No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que mantém grande proximidade com Bolsonaro.
A relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban, ao ponto de uma associação nacional dos bancos públicos estar sendo cogitada. O manifesto da Fiesp, intitulado “A praça é dos três Poderes”, foi assinado por diversas entidades da sociedade civil. Juntas, destacam no documento, que veem com “grande preocupação” a “escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”.
O documento pede a harmonia como “regra” entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Nenhum dos Poderes, defende, é “superior em importância”, nenhum “invade o limite” dos outros e um “não pode prescindir” dos demais.
A cúpula dos dois bancos oficiais contesta o diagnóstico de grave crise do texto. Para eles, “o Brasil já está crescendo, a economia está em ‘retomada em V’, gerando empregos”. Por essa avaliação, o manifesto não faria sentido.
Nas duas instituições, há uma ala que se preocupa se a saída da Febraban pode ser questionada por órgãos de controle, como Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público Federal (MPF), ficando caracterizado como ingerência política.
Além disso, o desligamento dos dois maiores bancos da associação que representa as instituições financeiras pode ter consequências em “objetivos comuns”, como a reforma tributária, em que todos estão do mesmo lado.
Procurados, BB e Caixa não se manifestaram sobre o assunto. A Febraban afirmou que não faz comentários a respeito de posições atribuídas a seus associados.
Sobre o manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, disse que o documento foi “dirigido a várias entidades e que o assunto foi submetido à governança da Febraban, como é usual”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

