Ciência 08/01/2026 19:30
Cientistas podem ter extraído DNA de Leonardo da Vinci de suas obras

Cientistas afirmam ter conseguido extrair pela primeira vez o DNA de Leonardo da Vinci a partir de um desenho da era renascentista.
O material genético, encontrado em um esboço feito com giz vermelho intitulado “Santo Menino“, que alguns especialistas acreditam ter sido criado por da Vinci, apresenta semelhanças com o DNA extraído de uma carta escrita no século 15 por Frosino di ser Giovanni da Vinci, primo do avô de Leonardo, Antonio da Vinci.
De acordo com os pesquisadores, tanto o desenho quanto a carta contêm sequências do cromossomo Y que correspondem a um haplogrupo, ou linhagem genética, que possui um ancestral comum na Toscana, região natal de Leonardo. As descobertas foram divulgadas nesta terça-feira, 6 de janeiro, na base de dados pré-impressão bioRxiv, ainda sem revisão por pares.
Charlie Lee, geneticista e diretor do Jackson Laboratory for Genomic Medicine em Connecticut, que não participou do estudo, destacou à revista Science que a recuperação dessas sequências representa “um ótimo ponto de partida” para quem deseja desvendar o DNA de Leonardo da Vinci. Isso se deve ao fato de que as sequências do cromossomo Y são transmitidas quase sem alterações de pai para filho.
No entanto, alguns especialistas contestam a autoria do desenho “Santo Menino”, sugerindo que ele pode ter sido realizado por um dos alunos de da Vinci.
Assim sendo, Lee considera que “é uma questão de sorte” determinar se o DNA encontrado no desenho pertence realmente a da Vinci; o material genético poderia pertencer a um estudante ou a qualquer curador com raízes toscanas que manuseou a obra ao longo dos anos.
A equipe de pesquisa tem como objetivo reconstruir o DNA de da Vinci para auxiliar na autenticação de suas obras. Alguns especialistas acreditam que o material genético do polímata italiano poderia também fornecer revelações sobre razões biológicas para suas notáveis habilidades artísticas e outras capacidades, como uma visão superior à média.
Entretanto, existem diversos desafios a serem enfrentados.
O túmulo de da Vinci na França foi parcialmente destruído durante a Revolução Francesa, e seus restos mortais foram perdidos ou misturados com outros corpos ao serem transferidos para um novo suposto local de sepultamento na Capela de Saint-Hubert em Amboise.
Embora esse sepulcro possa conter ossos ricos no DNA do polímata renascentista, os pesquisadores não têm acesso para sequenciar o material genético até que uma amostra comparativa confiável seja encontrada em outro lugar.
Isso deixou os cientistas com poucas alternativas além de tentar extrair DNA das obras de da Vinci. No entanto, muitos desses trabalhos estão fora do alcance e outros — como “Estudo das Pernas Dianteiras de um Cavalo” — não apresentam vestígios de DNA humano.
Até o momento, “Santo Menino” é o único desenho atribuído a Leonardo que conseguiu fornecer DNA humano; no entanto, sua autoria continua sendo debatida.
Outro desafio é que a mãe de da Vinci, Caterina di Meo Lippi, está enterrada em local desconhecido.
Caterina era uma servente adolescente quando deu à luz Leonardo. Caso seus restos sejam encontrados, poderiam oferecer uma correspondência com o desenho “Santo Menino” através do DNA mitocondrial, que é transmitido da mãe para o filho e geralmente encontrado em quantidades maiores nos objetos em comparação ao DNA dos cromossomos.
Cientistas também foram impedidos de acessar o túmulo do pai de da Vinci em Florença, onde poderiam encontrar DNA do cromossomo Y compatível com o de “Santo Menino”. Além disso, Leonardo não possui descendentes diretos conhecidos, pois nunca se casou ou teve filhos, repercute o Live Science.
Uma alternativa remanescente é encontrar outros parentes masculinos de da Vinci para comparar as sequências do cromossomo Y do desenho. Os pesquisadores estão atualmente analisando três ossos recuperados de um jazigo familiar na Itália onde Antonio da Vinci está sepultado e também coletando amostras de DNA de descendentes vivos conhecidos.
A equipe está ainda sequenciando DNA proveniente de uma mecha de cabelo escavada em 1863 em Amboise, que pode ter pertencido à barba de Leonardo.
Por fim, os pesquisadores estão em busca de cartas e outros documentos escritos por parentes masculinos que possam ter preservado o DNA do autor.
A carta de Frosino di ser Giovanni da Vinci é um desses artefatos. Para o novo estudo, os cientistas compararam o DNA presente na carta com cerca de 90 mil marcadores conhecidos que dividem as sequências do cromossomo Y em linhagens chamadas haplogrupos.
O DNA do cromossomo Y na carta e no desenho “Santo Menino” pertenceu ao haplogrupo E1b1b, ao qual Leonardo e sua família extensa podem ter pertencido.
A extração do DNA foi realizada através da aplicação cuidadosa de cotonetes no desenho. Esse método pode auxiliar na autenticação de diversos tipos de obras cuja origem é incerta, conforme relatado pela revista Science.
No geral, o artigo de pré-impressão “é excelente” e utiliza “materiais de ponta” para chegar às suas conclusões, comentou à Science o professor e biólogo evolucionista na Temple University na Pensilvânia, S. Blair Hedges, que também não esteve envolvido no estudo.
Os autores do estudo agora estão trabalhando nas diversas possibilidades disponíveis. Além da mecha de cabelo — se realmente pertencer a Leonardo — e das evidências diretas provenientes do túmulo do polímata, as fontes mais prováveis para obtenção do DNA são manuscritos e desenhos cujas assinaturas sejam inegavelmente atribuídas a ele.
Os cientistas esperam que seu trabalho convença autoridades e arquivistas a permitir novas análises em mais obras de Leonardo da Vinci.
Um exemplo é um caderno com 72 páginas conhecido como “Codex Leicester”, que possui uma impressão digital quase certamente atribuída a ele e se mostra como um bom candidato para futuras investigações, afirmou Domenico Laurenza, historiador da arte na Universidade de Cagliari.
Deu em Aventuras na História

Descrição Jornalista
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