Consumidor 11/01/2026 13:55
Dono de carro elétrico revela as nove coisas que gostaria de ter sabido antes de comprar

O analista Philip Berne relata nove desafios técnicos e operacionais enfrentados após trocar um veículo a combustão por um carro elétrico modelo Kia EV6, destacando impactos na rotina, variabilidade de custos de recarga e a necessidade de manutenção preventiva das baterias.
A transição de veículos a gasolina para modelos elétricos exige uma compreensão técnica aprofundada sobre os níveis de carregamento disponíveis. Essa mudança altera radicalmente a rotina do motorista, pois o tempo necessário para atingir a carga total da bateria depende diretamente da voltagem da fonte de energia utilizada.
Proprietários que não possuem a possibilidade de estacionar em frente às suas residências enfrentam dificuldades para instalar tomadas de Nível Dois. Este equipamento é considerado essencial para a rotina diária, pois permite o carregamento completo da bateria durante o período noturno, em um intervalo aproximado de oito horas.
Na ausência dessa infraestrutura dedicada, o motorista torna-se dependente de cabos carregadores de Nível Um. Estes equipamentos utilizam tomadas domésticas padrão de três pinos. A desvantagem técnica é significativa, pois o processo para atingir a carga total da bateria pode levar dias, inviabilizando o uso contínuo do veículo.
A alternativa para recargas rápidas reside nos carregadores públicos de Nível Três, encontrados em áreas de descanso. Estes equipamentos de alta potência conseguem elevar o nível da bateria para 80% em apenas 20 minutos. Contudo, a conveniência acarreta um aumento substancial no custo operacional por quilômetro rodado.
A tarifação nesses pontos é baseada no quilowatt-hora consumido. Berne relata que seu veículo possui uma bateria de 77,4 kWh. Ao pagar US$ 0,50 por unidade de energia, o custo total atinge US$ 38,70 para percorrer uma distância estimada de 480 quilômetros.
Esse valor equipara-se ao gasto com gasolina a US$ 4 por galão, anulando a economia esperada. A redução real de custos só ocorre com o carregamento residencial, onde a tarifa é de US$ 0,13 por kWh. Portanto, a dependência exclusiva de carregadores rápidos elimina a vantagem financeira do carro elétrico.
Além dos custos, a compatibilidade física dos equipamentos requer atenção. A indústria automotiva utiliza diferentes padrões de conexão. O modelo Kia EV6 de 2022 utiliza a porta J1772, mas o setor está em transição para o padrão NACS da Tesla. Modelos mais recentes já adotam essa nova entrada universal.
A eficiência no uso de um veículo elétrico depende de estratégias de carregamento que diferem da lógica de abastecimento de combustíveis fósseis. Insistir no carregamento até 100% em paradas públicas configura uma perda de tempo operacional, devido à curva de desaceleração da carga.
Os sistemas de gerenciamento de bateria são programados para receber energia rapidamente até atingirem 80% da capacidade. Após esse marco, a velocidade de carregamento é drasticamente reduzida para proteger a integridade química dos componentes e prolongar a vida útil da bateria do veículo.
Em viagens longas, a estratégia mais eficiente consiste em carregar até 80% e retomar a estrada imediatamente. Berne destaca que seu Kia atinge essa marca em 20 minutos. Esperar pelos 20% restantes exigiria outros 20 minutos parados, tempo suficiente para percorrer centenas de quilômetros adicionais.
A precisão da autonomia estimada pelo painel do veículo varia conforme as condições ambientais. Em dias de sol e clima quente, a projeção de quilometragem é confiável. O tráfego intenso urbano não prejudica a autonomia, pois o sistema de frenagem regenerativa recupera energia durante as paradas.
No entanto, o uso intenso de sistemas eletrônicos internos e do ar-condicionado eleva o consumo de energia. A situação torna-se crítica em regiões de clima frio. As baixas temperaturas afetam as reações químicas internas da bateria, resultando em uma queda perceptível no desempenho e na autonomia disponível.
Para mitigar os efeitos do frio, recomenda-se estacionar o veículo em garagens aquecidas. Alguns modelos oferecem a funcionalidade de pré-condicionamento da bateria. Esse recurso permite aquecer o sistema antes do início da viagem, garantindo que o veículo opere em condições térmicas ideais desde a partida.
A ausência de um motor a combustão tradicional libera espaço físico no veículo, criando compartimentos extras de carga, conhecidos como “frunks”. Apesar desse volume adicional, a maioria dos veículos elétricos modernos elimina o pneu sobressalente para reduzir o peso total e acomodar o conjunto de baterias.
Essa decisão de engenharia implica que, em caso de furo no pneu, o motorista não poderá realizar a troca imediata. A solução resume-se a acionar um serviço de guincho. Para condutores acostumados a realizar a manutenção básica de troca de pneus, essa característica exige uma nova postura de cautela.
Outro ponto crítico é a manutenção dos pneus rodantes. O torque instantâneo fornecido pelo motor elétrico permite acelerações superiores às de veículos a gasolina. Essa força, somada ao peso elevado das baterias, acelera significativamente o desgaste da borracha em contato com o solo.
Berne alerta que a condução em alta velocidade consome a bateria rapidamente e destrói os pneus. Sem um estepe no porta-malas, o monitoramento constante da integridade dos pneus é vital. O rodízio regular deve ser realizado com frequência para garantir um desgaste uniforme e evitar trocas prematuras e dispendiosas.
Apesar de possuir menos peças móveis que um carro tradicional, o veículo elétrico mantém componentes legados essenciais. O sistema conta com duas baterias: a principal de alta voltagem para tração e uma bateria menor de 12V localizada na frente, responsável pelos componentes eletrônicos.
A bateria de 12V alimenta sistemas vitais, incluindo o motor de arranque e o gerenciamento de carregamento. Se essa bateria descarregar, o carro não liga e não aceita carga na bateria principal. Por isso, descartar os cabos de lgaçao é um erro grave que pode deixar o motorista imobilizado.
A dependência da infraestrutura pública de carregamento obriga o motorista a gerenciar um ecossistema complexo de aplicativos móveis. Nos Estados Unidos, os pontos de recarga são administrados por diversas organizações independentes, cada uma exigindo seu próprio software para acesso e pagamento.
O usuário deve estar preparado para manter múltiplos aplicativos instalados no celular, gerenciando diferentes logins e tarifas. A fragmentação do serviço exige um planejamento prévio para evitar a inviabilidade de recarga em momentos críticos durante o deslocamento.
Para contornar a incerteza sobre a disponibilidade dos pontos, recomenda-se o uso de agregadores de informações, como o PlugShare. Este aplicativo funciona como uma base de dados colaborativa onde usuários relatam o status real de funcionamento das estacões de carregamento.
Através dessa ferramenta, é possível verificar antecipadamente se uma tomada está operacional, qual a velocidade de carregamento oferecida e o custo exato da energia. Essa verificação evita deslocamentos desnecessários até pontos defeituosos ou incompatíveis com o veículo.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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