Saúde 21/09/2025 18:08
Cientistas identificam ‘contador de quilometragem’ do cérebro

Um grupo de cientistas conseguiu localizar, pela primeira vez, uma espécie de “contador de quilometragem” dentro do cérebro, ao registrar a atividade cerebral de ratos em movimento.
Soltos em uma pequena arena adaptada ao tamanho dos animais, os pesquisadores monitoraram uma região cerebral conhecida por sua importância na navegação e na memória.
Eles observaram que células dessa área “disparam” em um padrão semelhante a um medidor de quilometragem de um carro (o chamado hodômetro), marcando tic-tac a cada poucos passos dados pelo animal.
Um experimento complementar, no qual voluntários humanos caminharam por uma versão ampliada do teste usado com os ratos, sugeriu que o cérebro humano possui o mesmo mecanismo.
O estudo, publicado na revista Current Biology, é o primeiro a demonstrar que o disparo regular das chamadas “grid cells” (células de grade) está diretamente ligado à capacidade de estimar corretamente a distância percorrida.

Crédito,Stephen Duncan Os cientistas criaram uma arena para treinar e testar a capacidade dos ratos de estimar a distância que correram
“Imagine caminhar entre a cozinha e a sala de estar”, disse o pesquisador-chefe, James Ainge, da Universidade de St Andrews (Escócia). “[Essas células] estão na parte do cérebro que fornece o mapa interno — a capacidade de se situar mentalmente no ambiente.”
O estudo oferece pistas sobre o funcionamento desse mapa interno e sobre o que ocorre quando ele falha. Ao alterar o ambiente e interromper o som do marcador de quilometragem, ratos e humanos passam a errar a estimativa de distância.
Na vida real, isso acontece no escuro ou quando a neblina baixa durante uma caminhada. Nesses casos, torna-se mais difícil avaliar a distância percorrida, porque o contador de distância deixa de funcionar de forma confiável.
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores treinaram ratos para percorrer uma distância fixa em uma arena retangular, recompensando-os com um pedaço de cereal de chocolate ao completarem corretamente o percurso e retornarem ao ponto de partida.
Quando os animais percorriam a distância correta, as células responsáveis por “contar a quilometragem” em seus cérebros disparavam regularmente — aproximadamente a cada 30 cm percorridos.
“Quanto mais regular era o padrão de disparo, melhor os animais estimavam a distância necessária para obter a recompensa”, explicou Ainge, da Universidade de St Andrews.
Os cientistas conseguiram registrar o contador de quilometragem do cérebro, acompanhando o deslocamento do rato.
Quando a forma da arena foi alterada, o padrão de disparo tornou-se irregular e os ratos tiveram dificuldade em estimar a distância necessária antes de retornar à recompensa.

Crédito,Silvia Ventura O padrão de comportamento foi o mesmo em ratos e humanos, reforçando a confiança dos cientistas de que temos o mesmo medidor interno de distância no cérebro
“É fascinante”, disse Ainge. “Eles parecem subestimar cronicamente. Quando o sinal não é regular, param cedo demais.”
Os pesquisadores compararam a situação à perda repentina de marcos visuais em meio à neblina.
“É evidente que navegar na neblina é mais difícil, mas o que talvez não se perceba é que isso também prejudica nossa capacidade de estimar distâncias.”
Para testar o fenômeno em humanos, os cientistas ampliaram o experimento realizado com ratos. Construíram uma arena de 12m por 6m no centro estudantil da universidade e pediram aos voluntários que realizassem a mesma tarefa: percorrer uma distância determinada e retornar ao ponto inicial.
Assim como os ratos, os participantes humanos estimaram corretamente a distância quando estavam em uma caixa retangular simétrica. Mas, ao alterar a forma da arena, começaram a cometer erros.
“Ratos e humanos aprendem muito bem a tarefa de estimar distâncias. Quando o ambiente é modificado de forma a distorcer o sinal nos ratos, observa-se exatamente o mesmo padrão de comportamento nos humanos”, explicou Ainge.

Crédito,Getty Images Os cientistas acreditam que a descoberta pode ser útil no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer
Além de revelar aspectos fundamentais sobre como o cérebro permite a navegação, os cientistas afirmam que a descoberta pode ajudar no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.
“As células cerebrais específicas que estamos registrando estão em uma das primeiras áreas afetadas pelo Alzheimer”, explicou Ainge, da Universidade de St Andrews. “Já existem jogos [diagnósticos] que podem ser usados no celular, por exemplo, para testar a navegação. Teríamos muito interesse em desenvolver algo semelhante, mas focado especificamente na estimativa de distâncias.”
Deu em BBC

Descrição Jornalista
Pesquisa mostra rejeição a celular para crianças de até 3 anos
10/10/2026 09:36
Candidato esquerdista chamado Hitler Mussolini vence eleição no Peru
10/10/2026 08:45
📊 Pesquisa Datafolha para presidente e governadores de SP, RJ, MG, PE e DF
02/10/2026 05:38 185 visualizações
‘Estamos elaborando mandado de segurança para adiar eleições’, afirma Augusto Cury
02/10/2026 16:26 179 visualizações
Ministério dos Transportes prepara licitação para duplicar três novos trechos da BR-304
04/10/2026 04:44 153 visualizações
Josimey Costa apresenta ‘Quase conto’ – a literatura que se lê com os olhos
01/10/2026 16:45 145 visualizações
Mais de 12 mil agentes: SESED define esquema de segurança para as Eleições 2026 no RN
01/10/2026 15:14 141 visualizações
Allyson Bezerra (União) diz que vai ‘juntar as forças’ após avançar ao 2º turno no RN
05/10/2026 05:12 134 visualizações
Lula diz que discute com BC proibir bancos de dar mais de um cartão de crédito por pessoa
02/10/2026 10:03 129 visualizações
Após 8 anos de disputa, passageiro recebe indenização por mala perdida e o valor chama atenção
03/10/2026 20:31 120 visualizações
Fachin endurece regras contra brechas que burlam sorteio de relatores em processos
02/10/2026 15:25 117 visualizações
02/10/2026 14:41 116 visualizações