O Carnaval de Natal promovido pela Prefeitura por meio da Secretaria de Cultura e Fundação Capitania das Artes (Funcarte) encerrou ontem, em grande estilo, com o maior desfile de escolas de samba da história da cidade.
Foram mais de 6 mil pessoas presentes ao bairro da Ribeira para assistirem às sete agremiações carnavalescas da série principal.
Uma estrutura nunca vista na noite de desfiles do Carnaval de Natal foi montada ao longo da avenida Duque de Caxias. Duas arquibancadas acomodaram mais de mil pessoas. E outras milhares se aglomeraram ao longo da avenida para prestigiar o quase centenário desfile das escolas de samba, iniciado em 1930.
Entre as arquibancadas foram montadas ilhas para abrigar equipes de cobertura, área destinada ao público PCD, o palanque municipal e outro espaço para a comissão de jurados. Dois painéis de LED também foram instalados junto às estruturas para transmissão do desfile.
A secretária municipal de Cultura, Iracy Azevedo, comemorou o sucesso do carnaval da cidade.
“Mais de um milhão de pessoas prestigiou nossas atrações. E finalizamos o festejo mantendo a tradição dos desfiles com uma presença maciça de público, organização, sem qualquer tipo de ocorrência e abrilhantado pelos desfiles maravilhosos das escolas”, celebrou.
A aposentada Maria das Dores, de 85 anos, prestigia a noite de desfiles há 30 anos. “Não deixo de vir. E este ano está ainda melhor, mais confortável”, disse, ao lado da filha e netos. Quem também levou a família e até o primo de seis meses foi a dona de casa Iara Soares.
“A família toda adora o desfile, adora samba. E aqui uns torcem pela Acadêmicos do Morro, outras pela Balanço do Morro. Mas tudo sem briga”, brincou.
A apuração do resultado do desfile das escolas de samba de Natal será realizada nesta quarta-feira (25), na sede da Funcarte.
O desfile
Quem abriu o desfile foi a mais nova agremiação da Série A, a Batuque Ancestral, vencedora do Grupo B em 2025. Com oito anos de avenida, manteve a temática relacionada às tradições afroancestrais com o tema “Kemet: afrocentricidade e conhecimento, batuque é luta contra o apagamento”.
Na sequência, o bairro do Alecrim foi representado pela Águia Dourada, buscando novamente o título conquistado em 2020. Na avenida, o tema “No fim a festa começa: a morte vira alegria”, abordou a forma como diferentes sociedades enxergam a morte.
A terceira escola a alegrar a noite na Ribeira foi a Acadêmicos do Morro, fundada em Mãe Luíza 30 anos atrás. Após pedido de um minuto de silêncio em homenagem a uma das fundadoras da escola, Erides Santana, a agremiação levou um pouco do sertão norte-rio-grandense pelo recorte da história do município de Messias Targino, “O diamante da Cultura Potiguar”.
Outro município potiguar foi homenageado na sequência. “Ielmo Marinho: coração verde do meu Potengi” foi o enredo da escola Asas de Ouro, representante da Zona Norte de Natal na avenida, fundada em 2012 no conjunto Nova Natal e desde o ano seguinte presente na Série A do carnaval natalense.
A representação da tradição das escolas de samba de Natal veio em seguida. A Balanço do Morro celebrou 60 anos da fundação, de um tempo em que as Rocas era berço e celeiro dos maiores sambistas da história de Natal, como mestre Lucarino, nome histórico da agremiação.
Em busca do 29° título, a escola campeã em 2023 e 2024 contou a história do circo em samba-enredo com o tema “Sob a lona do tempo, sou o riso dessa gente!”.
Única escola fora da capital, a Império do Vale representou a Grande Natal, fundada em Ceará-Mirim em 1992 e há três anos na Série A do carnaval, homenageou o legado de Leonor Soares, educadora e vereadora de Ceará-Mirim.
A escola mais antiga, atual campeã e com maior número de títulos do carnaval de Natal, a Malandros do Samba do saudoso mestre Melé, entrou na avenida às 4h20 ainda com público presente para mesclar o samba e o forró com o pomposo tema “Quando o samba acende a fogueira, a Malandros celebra os 28 anos do Arraial Coração Nordestino, que não para de pulsar” na tentativa do 38° título.
O ritual simbólico das Tribos Indígenas será realizado de forma especial este ano na rótula da Avenida da Alegria, na Redinha, a partir das 17h, como expressão cultural associada ao período.


