Ambos os grupos se beneficiaram da mudança na dieta, porém, o efeito foi muito mais pronunciado para os participantes que seguiram a dieta à base de aveia.
“O nível de colesterol LDL, particularmente prejudicial , caiu 10% para eles — uma redução substancial, embora não totalmente comparável ao efeito dos medicamentos modernos”, observa em comunicado Marie-Christine Simon, professora adjunta do Instituto de Ciência Nutricional e Alimentar da Universidade de Bonn. “Eles também perderam dois quilos em média e sua pressão arterial diminuiu ligeiramente.”
Após seis semanas, os níveis de colesterol permaneceram mais baixos e a dieta influenciou aparentemente a composição da microbiota intestinal.
“Conseguimos demonstrar que as bactérias intestinais produzem compostos fenólicos ao decompor a aveia”, diz Linda Klümpen, colega de Simon e autora principal do estudo.
“Já foi demonstrado em estudos com animais que um deles, o ácido ferúlico, tem um efeito positivo no metabolismo do colesterol. Isso também parece ser o caso de alguns dos outros produtos metabólicos bacterianos”.
Dois dias X seis semanas
Segundo a pesquisa, é melhor consumir grande quantidade de aveia por dois dias do que uma pequena quantidade por seis semanas. Uma dieta de 80 gramas de aveia por dia durante as seis semanas, sem quaisquer outras restrições, alcançou pequenos efeitos.
Os pesquisadores também coletaram amostras de sangue e fezes, medindo também alguns parâmetros (peso, altura, circunferência da cintura e percentual de gordura) antes de realizarem qualquer alteração na dieta dos participantes. Dois dias depois da dieta à base de aveia, eles realizaram um segundo exame, seguido por outros três após duas, quatro e seis semanas.
As amostras de sangue foram examinadas em laboratório para determinar, entre outras coisas, o teor de colesterol LDL. Os pesquisadores também mediram a concentração de ácido di-hidroferúlico, composto fenólico que se acredita ser formado por certas bactérias intestinais, conhecidas por seus efeitos benéficos à saúde.
Essa hipótese foi mais tarde confirmada nas amostras de fezes. Os cientistas investigaram quais produtos metabólicos estavam presentes nas coletas e isolaram o chamado RNA 16S, uma molécula que ocorre exclusivamente em bactérias, que pode ser usada para identificar a bactéria de origem, como uma impressão digital.
“Como próximo passo, agora podemos esclarecer se uma dieta intensiva à base de aveia, repetida a cada seis semanas, realmente tem um efeito preventivo permanente”, afirma Simon.

