Descubra em qual idade o seu corpo começa a perder força - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Atividades físicas 19/10/2026 08:03

Descubra em qual idade o seu corpo começa a perder força

Descubra em qual idade o seu corpo começa a perder força

Mas, afinal, quando o corpo realmente começa a perder força? Foi essa dúvida que um estudo sueco tentou responder e, para isso, acompanhou o mesmo grupo de mais de 400 pessoas por 47 anos.

A pesquisa, publicada em 2025 no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, fez avaliações sobre aptidão aeróbica, resistência e força musculares dos participantes e conseguiu um padrão consistente. Segundo os pesquisadores, o pico de desempenho muscular acontece entre 26 e 36 anos, mas o declínio da força começa aos 35

Quando cientistas querem estudar questões que envolvem o envelhecimento, a forma mais comum de pesquisa é reunir pessoas de diferentes idades e compará-las. O problema com esse método, no entanto, é que as capacidades físicas variam muito de pessoa para pessoa, dependendo do estilo de vida e até mesmo da genética.

Para eliminar esse fator, pesquisadores do Instituto Karolinska acompanharam um grupo de 427 pessoas por 47 anos. Entre homens e mulheres, foram escolhidas aleatoriamente pessoas que nasceram em 1958. Elas passaram por avaliações físicas dos 16 aos 63 anos.

Resultados consistentes

As avaliações dos participantes passavam por três grandes áreas: aptidão aeróbica, resistência muscular e força muscular. A aptidão aeróbica é medida como a eficiência com que o corpo utiliza o oxigênio durante um exercício.

Já a resistência muscular analisa por quanto tempo os músculos conseguem trabalhar continuamente, enquanto a força envolve movimentos rápidos, como saltar, subir escadas e manter a mobilidade.

Em homens e mulheres, o declínio inicial dessas capacidades foi pequeno, mas progrediu rapidamente ao longo do tempo. Na última medição, aos 63 anos, o desempenho médio em todas as medições havia caído cerca de 30 a 48% em relação aos níveis máximos.

O motivo dessa queda ainda é investigado, mas uma das principais explicações envolve processos biológicos dentro das próprias células. Com o envelhecimento, essas estruturas passam a produzir menos energia do que já fizeram no passado, e a principal contribuinte para isso são as mitocôndrias.

Mitocôndrias são estruturas minúsculas que ficam dentro de todas as células do corpo humano e são responsáveis pela respiração celular. Diferente da respiração humana, que transforma oxigênio em gás carbônico, a respiração celular transforma nutrientes em energia utilizável dentro da própria célula.

Essa energia é utilizada para contração muscular, por exemplo, nas células musculares. Uma dessas contrações são os batimentos cardíacos. Em outras partes do corpo, a energia também serve para transportar substâncias, dar impulsos elétricos no cérebro e produzir proteínas.

Perda é definitiva, mas pode ser controlada

Uma das maiores surpresas para os pesquisadores foi o fato de que a atividade física regular não impediu completamente o declínio muscular associado ao envelhecimento. Ou seja, mesmo pessoas que se exercitaram durante toda a vida ainda sofrem diminuição do desempenho físico ao longo do tempo.

Isso não significa, no entanto, que o exercício físico não ajude em nada. O estudo comprova que manter-se ativo fez diferença na forma em que as pessoas mantiveram suas habilidades motoras.

“Nosso estudo mostra que a atividade física pode retardar o declínio do desempenho, mesmo que não consiga impedi-lo completamente”, afirma Maria Westerståhl, professora do Departamento de Medicina Laboratorial e autora principal do estudo, em comunicado.

Dos participantes, aqueles que começaram a se exercitar já na fase adulta e se mantiveram assim durante os anos apresentaram melhorias na capacidade física de 5 a 10%. Já os que faziam atividade física desde a adolescência também tendem a conseguir melhor o condicionamento físico, mesmo na velhice.

O estudo ainda deve continuar, e os pesquisadores já estão planejando outra rodada de avaliações quando os participantes atingirem 68 anos.

“Agora, vamos investigar os mecanismos que explicam por que todos atingem seu pico de desempenho aos 35 anos e por que a atividade física pode retardar a perda de desempenho, mas não a interrompe completamente”, explica a professora.

Maria Westerståhl também incentiva: “nunca é tarde demais para começar a se movimentar”. Afinal, até mesmo uma simples caminhada já ajuda idosos a envelhecerem melhor, com mais qualidade de vida.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
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