Mulheres 28/03/2025 14:09
Estudo com 160 mil mulheres listou marcas que a gravidez deixa no corpo meses após parto

Uma equipe do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, conduziu um dos estudos mais completos e detalhados já feitos até hoje sobre a gravidez.
Ao todo, eles analisaram amostras de sangue e urina de 160 mil mulheres com 20 a 35 anos, que, coletivamente, passaram por mais de 300 mil gestações.
Com o material, os especialistas conseguiram montar um perfil instantâneo do corpo feminino a cada semana, desde a 20ª semana anterior à concepção até o 18° mês após o nascimento do bebê. Os resultados encontrados pelos profissionais foram publicados em um artigo na revista Science Advances na última quarta-feira (26).
Como destaca a revista NewScientist, estudos anteriores que analisaram amostras coletadas em consultas de rotina, feitas uma única vez a cada trimestre, sugeriram que cerca de 20 marcadores sanguíneos eram alterados na gravidez.
Segundo essas pesquisas, os níveis de sódio e ferro estavam entre os principais afetados. As alterações poderiam permanecer na mãe até aproximadamente seis semanas após o parto.
O novo estudo, porém, voltou o seu olhar para um período mais abrangente, tanto antes quanto depois da gravidez, o que permitiu com que os investigadores identificassem mudanças em 76 marcadores sanguíneos.
Dentre eles estão os níveis de proteínas, gorduras e sais, que indicam a função do fígado, rins, sangue, músculos, ossos e sistema imunológico.
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“Fiquei sem fôlego ao ver que cada teste tem um perfil dinâmico tão elaborado”, afirma Uri Alon, líder do projeto, à revista Nature. “É incrível que ninguém tenha reparado antes essas mudanças de semana a semana”.
Com os marcadores em mãos, a equipe percebeu que cada um deles variou amplamente dos níveis pré-concepcionais durante a gravidez, antes de retornar gradualmente aos níveis pré-gestacionais.
Notavelmente, enquanto 36 dos marcadores (47%) se recuperaram dentro de um mês após o parto; outros nove (12%) demoraram de quatro a dez semanas para se estabilizarem; e, por fim, 31 (41%) levaram mais de dez semanas para retornarem ao normal.
Percebeu-se, por exemplo, que algumas alterações no fígado e no sistema imunológico levaram cerca de cinco meses para voltar aos níveis pré-gravidez. Por sua vez, vários marcadores renais demoraram quase seis meses para se recuperarem da gestação.
Além das mudanças temporárias, os especialistas perceberam que alguns marcadores nunca retornaram aos níveis normais, mesmo mais de um ano após o nascimento. Isso coloca em xeque a visão antiquada da medicina que dizia que seis ou oito semanas após o parto, o interior do corpo da mulher já estava completamente de volta ao normal.
Várias medições, incluindo marcadores para inflamação e saúde do sangue, estabilizaram, mas não retornaram aos níveis pré-concepcionais. Isso mesmo depois de 80 semanas, quando o estudo foi finalizado. “Se essas diferenças duradouras resultam da gravidez e do parto em si ou de comportamentos que mudam após a chegada de uma criança é uma questão para pesquisas futuras”, dizem os cientistas.
Mudanças antes da concepção
Os cientistas encontraram ainda mudanças distintas no corpo que começaram antes mesmo da concepção. Algumas delas, incluindo uma redução em um marcador de inflamação e aumentos no ácido fólico, foram benéficas.
Os pesquisadores atribuem isso à tendência das pessoas de tomar suplementos e viver de forma mais saudável ao tentar engravidar.
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Eles também isolaram testes de mulheres que desenvolveram complicações que atualmente não são diagnosticadas até a gravidez, como o diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia.
Com isso, descobriu-se que esses indivíduos tinham perfis diferentes para certos marcadores em comparação com testes de gestações saudáveis e, em alguns casos, os contrastes eram mais significativos antes da concepção.
Tal descoberta é animadora, à medida que aumenta a possibilidade de identificar e ajudar mulheres em risco dessas condições antes que elas engravidem.
“Nossos achados mostram o poder das informações biomédicas anônimas para revelar novos insights”, conclui Alon. “Agora estamos adotando uma abordagem semelhante a essa para estudar outro problema enfrentado pelas mulheres, a menopausa”.

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