Futebol 26/09/2026 05:01
Bets pagaram R$ 1,1 bilhão aos maiores clubes de futebol em 2025; veja o impacto da proibição

Em 2025, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value.
O valor representou cerca de 36% das receitas de marketing desses times. Em alguns clubes, a participação foi ainda maior: no São Paulo, por exemplo, as bets responderam por 73% da receita com patrocínios.
💰 A receita de marketing reúne principalmente os valores obtidos pelos clubes com patrocínios e outras ações comerciais. É nessa categoria que entram os valores pagos pelas casas de apostas aos times.
A possibilidade de perder esses contratos provocou reação entre os clubes. Depois de serem avisados pelas casas de apostas de que mudanças nas regras poderiam levar à revisão dos patrocínios, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas.
Agora, casas de apostas já comunicaram aos clubes que patrocinam que os contratos podem ser encerrados caso o governo proíba a operação das bets no país.
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Top 10 clubes de futebol do Brasil por receita em 2025 — Foto: g1
As bets ganharam espaço no futebol brasileiro depois de 2018, quando a legislação autorizou as chamadas apostas de quota fixa, nas quais o apostador sabe quanto pode ganhar no momento em que faz a aposta.
Desde então, as bets passaram a aparecer com mais frequência entre os patrocinadores dos clubes. Os 20 maiores clubes brasileiros em receita, analisados pela Sports Value, somavam R$ 1,426 bilhão em receitas de marketing em 2022. Em 2025, esse valor chegou a R$ 3,166 bilhões.
Para Amir Somoggi, diretor da Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo e gestão, as bets colocaram no mercado valores elevados e, em alguns casos, acima do que outras empresas estavam dispostas a pagar aos clubes.
Clubes do futebol brasileiro — Foto: GE
“Eu acredito que houve uma acomodação, que eu costumo chamar de ‘easy money’, um dinheiro fácil. Como é tudo digital, você não tem que fazer nada, não faz nenhuma ação realmente contundente. Hoje, a bet paga esse dinheiro fácil de cotas inflacionadas, pagando muito mais do que vale.”
O impacto não ficaria restrito à perda de um espaço na camisa. Em alguns casos, a receita dos contratos de patrocínio já pode estar prevista no planejamento financeiro dos clubes.
Uma prática citada por Somoggi é a antecipação de recebíveis.
“Os clubes que estão mais endividados e dependem muito das bets, como Corinthians e São Paulo, vão ao banco com o contrato assinado com a casa de apostas, usam esse contrato como garantia para antecipar os recebíveis e recebem o dinheiro antes, pagando juros bancários.”
Nesse modelo, se o contrato for encerrado, o clube pode perder uma receita que já estava prevista no orçamento e, dependendo de como a operação financeira foi estruturada, continuar com compromissos financeiros assumidos com base nesse dinheiro.
“Você tem um estrangulamento financeiro do clube nesse modelo, porque ele está pagando juros. Se houver um problema, vai ter que cortar custos ou não conseguirá arcar com seus compromissos, já que essa receita não será substituída tão rapidamente por outros patrocínios.”
A saída das bets não significa que os clubes perderão automaticamente todo esse dinheiro. O impacto dependerá de quanto do espaço deixado pelas casas de apostas será ocupado por outras empresas e dos valores desses novos contratos.
Para Somoggi, porém, uma eventual retirada das bets tende a reduzir os valores dos patrocínios em um primeiro momento, porque as casas de apostas ajudaram a elevar os preços pagos pelos espaços comerciais.
Para Somoggi, setores como bancos, seguradoras, empresas de cartões de crédito, alimentos e montadoras têm capacidade financeira para investir no futebol.
“Outros setores, como bancos, seguradoras, cartões de crédito, alimentos e veículos, têm empresas com capacidade financeira até maior que a das bets. A questão é o interesse.”
A substituição, porém, pode não ser imediata. Os clubes terão de encontrar empresas dispostas a pagar pelos mesmos espaços e, em alguns casos, renegociar contratos já existentes.
A experiência europeia mostra que a saída das casas de apostas do futebol pode acontecer de formas diferentes.
Deu em G1

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