FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Corrupção 21/12/2025 11:05

CPMI do INSS: governo blindou 5 alvos da nova fase da Sem Desconto

CPMI do INSS: governo blindou 5 alvos da nova fase da Sem Desconto

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS blindou pelo menos cinco investigados da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nessa quinta-feira (12/9), de serem convocados a prestar esclarecimentos ao colegiado nos últimos meses.

O levantamento da coluna levou em conta a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação da PF, além de notas taquigráficas das sessões do colegiado e requerimentos rejeitados ou não votados ainda pela CPMI.

São eles: o senador Weverton Rocha (PDT); o braço-direito dele, Gustavo Marques Gaspa; o então número 2 do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal; a empresária Roberta Luchsinger, amiga do Lulinha; a ex-publicitária das campanhas do PT e sócia do Careca do INSS em Portugal, Danielle Miranda Fonteles.

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Embora a deflagração da operação da PF traga novos elementos sobre os investigados, essas mesmas pessoas foram alvos de requerimentos de parlamentares da oposição que trouxeram argumentos, entre eles, provas juntadas pelo colegiado, a partir de documentos e quebra de sigilo fiscal e bancário de terceiros.
Os autores dos requerimentos usaram, ainda, reportagens da imprensa para justificar a convocação dessas pessoas como testemunha, como o caso do senador Weverton, flagrado pelo Metrópoles usando aeronave ligada ao Careca do INSS. Ou, até mesmo, Roberta Luchsinger, a amiga do Lulinha que fez lobby no Ministério da Saúde junto ao Careca do INSS.

De forma resumida, a estratégia de integrantes da CPMI para blindar alguns alvos, se baseou em duas formas. Rejeição de requerimentos de convocação e rejeição de quebra de sigilos de movimentações financeiras por terem maioria no colegiado. Acordos por retirada de pauta da votação dos ofícios, como forma de protelar as investigações, também foi outra estratégia utilizada.

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), aproveitou a operação da PF dessa quinta-feira para criticar e culpar a base governista do colegiado pelas blindagens de algumas pessoas que foram alvos dessa quinta-feira. O político citou, por exemplo, o caso da convocação de Adroaldo Portal e de Gustavo Marques Gaspar.

A base governista reagiu. O deputado federal Paulo Pimental (PT-MG) afirmou à coluna que “na medida que existem elementos que justifiquem a investigação, ninguém será protegido”. Por fim, rebateu o político mineiro.

“Eu não vou passar a mão na cabeça de ninguém. Na medida que existem elementos que justifiquem a investigação, ninguém será protegido. Não importa se é pastor da igreja do presidente da CPMI, parente ou de assessor de alguém, ninguém será blindado. Se o Presidente da CPMI tinha essas informações, nunca chegou até nós. Meu objetivo é chegar nos culpados, doa a quem doer”.

Quem são os alvos da PF dessa quinta-feira que foram blindados pela CPMI do INSS

  • Senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado pela PF como “sócio oculto” do esquema da Farra do INSS e pessoa do “núcleo político que viabilizaria as atividades” do Careca do INSS. Reportagem da coluna, mostrou em setembro, o jatinho de R$ 2,8 milhões que liga Weverton ao lobista. Com a operação dessa quinta-feira, a PF descobriu que o Careca do INSS adquiriu cotas da aeronave usada pela parlamentar. Weverton foi alvo de mandado de busca e apreensão. A PF chegou a pedir a prisão do parlamentar, o que foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Procuradoria-Geral da República (PGR).
  • Adroaldo Portal (PDT), ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência e ex-secretário do Regime Geral de Previdência Social. O pedetista foi exonerado do posto de Número 2 da pasta nessa quinta-feira (18) poucas horas após ser preso pela PF. A corporação identificou que Adroaldo fez movimentações suspeitas em contas bancárias. Além disso, a PF encontrou uma planilha de pagamentos do lobista que apontam R$ 50 mil para “Adro”, possivelmente Adroaldo, segundo a própria PF. Em junho deste ano, a coluna revelou que o Careca do INSS bancou camarote para Adroaldo Portal, em novembro de 2023, assistir ao show, em Brasília, da banda Red Hot Chili Peppers. Outra reportagem, também da coluna, revelou que Careca do INSS teve agenda com Adroaldo no Ministério da Previdência, mas o encontro não constou na agenda oficial. Poucos meses depois, outra publicação revelou que Gustavo Gaspar também participou dessa reunião com os dois. Antes mesmo de assumir posto no alto escalão do governo Lula, Adroaldo Portal, quando era chefe de gabinete do Senador Weverton recebeu o Careca do INSS no Congresso Nacional.
  • Danielle Miranda Fonteles, ex-publicitária de campanhas do PT e sócia do Careca do INSS em Portugal. Alvo de ação da PF, ela terá que usar tornozeleira eletrônica. A PF confirmou que ela atuou como representante do Careca do INSS em Portugal. No início deste mês, a coluna já tinha mostrado a relação societária dela com lobista em negócio de cannabisReportagem da revista Veja, publicada em outubro, revelou que ela recebeu R$ 5 milhões do Careca do INSS. Os dados constam no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ainda assim, parlamentares do PT atuaram na CPMI e conseguiram derrubar o pedido de convocação dela.
  • Roberta Luchsinger, amiga do Lulinha e empresária que teve negócios com o Careca do INSS. Com a nova fase da Operação Sem Desconto, veio a público que a PF identificou que o Careca do INSS mandou R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga do Lulinha. Em uma dessas transferências, o lobista explicou que o dinheiro era para “o filho do rapaz”, possivelmente se referindo ao filho do petista. Conforme revelou a coluna, em agosto, Roberta Luchsinger fez lobby no Ministério da Saúde junto ao Careca do INSS. Os dois estiveram juntos na pasta no mesmo dia e representando a mesma empresa. Roberta foi alvo de mandado de busca e apreensão. O ministro André Mendonça determinou que ela seja monitorada com tornozeleira eletrônica e seja proibida de sair do Brasil.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, não figura nesse levantamento da reportagem porque ele não foi alvo da PF nessa quinta-feira. O mesmo aconteceu com o Frei Chico. O irmão do petista é vice-presidente de sindicato investigado por fraudes na Previdência.

Em relação ao Lulinha, a oposição na CPMI do INSS chegou a protocolar requerimento de convocação dele, rejeitado em votação na última sessão do colegiado, em 4 de dezembro, marcada por bate-boca entre parlamentares da base e da oposição.

O presidente da República, por sua vez, reagiu à operação e defendeu que todas as pessoas envolvidas na fraude do INSS seja investigada. “Muitas das coisas estão em segredo de Estado. Já li notícias e tenho dito para ministros e à CPI que é importante ter seriedade, que se possa investigar todas as pessoas envolvidas. Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado“, declarou em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista