Saúde 24/11/2025 08:14
“Dr. Google”: conheça a cybercondria, a busca compulsiva por informações sobre saúde na internet

Ontem fui ao médico. Me mandaram fazer alguns exames e só darão os resultados em um mês. Socorro! Não consigo esperar. Não saber se posso ter “algo de errado” está me consumindo por dentro. Talvez o Google, o ChatGPT ou o Twitter possam me ajudar.
Esta história poderia ser a de qualquer pessoa: uma vizinha, um amigo ou você mesmo.
É muito comum quando nos deparamos com listas de espera intermináveis por consultas, dificuldades de acesso a especialistas, linguagem técnica incompreensível, atendimento apressado ou experiências negativas anteriores com o sistema de saúde. O que começa como uma busca inocente acaba em um mar de diagnósticos possíveis e angústia crescente.
A busca repetida por informações sobre saúde na internet que, em vez de tranquilizar, dispara a ansiedade é chamada de cybercondria. Quanto mais buscamos, mais ansiedade sentimos; e quanto mais ansiedade, mais buscamos. Um círculo vicioso que pode até agravar problemas de saúde já existentes e impactar a vida cotidiana.
Assim, a obsessão por verificar sintomas pode levar a pessoa a negligenciar trabalho, estudos ou as relações pessoais.
A vida cotidiana perde prioridade diante da busca compulsiva por informações.
Este termo apareceu em artigos jornalísticos no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, quando se falava com tom alarmista sobre os riscos da internet.
Um ponto de inflexão ocorreu em 2009, quando os pesquisadores da Microsoft Ryen White e Eric Horvitz demonstraram que as pesquisas sobre saúde podiam intensificar as preocupações pessoais e incentivar o autodiagnóstico. Desde então, a investigação científica começou a levar este fenómeno a sério.
A pandemia da COVID-19,por sua vez, deu um grande impulso à cybercondria. A incerteza, o bombardeio de informações e o uso intensivo da internet foram o terreno ideal para que ela crescesse.
O que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou de “infodemia” (um excesso de informação, parte confiável e parte não, que dificulta encontrar fontes seguras quando necessário) disparou a ansiedade, enfraqueceu a confiança nas instituições e favoreceu comportamentos como automedicação, recusa de vacinas ou compras compulsivas por pânico.
Hoje, milhões de pessoas recorrem à internet para entender seus sintomas ou o que acreditam ter, especialmente os jovens. O problema é que nem sempre distinguem entre o que é informação confiável e o que é enganoso, algo que pode afetar sua saúde física e psicológica.
Vários elementos podem nos ajudar a entender se estamos caindo nesse ciclo ou em outros problemas de saúde relacionados:
Não exatamente. A OMS reconhece os grandes benefícios da saúde digital, como a telemedicina, os chatbots ou as mensagens via celulares, que podem salvar milhões de vidas.
Mas é fundamental entender que a rede não tem todas as respostas em matéria de saúde. Mais dados nem sempre significam mais compreensão, e recorrer ao “Dr. Google” para se autodiagnosticar pode aumentar a ansiedade e favorecer a cybercondria.
O segredo está em aprender a navegar de forma crítica com as seguintes diretrizes:
O que podemos fazer, concretamente, para lidar com a enorme quantidade de dados sobre saúde que circulam na internet? Uma estratégia fundamental é fortalecer o letramento em saúde e, especificamente, em saúde eletrônica. Isso significa desenvolver habilidades críticas para pesquisar, selecionar, avaliar e utilizar as informações disponíveis online.
A ideia é não aceitar tudo o que encontramos sem questionar, mas parar para refletir. Um bom recurso é sempre fazer perguntas que nos ajudem a distinguir se a informação é realmente útil e segura. Aqui vão algumas:
Em definitivo, a internet pode ser uma grande aliada para nos informar, mas também uma faca de dois gumes. A cibercondria nos lembra que, na era digital, o pensamento crítico é tão necessário quanto qualquer medicamento para aprender a navegar com segurança neste oceano de informações.

Descrição Jornalista
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