Sem categoria 09/07/2014 07:16
Catástrofe no futebol influencia na eleição?
A humilhante derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha, jogando em casa, pode influenciar a eleição?
“Até hoje, a associação entre futebol e resultado eleitoral era um mito”, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. “Mas até hoje nunca havia ocorrido um vexame como esse”, completa. “Vamos ver, a partir de agora, que efeito pode produzir.”
Apesar de essa ideia ter muita força no meio político, não há pesquisa de opinião pública ou trabalho acadêmico que associe vitória ou derrota da seleção dentro de campo com desempenho da situação ou da oposição nas urnas.
As novidades a serem testadas, como lembra Paulino, são o fato de a derrota ter ocorrido no Brasil e o placar inédito e massacrante da desclassificação, uma goleada.
Outro componente novo é o acúmulo de protestos contra a realização da Copa no país desde junho de 2013, movimento que manteve-se constante até o início do Mundial, semanas atrás.
A derrota do Brasil ocorreu justamente no instante em que a presidente Dilma Rousseff parecia começar a tirar proveito do sucesso da organização do Mundial.
Só após as primeiras rodadas da Copa, com a não confirmação das previsões de caos e a desaprovação popular aos xingamentos da estreia, é que uma cautelosa Dilma começou a se soltar.
Governistas passaram a espalhar mensagens positivas nas redes sociais, a expressão “Copa das Copas” ficou mais frequente, e Dilma, pelo Twitter, passou a interagir mais diretamente com a seleção.
O histórico de eleições brasileiras mostra que a contaminação da disputa eleitoral pelo futebol, se ocorreu, jamais foi determinante.
Com um desempenho pífio na final de 1998 contra a França –derrota por 3 a 0–, a seleção brasileira foi alvo de uma avalanche de críticas. Insuficiente, porém, para arranhar favoritismo de Fernando Henrique Cardoso, reeleito presidente no primeiro turno da disputa daquele ano.
Quatro anos depois, ocorreu o inverso. O Brasil conquistou o pentacampeonato no Japão, mas nem isso foi capaz de salvar a chapa governista, na ocasião representada por José Serra (PSDB). Quem ganhou, após três derrotas consecutivas, foi o oposicionista Lula, do PT.
Os anos 2006 e 2010 foram parecidos com 1998: fracasso do Brasil dentro de campo, mas sucesso do situacionismo nas urnas. Primeiro com a reeleição de Lula, depois com a vitória de Dilma.
ORIGENS
Para o cientista político Rui Tavares Maluf, a associação futebol-eleição no imaginário é uma herança da ditadura. Mais precisamente de 1970, quando, nos primeiros anos do governo Garrastazu Médici, o Brasil foi tricampeão no México.
“Foi quando o governo começou a tratar a propaganda política de forma mais científica, com aquele slogan do ‘ame-o ou deixe-o’, a exploração da imagem de Médici como torcedor fanático –ele era gremista– e a marchinha do ‘pra frente Brasil'”, diz.
“Não havia pesquisa para atestar se isso realmente funcionou, mas a ideia pegou.”
Coincidência ou não, a limitada eleição de novembro de 1970, só para deputado e senador, foi um fiasco para o MDB, sigla fundada em 1966 e única autorizada a fazer oposição naquela época.
Favorecida pela cassação de opositores e a censura, entre outros autoritarismos, a Arena (o partido do regime) ganhou 223 das 310 cadeiras em disputa na Câmara, e 41 das 46 do Senado.
O cientista político Aldo Fornazieri tem a mesma avaliação: “Em 1970, Médici usou a Copa, apelou para o ufanismo. Então ficou uma ideia muito forte de manipulação do Mundial a favor do governo. Posteriormente essa relação não se confirmou”, diz.
Para Fornazieri, Dilma só teria prejuízo eleitoral relevante se a Copa fosse um fracasso na organização: “Só se tivesse violência, caos em aeroportos, protestos”, diz. “Isso não ocorreu. Pelo contrário: a Copa está sendo elogiada. Então neutralizou.”
Deu na FSP
Por Ricardo Mendonça

Descrição Jornalista
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