Consumidor 13/05/2021 09:50
Desvendada rede de 200.000 pessoas que publicavam resenhas falsas na Amazon em troca de produtos grátis
Vazamento de uma base de dados na Internet expôs a trama de pessoas que publicavam comentários com avaliações falsas de produtos da Amazon em troca de mercadorias

Um vazamento de um banco de dados online expôs uma rede formada por mais de 200.000 pessoas que publicavam comentários com avaliações falsas de produtos na Amazon em troca de receber mercadorias grátis, de acordo com informações do site SafetyDetectives.
A base de dados ficou exposta entre 1º e 6 de março de 2021, quando seus provedores, ainda desconhecidos, voltaram a protegê-la e torná-la inacessível.
Entre as informações vazadas estão endereços de e-mail, bem como números de telefone de onde eram enviadas mensagens do WhatsApp e do Telegram, no caso dos vendedores.
No caso das pessoas que publicaram as avaliações, entre os dados tornados públicos estão suas contas da Amazon e os e-mails que aparecem nas contas de Paypal.
O caso deixa clara (mais uma vez) a existência de um mercado de resenhas falsas, “muito grande e muito ativo”, nas palavras de Davide Proserpio, professor assistente de marketing da Universidade do Sul da Califórnia.
As informações encontradas mostram um procedimento comum.
Os vendedores enviam aos resenhistas uma lista de artigos. As pessoas que dão essa pontuação compram supostamente os produtos e deixam uma avaliação de 5 estrelas na Amazon alguns dias depois do recebimento da mercadoria.
Uma vez finalizada a compra, o provedor da resenha falsa enviará uma mensagem ao vendedor com um link para o seu perfil da Amazon e seus dados de PayPal.
Assim que o vendedor confirmar que todas as resenhas foram concluídas, o resenhista receberá um reembolso nesta plataforma de pagamento, relata o SafetyDetectives.
Dessa forma, poderá manter gratuitamente os itens comprados.
É importante não utilizar a plataforma da Amazon para esses reembolsos, pois isso faz com que a avaliação pareça legítima e não desperte a suspeita dos moderadores.
Uma análise feita em 2018 pelo jornal The Washington Post indicou que em algumas categorias populares, como a de fones de ouvido e caixas-acústicas com bluetooth, a maioria das resenhas parecia paga.
Outro estudo, publicado em 2019 pela Organização de Consumidores e Usuários (OCU), indicava que 8,4% dos produtos vendidos na Amazon tinham uma “pontuação afetada de modo significativo por opiniões interessadas”.
O próprio Davide Proserpio conduziu um estudo no ano passado com outros pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia que concluiu que uma ampla gama de produtos na Amazon tem resenhas falsas compradas no Facebook. Entre eles, alguns com muitas opiniões e notas médias altas.
Esses autores indicam que avaliações falsas geralmente causam um “aumento significativo” na nota média de um produto. E também um crescimento no número de vendas.
Mas o efeito é temporário: desaparece depois de cerca de um mês.
Deu em EL País

Descrição Jornalista
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