Comportamento 21/12/2020 07:36
Escândalo – Polícia e Vaticano investigam acusação de assédio e abuso sexual contra arcebispo de Belém
Quatro ex-integrantes do Seminário São Pio X formalizaram denúncia ao Ministério Público em agosto deste ano acusando Dom Alberto Taveira Corrêa de usar suposta terapia para curar homossexualismo como pretexto para tocar seus corpos nus e promover abusos como testes à ‘tentação’ do sexo

Um escândalo silencioso ronda as missas nas numerosas e sempre cheias igrejas de Belém, uma capital católica — de acordo com o último censo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, 860.000 do 1,39 milhão de habitantes da cidade declaravam-se dessa religião — onde anualmente acontece o Círio de Nazaré, procissão religiosa que é uma das maiores manifestações de fé cristã do mundo com a participação de milhões de pessoas do Brasil inteiro.
Em agosto passado, quatro ex-estudantes do tradicional Seminário São Pio X, em Ananindeua, na região metropolitana da capital do Pará, formalizaram no Ministério Público acusações de assédio e abuso sexual contra o arcebispo metropolitano, Dom Alberto Taveira Corrêa.
Os fatos narrados aos promotores, que pediram à Polícia Civil a abertura de um inquérito que corre sob segredo de Justiça, teriam acontecido há pelo menos seis anos atrás, em 2014 – e também em anos anteriores —, enquanto os jovens estudavam para tornarem-se padres ou estavam em processo de desligamento do seminário.
Todos tinham entre 15 e 20 anos de idade quando os fatos narrados por eles teriam acontecido. A denúncia também foi encaminhada internamente na Igreja Católica.
Uma missão apostólica, espécie de comissão de investigação prevista dentro do Direito Canônico, esteve em Belém neste semestre, a mando do Vaticano e ouviu todos os envolvidos, mas até o momento nenhuma conclusão foi tornada pública.
O EL PAÍS entrevistou na semana passada na capital Belém dois dos quatro denunciantes. Um deles, que não quis se identificar e chamaremos de A., hoje com 26 anos, conta que começou a ser assediado pelo arcebispo com 15 anos de idade, ainda antes de entrar para o seminário, e foi abusado sexualmente quando estava com 18, em meio a um processo de expulsão do grupo de estudantes e à suposta ameaça da autoridade máxima da Igreja no local de “contar tudo” para a família dele.
O outro, que chamaremos de B., tem 28 anos atualmente, e diz que começou a ser assediado pelo padre com 20 anos, mas conseguiu afastar-se dele antes de sofrer abusos físicos.
A reportagem também teve acesso ao teor do que foi contado na denúncia pelos outros dois jovens. Um deles, a quem chamaremos de C., com 16 anos na época dos fatos narrados, foi quem dos quatro teria sofrido as piores violências, ficou traumatizado e chegou a tentar tirar a própria vida após deixar o seminário.
As histórias que os quatro denunciantes contam descrevem um comportamento metódico do arcebispo para identificar jovens tidos como homossexuais por ele (com ou sem razão), ganhar a confiança deles como uma figura paterna, atrair para sua casa com o pretexto de ajudá-los a se livrar de sua homossexualidade, assediar e por fim cometer os abusos, passo a passo.
Procurado pela reportagem, Dom Alberto Taveira Corrêa preferiu não conceder uma entrevista sobre o caso.
Em resposta, a arquidiocese indicou um vídeo e nota divulgados pelo arcebispo sobre o assunto no início do mês, antes das e investigações contra ele serem de conhecimento geral na cidade. Durante uma missa na Basílica no início de dezembro, Dom Alberto surpreendeu os fiéis presentes ao tomar a palavra e falar sobre o caso, ainda que de forma velada.
“Deus me deu coragem para furar o olho do escândalo, o escândalo que estava sendo montado e Deus nos deu a graça de passar na frente”, afirmou na ocasião.
“Se alguém por ventura, por ação do demônio, pensasse em acabar com a Igreja Católica e a Igreja de Belém, enganou-se radicalmente”, disse sob aplausos.
Com A., teria sido pior.
Após também ser ameaçado de expulsão do seminário por conta de um envolvimento amoroso com um colega e ter passado por diversas sessões de assédio com o arcebispo como as descritas acima, ele teria sido chantageado por Corrêa para aceitar abusos sexuais quando demonstrou resistência às investidas.
“Ele disse que ia contar do meu caso no seminário para minha família”, diz. Fora isso Corrêa teria prometido reintegrá-lo, o que o jovem A. afirma que aconteceu após ceder às investidas da autoridade religiosa. Reunia-se a sós com o religioso em seu escritório e quarto, e conta que dentre os métodos utilizados pelo arcebispo durante as sessões de orientação espiritual estava a obrigação de ficarem pelados juntos, olhando um para o corpo do outro como forma de “resistir às tentações”.
“Outra coisa comum era a reza junto ao corpo. Ele chegava junto de você, se roçando, e fazia uma reza em algum lugar do seu corpo nu… teve vez que era no rosto e achei que ele ia me beijar”, afirma B.. “Tive que pegar nele e masturbá-lo, ele pegava no meu pênis e tentava fazer com que eu tivesse uma ereção… Outra coisa é que ele ficava nervoso quando você não conseguia, brigava, dava bronca, mas sempre com esse papo do tratamento, do estamos tentando te salvar… A cada sessão, ele ficava mais agressivo e violento, dizia coisas horríveis, lembrava de fatos passados para te humilhar, dizia que você não estava progredindo, dizia coisas horrorosas para você, que você era uma pessoa horrível, era aterrorizante”.
Deu em El País

Descrição Jornalista
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