O café sem açúcar voltou ao centro das pesquisas de saúde, e não é por acaso. Estudos recentes mostram que a bebida mais popular do Brasil pode ir muito além de dar energia ao longo do dia.
Quando consumido de forma adequada, o café está associado à prevenção do declínio cognitivo, ao aumento da longevidade e à redução do risco de diversas doenças crônicas, efeitos que despertam o interesse de especialistas em nutrição, neurologia e medicina preventiva.
Embora o tema ainda esteja em constante investigação, o consenso atual é claro: tomar café moderadamente faz mais bem do que mal.
Por que o café sem açúcar é a melhor escolha?

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O destaque para o café preto sem açúcar não é apenas uma preferência nutricional. Por ser baixo em calorias e livre de ingredientes que prejudicam o metabolismo, ele potencializa benefícios relacionados ao emagrecimento, ao desempenho cognitivo e à saúde geral.
Somam-se a isso compostos antioxidantes naturalmente presentes no grão, que atuam como protetores celulares e reduzem processos inflamatórios.
De acordo com o neurologista Diogo Fernandes, membro da Academia Brasileira de Neurologia, o consumo moderado da bebida “é amplamente considerado benéfico para diversos marcadores de saúde”, desde que respeitado o limite diário.
Longevidade: o impacto direto do consumo equilibrado
Estudos publicados no The Journal of Nutrition sugerem que ingerir 1 a 2 xícaras de café por dia está associado a um risco menor de mortalidade em comparação com quem não consome a bebida.
Esse benefício, porém, se aplica principalmente a quem prefere o café puro, sem adição de açúcar, creme, chocolate ou gordura saturada, ingredientes comuns em receitas como cappuccinos ou mocaccinos.
Pesquisas da Johns Hopkins University reforçam que o café pode reduzir a probabilidade de morte por doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, AVC e problemas renais.
Saúde do coração e prevenção de doenças neurodegenerativas
Diversos estudos apontam que o café contribui para prevenir obstruções arteriais, favorecendo a saúde cardiovascular. Na neurologia, os resultados também chamam atenção: ingerir até duas xícaras por dia pode reduzir o risco de doença de Parkinson e auxiliar no controle dos movimentos prejudicados pela condição.
A explicação, segundo Fernandes, está no mecanismo da cafeína, que bloqueia os receptores de adenosina, molécula que diminui a atividade neural e induz o sono.
Ao impedir essa ligação, a cafeína mantém os neurônios mais ativos, melhorando o rendimento físico e cognitivo. Há também evidências de que o café pode atuar na prevenção da esclerose múltipla, segundo a médica Nancy Huang, da Comissão de Estilo de Vida da Academia Brasileira de Neurologia.
Proteção ao fígado, ao DNA e redução do risco de câncer
Pesquisas da Johns Hopkins mostram que tanto o café com cafeína quanto o descafeinado favorecem níveis saudáveis de enzimas produzidas pelo fígado, fundamentais para processos de desintoxicação e metabolismo.
Outros estudos indicam que o consumo diário pode reduzir a ruptura do DNA, mecanismo que está entre os fatores de risco para cânceres como os de mama, ovário, colorretal e sarcomas.
Café e Alzheimer: o que a ciência já sabe

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Evidências apontam que o café pode ajudar a prevenir o Alzheimer e outros tipos de demência. Mulheres acima de 65 anos que consumiam de duas a três xícaras diárias apresentaram menor risco de desenvolver declínio cognitivo.
A cafeína, segundo Huang, tem papel importante não só na proteção do cérebro, mas também na redução de doenças neuroinflamatórias.
Consumo seguro: limites e cuidados essenciais
Apesar dos benefícios, o excesso de café pode causar sintomas como ansiedade, insônia, agitação e desconforto gastrointestinal.
Estudos indicam que a ingestão segura gira em torno de 400 mg de cafeína por dia — equivalente a cerca de cinco xícaras de café. Gestantes, lactantes e pessoas sensíveis à cafeína devem buscar orientação médica ou considerar versões descafeinadas.
Outro ponto importante: ingredientes adicionados, como açúcar, chocolate ou excesso de leite, podem neutralizar parte dos benefícios.
Por isso, o café sem açúcar permanece como a opção mais saudável para quem busca aproveitar ao máximo suas propriedades.

