Automóveis 05/05/2023 11:09
Concessionários Peugeot-Citroën alegam ter carros de má qualidade; entenda
Foi enviada carta à Stellantis com essa e outras reclamações

As associações de concessionários brasileiros da Peugeot–Citroën notificaram o grupo controlador das marcas por aqui, a Stellantis, sob a alegação de que seus veículos sofrem com falta de qualidade.
Em documento exclusivamente acessado por Paula Gama, colunista do UOL, há ameaça de processo judicial por parte das associações, caso suas demandas não sejam atendidas pela Stellantis.
Na notificação extrajudicial, as associações de Peugeot e Citroën, Abracop e Abracit, respectivamente, afirmam que os problemas já foram apontados às marcas presencialmente e/ou de forma escrita, porém, continuam “afastando das lojas os tão desejados clientes”.
Suas principais críticas são a falta recorrente de peças e problemas específicos de qualidade dos automóveis, mas não especificam quais seriam esses defeitos.
[A Stellantis] afirma que detém os mais rígidos testes de qualidade, alinhados com as melhores práticas globais e que inconvenientes pontuais de abastecimento de peças são tratados e corrigidos com a maior velocidade possível.
Stellantis, em resposta a questionamento de Paula Gama
De acordo com os concessionários, a situação fez com eles chegassem ao ponto de não conseguirem atender seus clientes 100% satisfatoriamente, impactando nos bônus atrelados às pesquisas de qualidade preenchidas pelos clientes e realizados pelas marcas.
Ainda reclamam do longo adiamento do lançamento do Citroën C3, e que o carro é alvo de várias campanhas para correção de problemas.
Em um dos trechos do documento, as entidades alegam que “em algumas dessas campanhas, não existem peças disponíveis para substituição, o que ratifica a falta de qualidade do produto e interfere na reconstrução da imagem das marcas de forma positiva perante nossos clientes”.
Outo ponto criticado pelos concessionários é a falta de resposta aos consumidores em canais propícios, como o Reclame Aqui, e até mesmo nas redes sociais das marcas.
Segundo eles, em posto da Citroën no Instagram comemorando a escolha do C3 como melhor carro urbano do mundo pela World Car Awards, há inúmeros comentários de clientes insatisfeitos com o veículo.
Não comprem! Temos um C4 Cactus que apresentou defeito na caixa de direção. A peça leva em torno de 15 dias úteis para chegar e estamos aguardando o carro reserva que seria disponibilizado pela montadora, pois o prazo excede demais. No entanto, o desrespeito da Citroën supera qualquer experiência positiva, pois estamos sem retorno até o momento e sendo prejudicados.
Uma das consumidoras insatisfeitas com a Citroën
Outra pessoa afirmou que seu veículo “deu problema com um mês de uso” e faz “dois meses que estão consertando. Vai trocar o motor”.
No âmbito do Reclame Aqui, a preocupação dos concessionários é também com as notas de reprovação, que fazem a plataforma atribuir às marcas o selo de “não recomendada”.
“Diante destes dois exemplos acima, cumpre-nos indagar se as marcas Peugeot e Citroën fazem a gestão destes importantes canais de mídia, uma vez que parecem estar abandonados, o que bem exemplifica como está a preocupação com a satisfação dos clientes pelas marcas”, afirmam no texto.
Os concessionários também pontuam que a insatisfação dos clientes de ambas as marcas, além de prejudicá-los nas pesquisas de satisfação, tem feito com que os consumidores entrem com ações judiciais contra as lojas onde adquiriram seus automóveis.
Por fim, eles encerram o documento alegando que é verdadeira “odisseia” conseguir carro reserva para os clientes necessitados.
O pedido dos concessionários à Stellantis é que os problemas de peças e de qualidade dos carros sejam resolvidos urgentemente.
Também querem que as marcas assumam responsabilidade por falhas e/ou defeitos de fabricação, bem como a responsabilidade civil, criminal e pecuniária em todas as ações de consumidores nas quais as concessionárias forem acionadas.
Ainda requerem que as marcas se abstenham de notificar as concessionárias alegando que infringiram o contrato de concessão, sob pretexto de má gestão, falta de qualidade na prestação dos serviços, baixo índice em pesquisas de qualidade, etc., quando os problemas forem provocados por falta de qualidade dos automóveis, de componentes para reparos, demora na resolução de diagnósticos e indisponibilidade de carro reserva.
Deu em UOL/Olhar Digital

Descrição Jornalista
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