25/07/2019 09:10
“Era questão de honra”, diz delegado da PF sobre prisão dos hackers
O vice-presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal, Luciano Soares Leiro, classificou como uma questão de honra a operação que resultou na prisão dos quatro suspeitos de hackear o celular do ministro Sérgio Moro e de outras autoridades.

O vice-presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal, Luciano Soares Leiro, classificou como uma questão de honra a operação que resultou na prisão dos quatro suspeitos de hackear o celular do ministro Sérgio Moro e de outras autoridades.
“A palavra certa é essa ousadia, porque se você tem um aparato de persecução penal e esse aparato é invadido por aqueles que deveriam estar sendo investigados, então isso é realmente uma questão de honra. E é por isso que nós estamos com todos os esforços possíveis para poder fazer essa apuração”, disse, em entrevista ao CB.Poder, uma parceira entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
Leiro também comentou sobre os supostos diálogos entre o então juiz Sérgio Moro e integrantes da Operação Lava-Jato. Ele disse não enxergar irregularidade nas mensagens. “Você deve evitar esse tipo de contato, mas é normal e acontece”, frisou.
Segundo ele, as conversas não comprometem a validade da operação. “Tudo que foi investigado na Lava-Jato já passou por várias instâncias e todas referendaram em sua quase totalidade.
A operação não é só o ministro Sérgio Moro e o procurador Dallagnol (Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba), é todo um arcabouço que está validado. Acredito muito nas provas que foram colhidas, porque foram ratificadas, são robustas e ninguém fabricou o que foi apurado.”
Sobre a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de suspender todos os processos baseados em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), compartilhados sem autorização judicial, Leiro considerou os danos.
“Se essa decisão for extensiva, realmente o prejuízo é gigantesco, podendo colocar o Brasil como um paraíso para a lavagem de dinheiro do crime organizado. Sem o Coaf, vai se tornar muito difícil obter informações para identificar indícios de lavagem de dinheiro”, ressaltou.
Ele defendeu que decisões com essa magnitude deveriam ser tomadas pelo plenário, por gerar insegurança jurídica.
Deu no Correio Braziliense

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