FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Comércio 29/05/2023 10:15

Cresce procura por cartões de lojas, que têm vantagens, mas também riscos. Veja condições

Ofertados por grandes marcas, cartões têm benefícios, mas juros mais altos

Cresce procura por cartões de lojas, que têm vantagens, mas também riscos. Veja condições

A experiência é quase sempre a mesma: o consumidor entra, olha os produtos e, antes mesmo de se interessar ou não por algum item e se encaminhar ao caixa, é abordado por um vendedor oferecendo um cartão da marca, sob o argumento de que “é rapidinho”.

Num cenário de endividamento alto e juros corroendo o poder de compra das famílias, ofertas de crédito (literalmente) tão próximas do consumo – algumas até aptas para quem está no vermelho – são tentadoras.

Mas, para especialistas, é preciso ter cautela para não transformar o cartão numa forma de comprometer ainda mais o orçamento.

Os primeiros cartões de grandes varejistas brasileiras surgiram no tipo private label (ou marca própria, em tradução livre), modalidade em que o meio de pagamento só é aceito nas próprias lojas da marca.

Mas o mercado se expandiu, com diversas empresas – de nichos diversos, como vestuário e moda, até supermercados e lojas de eletrodomésticos – oferecendo aos consumidores cartões de crédito com a identidade visual e nome da marca, mas que também podem ser usado em outros estabelecimentos.

E a procura tem crescido. Balanços financeiros de varejistas como Riachuelo, Renner e C&A – dona das Casas Bahia e Ponto – apontam para o aumento no número de cartões emitidos e no faturamento acumulado por eles.

O negócio aposta em vantagens como descontos, cashback e parcelamentos exclusivos para fidelizar o consumidor, e é tão importante que várias das marcas criaram braços financeiros para operar o crédito.

É o caso da Realize, da Renner, da Midway, da Riachuelo, e da LuizaCred, da Magalu.

Já em outros casos, os cartões são emitidos através de parcerias com bancos, como a Marisa, parceira do ItaúCred.

Em contrapartida, a inadimplência nos cartões das varejistas também é alta. No balanço do primeiro trimestre de 2023, a C&A, por exemplo, registou as perdas relacionadas aos cartões bandeirados, através da parceria com a Bradescard, subiram de 1,3% para 4,8%, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em meio a uma taxa básica de juros em 13,75%, a empresa cita o “cenário macroeconômico de maior inadimplência que vem impactando bancos e varejistas”.

Já na Renner, a parcela dos clientes com prestações vencidas – o que inclui a operação bandeirada e aquela exclusiva das lojas – alcançou 28,3% no primeiro trimestre deste ano, acima 22,1% do mesmo período do ano passado.

“Vemos ainda desafios para o mercado de crédito ao longo deste ano. A taxa de juros e inflação ainda em patamares elevados, bem como o endividamento das famílias, trazem pressões na inadimplência a curto prazo”, afirmou a empresa, em nota.

Endividamento: cartão é vilão

Para o consumidor, contratar um ou mais cartões exige cuidado, principalmente no cenário atual, de juros altos.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic/CNC), mostram que a fatia de famílias brasileiras com dívidas chegou a 78,3% em abril.

Dessa parcela, o cartão de crédito é o vilão de 86,8% dos casos, o maior patamar em um ano

Ainda assim, há quem veja vantagens em manter um número alto de cartões. A auxiliar administrativa Cristiane Ferreira, 48, acumula dez – cinco emitidos por bancos e fintechs e outros cinco de lojas de departamento.

Para reservar os de crédito para os gastos do dia a dia, ela usa apenas os próprios das lojas nas compras de roupas e calçados. Por mês, conta, são cerca de R$ 250 em prestações nesses cartões:

– Se eu for comprar no crédito, não dá para parcelar na mesma quantidade de vezes que eles disponibilizam nos cartões próprios, e minhas compras são sempre num valor.

Além disso, não compromete o limite do cartão de crédito, que eu deixo para as compras básicas do mês, como mercado, hortifruti e farmácia.

‘Ciranda perigosa’

Coordenadora do programa de Serviços Financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a economista Ione Amorim alerta que, em geral, as taxas de juros praticadas por cartões de varejistas tendem a ser mais altas do que aquelas de cartões oferecidos por bancos.

Por exemplo: no rotativo – percentual aplicado no valor que sobra quando o consumidor não paga o valor integral cobrado na fatura – as taxas cobradas por bancos oscilam a partir de 10% ao mês, enquanto em algumas financeiras de varejistas, o percentual vai a 19,95%.

As taxas de juros podem ser consultadas no site do Banco Central (clique aqui).

– O limite incompatível com a renda do consumidor é uma regra no mercado. E é nas taxas de juros, principalmente do rotativo, que eles “compensam” o risco de quem não terá recurso de pagar.

Para ela, os cartões oferecidos pela loja – sejam os private label como os de crédito – são a última fronteira a ser cruzada por consumidores cada vez mais endividados e com a renda comprometida.

– As famílias estão numa situação de endividamento muito grande, então procuram novos cartões para conseguir jogar a dívida de um para outro e ir acumulando limites para operacionalizar o crédito disponível. Para famílias de baixa renda, acaba sendo um “complemento” de renda. Quem ganha R$ 1,3 mil vai usar o cartão no mercado, na farmácia. Mas essa ciranda é muito perigosa e acaba levando o consumidor a uma incapacidade de pagamento – analisa.

Ione ainda questiona a forma como os cartões são oferecidos aos consumidores, o que, avalia, pode ser considerado como conduta abusiva em alguns casos:

– É um assédio que induz o consumidor a tomar escolhas erradas. Às vezes o cliente só quer comprar e ir embora, mas é convencido a contratar um cartão por causa do grau de constrangimento. Tira do consumidor a autonomia de escolha. Esse tipo de abordagem é acediosa e induz ao erro.

Veja alguns exemplos e as condições

Renner

  • Anuidade: Cartão Renner: isento; Meu Cartão: até R$ 299,88 ou 12x de R$ 24,99.
  • Uso: O cartão Renner pode ser usado nas lojas do grupo: Renner, Camicado, Ashua e Youcom. Já o Meu Cartão, bandeirado, é aceito em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira Mastercard ou Visa.
  • Juros: 16,99% a.m. ou 557,33% a.a. no parcelado; 18,99% a.m. ou 705,61% a.a. no rotativo.
  • Benefícios: O Cartão Renner oferece parcelamento em até 7x na loja virtual da marca e desconto de 10% na primeira compra. Já o Meu Cartão tem ainda até 10% de cashback em marcas parceiras, apps de transporte e delivery.

Riachuelo

  • Anuidade: Cartão Riachuelo: isento; Cartão Riachuelo Mastercard: R$ 151,80 ou 12x de R$ 12,65.
  • Uso: O cartão Riachuelo pode ser usado nas lojas do grupo Guararapes, como Riachuelo e Casa Riachuelo. Já a versão crédito é aceita em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira Mastercard.
  • Juros: 15,49% a.m. ou 463,03% a.a. no parcelado; 16,99% a.m. ou 557,33% a.a. no rotativo.
  • Benefícios: Condições especiais de parcelamento nas lojas Riachuelo e descontos em marcas parceiras.

C&A

  • Anuidade: Cartões C&A Private label: isentos; Cartões de crédito (via Bradescard): a partir de R$ 239,88.
  • Uso: Os cartões C&A são aceitos nas lojas da marca, enquanto as versões crédito podem ser usadas em qualquer estabelecimento que aceite as bandeiras Visa, Elo e Mastercard.
  • Juros: C&APay: 16,49% a.m. ou 524,4% a.a. no parcelado; 18,99% a.m. ou 628,02% a.a. no rotativo. Cartões C&A (private label e Bradescard): 19,45% a.m. ou 743,79% a.a. no parcelado; 19,95% a.m. ou 787,16% a.a. no rotativo.
  • Benefícios: No C&Apay, há há 10% de desconto na primeira compra e condições especiais de pagamento e parcelamento, além de vantagens como fila expressa nas lojas físicas, presente no aniversário e embalagem de presente grátis.

Pernambucanas

  • Anuidade: Cartão Pernambucanas: sem; Cartões de crédito: de R$ 5,99 a R$ 418,80 (dependendo do modelo, que pode ser Flex, Mais, Grafite, Standart ou Gold).
  • Uso: O cartão private label da marca só pode ser usado na rede Pernambucanas. Já os de crédito podem ser usados nos estabelecimentos que aceitem as bandeiras Elo e Mastercard.
  • Juros: Dependendo do modelo, a partir de 13,90% a.m. ou 376,74% a.a. no parcelado; e 16,99% a.m. ou 557,33% a.a. no rotativo.
  • Benefícios: Dependendo do modelo, maior prazo de pagamento em determinados segmentos das lojas da marca e sorteios mensais de R$ 10 mil.

Casas Bahia

  • Anuidade: No primeiro ano, R$ 142,80 ou 12x de R$ 11,90. Depois, R$ 232,20.
  • Uso: Pode ser usado nos estabelecimentos que aceitem as bandeiras Visa e Mastercard.
  • Juros: 19,45% a.m. ou 743,79% a.a. no parcelado; e 19,95% a.m. ou 787,16% a.a. no rotativo
  • Benefícios: Acesso ao programa VIP, que garante cupons de desconto de até 60% nas lojas físicas e online da Casas Bahia, além de benefícios como desconto em ingressos de cinema na rede Cinemark.

Ponto

  • Anuidade: R$ 162 ou 12x de R$ 13,50
  • Uso: Pode ser usado nos estabelecimentos que aceitem a bandeira Mastercard.
  • Juros: Não informado.
  • Benefícios: Parcelamento em até 30 vezes sem juros nas lojas Ponto.

Fonte: Levantamento feito pelo EXTRA com informações dos SACs e sites dos cartões, além de dados repassados pelas assessorias de imprensa das marcas.

Deu em Extra

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista