Como os bares sobreviverão à diminuição do consumo de álcool? - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
PMN – Restituição Silidária – 2004 a 1905

Bebidas 01/05/2025 11:28

Como os bares sobreviverão à diminuição do consumo de álcool?

Como os bares sobreviverão à diminuição do consumo de álcool?

indústria de bebidas destiladas atravessa um período de grandes desafios, com incertezas que afetam produtores, importadores, distribuidores e donos de bares e restaurantes.

Entre as preocupações estão a possível obrigatoriedade de advertências em rótulos de bebidas alcoólicas, como já ocorre em vários países da Europa, a ameaça de tarifas comerciais impulsionada por conflitos envolvendo os Estados Unidos e outras nações, o excesso de oferta de uísques e tequilas, além da queda nas vendas. Esses fatores criam um cenário complexo, com duração ainda incerta.

Superar essas adversidades é como atravessar um campo minado, onde cada passo pode ser mais arriscado que o anterior. A incerteza tem dificultado a tomada de decisões no setor, com gestores de bares precisando fazer ajustes para evitar prejuízos, sem a garantia de que essas medidas serão suficientes, e enfrentando o risco de afastar a clientela devido ao necessário repasse nos preços.

Após anos desafiadores, com uma queda de 1,1% no valor das vendas de destilados nos EUA em 2024, segundo o Distilled Spirits Council, os parâmetros de sucesso mudaram. Antes, falava-se em metas de crescimento; agora, o foco é sobreviver, mesmo com margens de lucro reduzidas, enquanto se tenta prever o rumo do mercado.

Apesar do cenário adverso, as respostas variam entre estratégias proativas e resiliência, com muitos enxergando oportunidades em meio às dificuldades.

Mudanças nos hábitos de consumo

A queda nas vendas de destilados, com exceção das bebidas prontas para consumo (RTDs), tem múltiplas causas. O aumento do uso de cannabis recreativa em países onde seu consumo é legal, o uso de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro (que diminuem o desejo por álcool), e o crescente interesse por moderação, motivado por um estilo de vida mais saudável, são fatores frequentemente citados.

Operadores de bares e restaurantes destacam, no entanto, uma mudança geracional no consumo. Muitos proprietários de bares relatam uma redução no uso de álcool, o que tem levado à adoção de estratégias como a criação de coquetéis com menor graduação alcoólica e o desenvolvimento de menus paralelos com opções sem álcool, que ganham cada vez mais espaço.

“Não acredito que discursos extremistas definam o futuro, mas eles apontam um caminho que precisamos acompanhar”, comenta um gestor do setor.

Soluções criativas, como o uso de vinhos em coquetéis para reduzir o teor alcoólico sem comprometer a complexidade ou a elaboração de menus com produtos locais e artesanais, têm se mostrado promissoras.

A ameaça das tarifas

Outro grande desafio são as tarifas comerciais. Desde 1º de fevereiro, tarifas de 25% sobre importações do México e Canadá e de 10% sobre produtos chineses foram anunciadas, suspensas e ajustadas, gerando instabilidade no mercado.

Além disso, a União Europeia planejou impor tarifas de até 50% sobre uísques americanos a partir de 1º de abril, enquanto o governo Trump ameaçou retaliar com tarifas de 200% sobre vinhos e destilados europeus.

Diante de um cenário que combina a diminuição do consumo de álcool com o aumento dos custos, surge uma oportunidade significativa para transformação e inovação. A criatividade pode ser a chave para superar esses desafios, abrindo uma janela imensa para o desenvolvimento de novos modelos de negócio e estratégias que atendam às demandas de um público em constante evolução.

Deu em CNN

Ricardo Rosado de Holanda
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Descrição Jornalista