente destinada à China — para compradores globais, em um movimento alinhado à diversificação de mercados.
O governo brasileiro mantém diálogo com os Estados Unidos sobre cooperação no setor, enquanto tenta equilibrar interesses econômicos com a preservação da soberania sobre seus recursos naturais.
Deu em ContraFatos

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