O foco da pesquisa é a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), uma gigantesca “esteira transportadora” oceânica que leva água quente dos trópicos para o norte, aquecendo a Europa Ocidental.
Sem ela, cidades como Londres e Edimburgo enfrentariam invernos drasticamente mais rigorosos.
A principal descoberta do estudo é um cronograma acelerado para o colapso. Enquanto o último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostrava confiança moderada de que o sistema não entraria em colapso neste século, a nova modelagem, que estende as projeções até 2500, sugere que o ponto de não retorno nos mares do Atlântico Norte pode ser ultrapassado em breve.
“Nas simulações, o ponto de inflexão geralmente ocorre nas próximas décadas, o que é muito preocupante”, afirma Stefan Rahmstorf, coautor do estudo e pesquisador do Instituto de Potsdam. Após esse limiar, um mecanismo de feedback torna o desligamento da AMOC inevitável, podendo levar à sua paralisação total entre 50 e 100 anos depois.

Era do gelo na Europa
Os impactos seriam profundos e bifásicos:
- Invernos Glaciais: O noroeste da Europa poderia experimentar uma “pequena era do gelo”, com temperaturas caindo abaixo de -30°C e o Mar do Norte congelando no inverno.
- Verões de Seca Extrema: A mesma falha na corrente reduziria drasticamente a umidade, levando a secas severas e processo de desertificação em partes do continente durante o verão.
A causa direta é o aquecimento global. À medida que a atmosfera aquece, a superfície do oceano perde menos calor no inverno, tornando a água menos densa e impedindo que ela afunde nas latitudes norte—o motor que impulsiona toda a corrente. O derretimento acelerado das calotas polares, injetando água doce não salgada no sistema, agrava ainda mais o problema, um fator que os cientistas alertam que pode tornar o colapso ainda mais iminente do que os modelos atuais projetam.

A pesquisa conclui que, embora cortes drásticos e imediatos nas emissões de gases de efeito estufa possam reduzir significativamente o risco, pode ser tarde demais para eliminá-lo completamente. A ameaça é considerada tão grave que países como a Islândia já classificaram o enfraquecimento da AMOC como uma “ameaça existencial” à segurança nacional.



