Política 24/06/2025 04:43
Braga Netto e Mauro Cid ficam frente a frente no STF para confrontar versões sobre a trama golpista

O tenente-coronel e delator Mauro Cid e o general da reserva Walter Braga Netto ficarão frente a frente na terça-feira, em uma acareação marcada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro.
O procedimento ocorrerá no Supremo Tribunal Federal (STF) e, ao contrário dos interrogatórios anteriores, não será transmitido.
Prevista no Código de Processo Penal, a acareação é utilizada para confrontar versões contraditórias entre réus ou testemunhas. Os envolvidos são colocados frente a frente para esclarecer divergências nos depoimentos já prestados. Eles são novamente questionados sobre os pontos em que há conflito de versões.
A defesa de Braga Netto apontou ao STF duas contradições centrais entre os depoimentos do general e os de Mauro Cid. A primeira diz respeito a uma reunião ocorrida em novembro de 2022, na casa do ex-ministro. Cid afirmou que o encontro teve como pauta o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o monitoramento de autoridades.
Documentos encontrados pela Polícia Federal (PF) indicam que esse planejamento abarcava a hipótese até mesmo o assassinato de figuras públicas, como o próprio Alexandre de Moraes.
Ainda segundo o tenente-coronel, os presentes na reunião demonstraram insatisfação com o resultado das eleições e com a condução do tema pelas Forças Armadas.
De acordo com ele, Braga Netto o teria retirado do encontro naquele momento, sob a justificativa de que seriam discutidas “medidas operacionais” das quais não poderia participar. O general nega que esse diálogo tenha ocorrido.
A segunda divergência envolve uma suposta entrega de dinheiro em espécie por Braga Netto a Cid, em uma caixa de vinho. O valor, segundo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, seria destinado ao major De Oliveira, conhecido como “Kid Preto”, das forças especiais do Exército, para financiar atos antidemocráticos. A versão é contestada pela defesa do general, que nega ter feito qualquer repasse.
No domingo, Moraes determinou que os advogados de Braga Netto informem os detalhes logísticos da viagem do ex-ministro a Brasília para a acareação, como itinerário, horários e número dos voos. Preso desde dezembro por obstrução de Justiça, o militar também deverá informar onde ficará hospedado na capital.
Na mesma data, está prevista uma acareação entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes, arrolado como testemunha no processo. A defesa de Torres quer confrontar a versão de Freire Gomes, que o teria apontado como participante de reuniões com conteúdo golpista.

Descrição Jornalista
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