Consumidor 28/01/2023 09:28
Empresa cria “Pix internacional” com tarifa menor que a do cartão
Plataforma permite que brasileiros paguem em real, fora do país, com taxa menor do que a cobrada no cartão de crédito; veja como funciona

Lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central (BC) e rapidamente popularizado em todo o Brasil, o Pix começou a ganhar o mundo.
Em novembro de 2022, exatos dois anos após o surgimento do sistema instantâneo de pagamentos e transferências financeiras, a Agillitas, instituição de pagamentos do Banco Rendimento, lançou o Rendix, que funciona como uma espécie de “Pix internacional”.
A nova plataforma, autorizada pelo BC, facilitou a vida dos brasileiros que vão ao exterior e, até então, não conseguiam fazer compras por meio do Pix fora do país. Agora, basta encontrar uma loja ou estabelecimento comercial que tenha aderido ao Rendix para efetuar o pagamento de forma instantânea, como ocorre no Brasil.
Com o novo sistema, os lojistas emitem um QR Code, por meio do qual o consumidor faz o pagamento. Uma das maiores vantagens da plataforma é que, em vez dos 6,38% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas compras no cartão de crédito em moeda estrangeira, a alíquota cobrada é de apenas 0,38% por transferência.
Outro motivo de alívio para os clientes é que, ao contrário das taxas de câmbio cobradas pelos cartões no dia de fechamento da fatura, o Rendix processa o câmbio do momento da compra. O consumidor é informado na hora, com uma mensagem eletrônica, sobre a taxa que está pagando naquela transação internacional.
“A vantagem para o lojista é que ele não tem nenhuma taxa de desconto associada a essa operação, não tem as taxas de maquininha que vemos por aqui. Então, ele tem o interesse de oferecer o meio de pagamento para o cliente. Uma outra vantagem é que o lojista não fica preso ao limite do cartão do consumidor”, afirma o CEO da Agillitas, Henrique Capdeville, em entrevista ao Metrópoles.
“O consumidor digita o seu CPF, nós pegamos esse CPF do portador e fazemos algumas validações regulatórias que são importantes”, explica Capdeville. “No momento de pagar, o cliente abre o aplicativo do seu banco. Pode ser qualquer banco brasileiro que opere o Pix. Ele lê o QR Code, faz a transferência e essa transação, em um primeiro momento, ocorre em reais. Esse cliente manda o dinheiro para a Agillitas e nós fazemos uma operação de câmbio que tem como beneficiário o lojista no exterior.”
O Rendix foi criado como uma plataforma de serviço eFX (Electronic Foreign Exchange ou transferência internacional eletrônica, na tradução para o português). A categoria engloba os serviços de pagamentos ou transferências internacionais operados digitalmente e devidamente regulamentados pelo BC.
“Disponibilizamos ao vendedor uma plataforma web, que não exige qualquer tipo de integração do lado do lojista. Não é um arranjo de pagamento lá fora, não somos Visa ou Mastercard. É apenas uma forma de o nosso cliente aceitar o pagamento em dinheiro em outra divisa, que é o real”, detalha Capdeville.
Até o momento, segundo a Agillitas, cerca de 30 estabelecimentos comerciais no exterior utilizam o Rendix, a maioria localizada na América Latina. O modelo tem sido cada vez mais usado, principalmente, em cidades em que há forte presença de turistas brasileiros, como Buenos Aires e Bariloche (Argentina), Punta Del Este (Uruguai) e Ciudad Del Este (Paraguai).
Também há lojas e departamentos comerciais que já usam o Rendix na França, em Portugal e nos Estados Unidos. Até no Catar, no fim do ano passado, foi possível comprar produtos e ingressos para alguns jogos e eventos relacionados à Copa do Mundo por meio do Pix.
“Quem viaja com frequência para outros países sabe que não se encontra tão facilmente cotações em real. É sempre necessário converter para uma moeda como dólar ou euro para fazer as transações, mesmo nas casas de câmbio. Com esse produto, nós conseguimos expandir o real como uma divisa de uso internacional”, diz o CEO da Agillitas.
Deu em Metrópoles

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