Partidos Políticos 02/08/2021 10:00
Com impopularidade de partidos políticos, defesa da ‘democracia direta’ ganha adeptos
Em 1796, o presidente americano George Washington criticou os partidos políticos por permitirem que "homens ardilosos, ambiciosos e sem princípios" "subvertessem o poder do povo".

Em 1796, o presidente americano George Washington criticou os partidos políticos por permitirem que “homens ardilosos, ambiciosos e sem princípios” “subvertessem o poder do povo”.
A acusação dele parece fortemente oportuna hoje, apenas alguns meses depois de 147 congressistas republicanos dos EUA contestarem publicamente os resultados da mais recente eleição presidencial americana.
Mas, mesmo bem antes disso, vários americanos compartilhavam da preocupação de Washington.
Essa proporção é agora maior do que a parcela de eleitores que se identificam com republicanos ou democratas.
Parece ser um fenômeno internacional.
Na Europa, por exemplo, partidos tradicionalmente poderosos de centro-esquerda estão sendo acusados de ignorar seus eleitores, contribuindo potencialmente para uma reação que ajudou a empurrar o Reino Unido para o Brexit (saída da União Europeia).
A crescente animosidade em relação aos partidos inspirou debates entre cientistas políticos.
Os defensores do sistema partidário tradicional afirmam que a democracia depende de facções políticas fortes, organizadas e confiáveis.
“As pessoas na política muitas vezes tentam contornar os partidos, ir diretamente às pessoas. Mas sem os partidos, teríamos o caos”, diz a cientista política Nancy Rosenblum, da Universidade de Harvard, nos EUA, que analisa os desafios que os partidos políticos enfrentam hoje.
Mas um pequeno grupo de acadêmicos, muitos deles jovens, afirma que é hora de começar a visualizar uma democracia mais aberta e direta, com menos mediação de partidos e políticos profissionais.
Propostas como essas eram vistas como “completamente marginais” até uma década atrás, diz Hélène Landemore, cientista política da Universidade de Yale, nos EUA.
Mas, segundo ela, certos eventos — incluindo a crise econômica de 2008 e a eleição de Donald Trump para a Presidência em 2016 — ampliaram o escopo do debate.
Várias tendências aceleraram o declínio da popularidade e do poder dos partidos nos Estados Unidos.
Os esquemas de clientelismo partidário que recompensavam os apoiadores com empregos públicos há muito tempo deram lugar a sistemas mais meritocráticos.
O surgimento de comitês independentes de ação política deu aos candidatos uma fonte de financiamento de campanha — cerca de US$ 4,5 bilhões na última década — fora dos canais do partido que antes dominavam o acesso ao dinheiro da campanha.
Isso tornou muitos candidatos mais empreendedores e menos dependentes da burocracia partidária.
Em terceiro lugar, os partidos agora determinam seus candidatos por meio de eleições primárias, em vez de reuniões com membros do partido.
Apenas 17 primárias foram realizadas em 1968 — hoje, cada Estado americano tem uma primária ou caucus.
Essa mudança para as primárias universais transferiu a influência de veteranos do partido para ativistas mais radicais, que são mais propensos do que a média dos eleitores a votar nas primárias, diz Ian Shapiro, cientista político de Yale.
Em 2018, o Comitê Nacional Democrata reduziu até mesmo a influência dos superdelegados, centenas de integrantes VIPs do partido que também tinham votos na seleção de candidatos.
Isso foi para assegurar os eleitores de que estavam sendo ouvidos pelos dirigentes do partido, declarou o vice-presidente do comitê na época.
Em muitas partes dos Estados Unidos, o “gerrymandering” partidário contribuiu para tornar os candidatos menos representativos de seus eleitores, ao criar “cadeiras seguras” para ambos os partidos.
Isso significa que os vencedores são, de fato, decididos nas primárias que colocam democratas contra democratas e republicanos contra republicanos.
Esse fenômeno ajuda a explicar a eleição ao Congresso, em 2018, de Alexandria Ocasio-Cortez, uma socialista democrata de 28 anos que nunca havia exercido um cargo eletivo antes, diz Shapiro.
Seu em BBC

Descrição Jornalista
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