Comissão de Energias Renováveis da FIERN debate projeto de eólica offshore e data centers verdes - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Indústria 31/08/2025 05:26

Comissão de Energias Renováveis da FIERN debate projeto de eólica offshore e data centers verdes

Comissão de Energias Renováveis da FIERN debate projeto de eólica offshore e data centers verdes

O futuro do setor das energias renováveis no Rio Grande do Norte foi pauta da Comissão Temática de Energias Renováveis da Federação das Indústrias do RN (COERE/FIERN), que se reuniu nesta quinta-feira (28), de forma híbrida, na Casa da Indústria.

O projeto de energia eólica offshore do SENAI-RN e as oportunidades para instalação de data centers verdes no estado foram assuntos de destaque na reunião.

Para o presidente da COERE, Sérgio Azevedo, os temas abrangem diversos estágios para os próximos anos e décadas do setor. “São assuntos estratégicos que envolvem caminhos para o curto prazo até longo prazo nas energias renováveis.”

De acordo com ele, o debate em torno desses temas fortalece a busca por soluções para o curtailment, termo que se refere à limitação da geração de energia imposta a usinas mesmo quando há condições ideais de vento ou sol, devido a gargalos na rede de transmissão.

O assunto se tornou uma das principais pautas do setor de energias renováveis desde o segundo semestre de 2024, quando as primeiras restrições passaram a ser impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que é responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração de energia elétrica no país.

“O curtailment tem agonizado as empresas do setor de energias renováveis. Precisamos pensar em soluções para essa situação e esses assuntos são oportunidades para aproveitar nossa geração de energia”, aponta Azevedo.

O projeto do SENAI para instalação de um sítio de testes de energia eólica offshore para estudos e desenvolvimento de tecnologias que ajudem a subsidiar investimentos do setor foi apresentado pelo diretor regional do SENAI-RN, Rodrigo Mello.

O empreendimento, que recebeu a primeira licença do Brasil para a atividade, será instalado no mar de Areia Branca, com dois aerogeradores de potência somada de 24,5 Megawatts (MW), a uma distância de 15 a 20 quilômetros da costa. A expectativa é que a operação seja iniciada em até 36 meses.

“O projeto prevê um processo de desenvolvimento completo das operações, desde a pré-instalação até o descomissionamento, daqui a vinte anos. Os dados capturados servirão de base para que empresas parceiras possam investir na região”, explica Mello.

Já o consultor do Sebrae-RN Carlos von Sohsten falou das oportunidades para instalação de data centers verdes no estado.

Ele ressalta a publicação do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, sob coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O documento prevê investimentos de até R$ 23 bilhões para posicionar o país como protagonista global na área, incluindo data centers de última geração como infraestrutura fundamental.

“É uma janela de oportunidades que se descortina. Temos uma matriz energética limpa com abundância de geração de energia que é fundamental para o funcionamento desses empreendimentos”, explica Carlos.

“Outro aspecto importante é que os data centers são equipamentos que impulsionam novos negócios, incluindo micro e pequenos empreendimentos”, completa.

Índice de Confiança das Energias Renováveis

O economista do Observatório da Indústria Mais RN, João Lucas Dias, apresentou dados do Índice de Confiança das Energias Renováveis (ICER), termômetro da confiança do setor no estado.

A sondagem qualitativa mede, a cada três meses, a percepção de atores considerados estratégicos na COERE, incluindo empresas, governos, associações e agentes financeiros. “Essa é a décima publicação do ICER, que começou há três anos, consolidando o indicador como um medidor do cenário das renováveis no nosso estado”, ressalta.

O índice registrou o patamar de 59,4, nova baixa na confiança do setor, que vem caindo há três edições. “Apesar de ainda demonstrar confiança, está cada vez mais próximo da barreira dos 50, que é o limiar entre confiança e desconfiança”, explica João Lucas.

Entre as principais razões para a queda na confiança, o economista aponta o Curtailment e limitações de transmissão, Insegurança regulatória e institucional, Perspectiva comparativa de desaceleração do setor no estado, Infraestrutura e Competitividade e mercado consumidor.

O presidente da comissão, Sérgio Azevedo, destaca a preocupação com a nova baixa no índice. “A queda na confiança de um dos principais vetores de desenvolvimento do nosso estado preocupa. A COERE é um espaço para debater e buscar as soluções para os fatores de desconfiança junto às instituições parceiras e, consequentemente, reverter essa curva”, completa.

Deu no Portal da Fiern
Ricardo Rosado de Holanda
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