FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Minérios 04/04/2026 13:07

Depósito de ouro avaliado em R$ 770 bilhões é descoberto nos Andes

Depósito de ouro avaliado em R$ 770 bilhões é descoberto nos Andes

Uma nova avaliação geológica revelou a existência de um dos maiores depósitos minerais das últimas décadas na Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Chile e Argentina.

distrito mineral de Vicuña, que reúne os projetos Filo del Sol e Josemaría, concentra grandes reservas de cobre, ouro e prata, despertando o interesse da indústria global de mineração e de governos atentos à demanda por metais estratégicos.

Os dados foram divulgados pelas mineradoras BHP e Lundin Mining, responsáveis pelos projetos por meio de uma joint venture.

Segundo as estimativas mais recentes, a região pode abrigar cerca de 13 milhões de toneladas de cobre, além de aproximadamente 32 milhões de onças de ouro, avaliadas em cerca de R$ 770 bilhões, e 659 milhões de onças de prata, com valor estimado em R$ 247,5 bilhões.

As projeções são resultado de centenas de novas perfurações realizadas nos últimos anos. As análises indicaram que as mineralizações são mais profundas e extensas do que se supunha inicialmente, ampliando o potencial econômico do complexo.

Ainda assim, as empresas ressaltam que a dimensão exata das reservas dependerá de estudos adicionais e do avanço das etapas de desenvolvimento.

O projeto vem sendo tratado como estratégico, especialmente por causa do cobre, principal recurso identificado no local. O metal é considerado essencial para tecnologias ligadas à eletrificação, como veículos elétricos, sistemas de energia renovável e redes de transmissão.

Nesse contexto, o distrito de Vicuña ganha relevância em meio à crescente demanda global por matérias-primas associadas à transição energética.

A empresa responsável pelo desenvolvimento dos projetos, a Vicuña Corp., já iniciou um ciclo de investimentos significativo. Após aplicar cerca de US$ 400 milhões em 2025, a companhia avalia ampliar esse valor para aproximadamente US$ 800 milhões em 2026.

No longo prazo, os aportes podem alcançar cifras ainda maiores, com estimativas iniciais em torno de US$ 5 bilhões, podendo chegar a US$ 15 bilhões ao longo da implementação completa do complexo.

Desafios e preocupações ambientais

Apesar do potencial econômico, a exploração enfrenta desafios logísticos relevantes. As jazidas estão localizadas a mais de 4.000 metros de altitude, em uma área remota da Cordilheira dos Andes. As condições extremas, como o ar rarefeito, o clima instável e a dificuldade de acesso, exigem planejamento rigoroso e infraestrutura robusta.

Trabalhadores e visitantes precisam passar por avaliações médicas antes de acessar a região, devido aos riscos associados à altitude.

Além disso, a construção de estradas, linhas de transmissão de energia e instalações industriais em terreno montanhoso representa um obstáculo significativo para a viabilidade do projeto em larga escala.

O avanço das atividades mineradoras também levanta preocupações ambientais.

Organizações como a Fundación Ambiente y Recursos Naturales alertam para possíveis impactos sobre glaciares e reservas de água doce na região andina.

Outro ponto sensível é o elevado consumo de água necessário para a mineração metálica, especialmente em áreas de clima árido, onde os recursos hídricos são limitados.

Mesmo diante das controvérsias, o projeto é visto como uma oportunidade econômica relevante, especialmente para a Argentina. O país não produz cobre desde 2018, quando a mina La Alumbrera foi desativada, e o desenvolvimento do distrito de Vicuña pode representar uma retomada da atividade no setor.

Caso as estimativas se confirmem e o cronograma seja mantido, a produção comercial deve começar por volta de 2030. O plano prevê a construção de uma planta central de processamento na área de Josemaría, com uma vida útil inicial estimada em cerca de 25 anos, repercute o UOL.

A descoberta reforça a importância estratégica da região andina no cenário global de mineração e destaca o papel crescente dos metais essenciais para a transformação energética nas próximas décadas.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista