FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Corrupção 19/03/2026 19:03

Ciro Nogueira recebeu transferência internacional de condomínio nos EUA onde Vorcaro tinha cobertura

Ciro Nogueira recebeu transferência internacional de condomínio nos EUA onde Vorcaro tinha cobertura

Uma transferência internacional recebida pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em junho de 2024 aparece em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O documento aponta que cerca de R$ 25,8 mil foram enviados por um condomínio residencial em Miami Beach, nos Estados Unidos, onde o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, era proprietário de uma cobertura avaliada em cerca de R$ 180 milhões.

Segundo o G1, a informação consta em comunicações de instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal. A operação foi classificada como “doação ou transferência sem contrapartida”, sem justificativa sobre a origem dos recursos.

O material também aponta que aliados políticos pagaram faturas do cartão de crédito do parlamentar.

Transferência internacional e alerta da Caixa

Além da remessa vinda dos Estados Unidos, o relatório indica movimentações consideradas atípicas na conta do senador entre janeiro e junho de 2024.

A Caixa apontou operações incompatíveis com o perfil financeiro declarado, além de indícios de mecanismos que poderiam dificultar a identificação da origem e do destino dos valores.

O documento também menciona transferências frequentes envolvendo pessoas politicamente expostas sem justificativa econômica clara.

Pagamentos feitos por deputados do PP

O relatório ainda registra pagamentos de faturas de cartão de crédito de Ciro Nogueira realizados por deputados do Progressistas (PP) no Piauí, aliados políticos do senador.

No dia 4 de junho de 2024, o deputado Átila Lira (PP-PI) teria quitado um boleto de R$ 3.457 referente a um cartão do Banco de Brasília (BRB). O parlamentar negou a operação.

“Essa informação não é verdadeira. Nunca houve pagamento por minha parte de fatura de cartão de crédito de ninguém. Nem a da minha esposa”, afirmou.

Já em 19 de junho, uma fatura de R$ 13.693,54 foi paga pelo deputado Júlio Arcoverde (PP-PI), presidente estadual da legenda. Ao comentar o caso, ele indicou que o pagamento pode estar ligado a despesas pessoais. “Tem que saber dele. Se ele consegue resgatar isso daí. Às vezes ele viaja e eu peço algum remédio, alguma coisa, e aí ele passa o cartão para eu fazer o pagamento”, declarou.

Outras movimentações e contexto legal

Ainda no mesmo mês, o próprio senador quitou uma fatura de R$ 120.839,96 junto ao BRB, banco citado em investigações relacionadas ao chamado caso Master.

O relatório também destaca que os envolvidos são classificados como pessoas politicamente expostas (PEPs). Entre os pontos citados está o fato de o filho de Júlio Arcoverde atuar no gabinete de Ciro Nogueira desde 2020.

Embora a legislação brasileira permita o pagamento de dívidas por terceiros, a prática pode ser questionada caso seja utilizada para ocultar a origem dos recursos. Normas como a Lei de Lavagem de Dinheiro e a Lei de Improbidade Administrativa preveem sanções em situações desse tipo.

Procurado, o senador Ciro Nogueira classificou os questionamentos como “absurdo” e afirmou que não pretende comentar o assunto.

A quebra do sigilo telemático de Vorcaro  também apontou a relação indireta com o Ciro Nogueira. Em agosto de 2024, ele comentou com a companheira sobre a atuação do senador no Congresso ao citar uma proposta que ampliava o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), durante um evento realizado no autódromo de Interlagos, em São Paulo.

Deu em Brasil 247

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista