Música 19/04/2021 11:22
Como a pandemia, a televisão e o Spotify ‘mataram’ os grupos musicais
Não há nenhuma banda entre os artistas mais ouvidos pelo mundo em 2020. Apenas solistas. Executivos, produtores e cantores analisam um fenômeno que está mudando os rumos da indústria

Qualquer um que tenha crescido com os grandes grupos de rock e pop do passado se contorcerá na cadeira diante de uma evidência tão funesta: atualmente não há bandas como Queen, The Jam, The Police, Nirvana ou Oasis.
Há escassez de novas formações —surgidas, digamos, nos últimos cinco anos— que se igualem às de antigamente em proezas comerciais. São tempos de Sheerans, Lipas, Swifts, Weeknds, Bunnies, Eilishs. De Rosalías, Tanganas, Alboranes, Aitanas, Amaias … Os solistas, ao que parece, se apoderaram das paradas.
Em março, após declarações de Adam Levine, cantor do Maroon 5 (“Dá a sensação de que não há mais bandas, somos uma espécie em extinção”, lamentou), o jornal britânico The Guardian dedicou um artigo à questão, com o seguinte título expressivo: “Por que os grupos estão desaparecendo”.
O pessimismo de Levine pode ser sustentado por dados.
Os 30 artistas mais ouvidos no Spotify em 2020 eram todos solistas, exceto um, o combo sul-coreano BTS (com sete integrantes que não tocam instrumentos). Foi preciso fazer uma minuciosa inspeção do ranking para localizar o Maroon 5 em 33º e o Queen em 34º. Desde março de 2019, quando o Jonas Brothers foi o número um com Sucker, até hoje, passados dois anos, apenas um outro grupo liderou a parada de singles da Billboard (Estados Unidos): o já citado BTS.
Qualquer um que tenha crescido com os grandes grupos de rock e pop do passado se contorcerá na cadeira diante de uma evidência tão funesta: atualmente não há bandas como Queen, The Jam, The Police, Nirvana ou Oasis.
Há escassez de novas formações —surgidas, digamos, nos últimos cinco anos— que se igualem às de antigamente em proezas comerciais. São tempos de Sheerans, Lipas, Swifts, Weeknds, Bunnies, Eilishs. De Rosalías, Tanganas, Alboranes, Aitanas, Amaias …
Os solistas, ao que parece, se apoderaram das paradas.
Em março, após declarações de Adam Levine, cantor do Maroon 5 (“Dá a sensação de que não há mais bandas, somos uma espécie em extinção”, lamentou), o jornal britânico The Guardian dedicou um artigo à questão, com o seguinte título expressivo: “Por que os grupos estão desaparecendo”.
O pessimismo de Levine pode ser sustentado por dados. Os 30 artistas mais ouvidos no Spotify em 2020 eram todos solistas, exceto um, o combo sul-coreano BTS (com sete integrantes que não tocam instrumentos).
Foi preciso fazer uma minuciosa inspeção do ranking para localizar o Maroon 5 em 33º e o Queen em 34º. Desde março de 2019, quando o Jonas Brothers foi o número um com Sucker, até hoje, passados dois anos, apenas um outro grupo liderou a parada de singles da Billboard (Estados Unidos): o já citado BTS.
Ao contrário do que acontecia décadas atrás, pop e rock não são os estilos mais em voga. Rap, trap, R&B e reggaeton… —gêneros interpretados por solistas— ganharam terreno. Todo o rock novo já é alternativo; não é mais mainstream.
“À medida que o pop e o rock morrem, no que se refere a vendas milionárias, morrem as bandas, que são as que fazem pop e rock”, explica Javier Portugués, veterano A&R (responsável por Artistas e Repertório) que trabalha com a Sony Music. Colaborou com solistas como Joaquín Sabina, Marwan, Dani Martín, Rozalén e Malú e grupos como Estopa e Maldita Nerea.
“Tem a ver com as idiossincrasias dos gêneros”, acrescenta. “No rap, antes de começar com o primeiro verso, você já disse seu nome e o nome do produtor 10 vezes. É uma exaltação de si mesmo.”
Os festivais podem ser considerados o último reduto de grupos de pop e rock, mas, apesar da natureza nostálgica de muitos desses eventos, mesmo os mais importantes não têm escolha a não ser seguir a corrente dominante.
Na última edição do Primavera Sound (Barcelona), sete dos nove artistas de destaque eram solistas: Erykah Badu, os rappers Future e Cardi B, Solange, Janelle Monáe, J Balvin e Rosalía (os grupos eram o Interpol, formado em 1997, e Tame Impala , na verdade, um projeto do cantor e multi-instrumentista australiano Kevin Parker).
Essa mudança de regime foi bem recebida pela indústria: lidar com solistas é mais prático.
“Para uma gravadora, quando se trata da promoção de um evento, mudar um cara ou uma garota em vez de uma banda inteira é mais ágil e mais barato”, diz Pablo Cebrián, produtor de David Bisbal e Amaia Romero, entre outros.
Também é mais eficaz. “Em termos de marketing, é mais fácil vender uma única pessoa, um ícone”, diz Alizzz, produtor de C. Tangana.
A dinâmica interna das bandas às vezes é bastante complexa, o que contrasta com a flexibilidade dos solistas. “Cada pessoa em um grupo tem seus movimentos, e para a indústria é muito mais cômodo lidar com solistas”, continua Cebrián.
“De um disco para outro, um solista pode mudar de produtor. Numa banda, essas voltas são muito mais difíceis: quando uns querem ir para um lado e outros para outro, surgem tensões.”
Deu em El País

Descrição Jornalista
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