Bancos 11/02/2026 13:46
Bancos que não cobram juros: quem pode utilizá-los, onde operam, quando surgiram e por que seguem regras diferentes do sistema tradicional?

Essas instituições financeiras atuam principalmente em países de maioria muçulmana, mas também estão presentes na Europa e na Ásia, seguindo os princípios da sharia, a lei islâmica.
Nelas, o dinheiro não pode gerar juros, pois isso é considerado proibido pela tradição religiosa, que entende que o lucro deve vir da economia real e do compartilhamento de riscos.
Assim, em vez de cobrar taxas sobre empréstimos, esses bancos estruturam operações baseadas em parceria, compra e venda ou arrendamento.
Diferentemente de um banco convencional, onde a taxa de juros é o centro de qualquer contrato, os bancos que não cobram juros operam com outra lógica. O foco deixa de ser o rendimento fixo e passa a ser a participação nos resultados.
A sharia estabelece princípios que orientam a vida dos muçulmanos, inclusive no campo financeiro. Um dos fundamentos é que o dinheiro não deve, por si só, gerar mais dinheiro sem que exista trabalho, produção ou risco envolvido.
Portanto, cobrar juros é visto como prática indevida. Para essa tradição, qualquer juro já seria excessivo, aproximando-se do conceito de usura, que é o abuso na cobrança.
Além disso, a aplicação dos recursos precisa respeitar critérios éticos. Setores como bebidas alcoólicas, jogos de azar e tabaco, por exemplo, ficam fora das carteiras de investimento.
A rejeição aos juros não surgiu apenas no Islã. Historicamente, tradições judaico-cristãs também condenaram a usura.
Ao longo do tempo, o Ocidente flexibilizou essas regras e criou limites legais para juros considerados abusivos. Já no caso islâmico, a interpretação permaneceu mais restritiva.
Assim, a sharia entende que o dinheiro é apenas um meio de troca. Ele facilita transações, mas não deveria ter valor produtivo próprio.
Apesar de não cobrarem juros, essas instituições não operam com prejuízo. Pelo contrário, buscam lucro, mas dentro de regras específicas.
Uma das formas mais comuns é a participação direta em projetos. O banco investe capital e divide os ganhos — e também as perdas — com o parceiro.
Esse modelo é semelhante ao capital de risco. A divisão pode variar, como 80% para o investidor e 20% para o empreendedor, dependendo da contribuição de cada parte.
Quando uma pessoa precisa comprar uma casa, por exemplo, existem alternativas ao empréstimo tradicional. Uma delas é o arrendamento, conhecido como leasing.
Nesse formato, o banco adquire o imóvel e o cliente paga parcelas pelo uso. Ao final do contrato, a propriedade é transferida.
Outra possibilidade é a sociedade temporária. O banco e o cliente compram juntos o imóvel, e o comprador vai adquirindo gradualmente a parte da instituição.
Há ainda o modelo de revenda com acréscimo. O banco compra o bem e o revende por um valor maior, previamente acordado, incluindo sua margem de lucro.
Quem deposita dinheiro em uma conta poupança também encontra diferenças. Não há rendimento fixo atrelado a juros.
Em vez disso, o cliente pode receber parte dos lucros gerados pelas atividades financiadas pelo banco. Ou seja, o retorno depende do desempenho real dos investimentos.
Assim, os riscos e os ganhos são compartilhados. O modelo reforça a ideia de parceria em vez de relação credor-devedor tradicional.
Embora baseadas em princípios antigos, essas instituições se consolidaram principalmente a partir das décadas de 1950 e 1960. O crescimento ganhou força nos anos 1970, impulsionado pelo boom do petróleo.
Investidores que desejavam aplicar seu dinheiro conforme a sharia passaram a exigir alternativas compatíveis com seus valores. Dessa demanda nasceu uma indústria robusta.
Em 2022, os ativos financeiros administrados sob princípios islâmicos somavam cerca de US$ 4,5 trilhões. A projeção indica que esse volume pode chegar a US$ 6,7 trilhões até 2027.
Mais de 70% desses ativos são geridos por bancos que não cobram juros, presentes em 77 países. A maior concentração está nos Estados do Golfo.
O Sudeste Asiático aparece na sequência, seguido por regiões do Oriente Médio e Ásia Meridional. África e Europa também participam, mas em menor proporção.
Na América Latina, porém, esse modelo ainda não se estabeleceu. Não há bancos islâmicos operando na região atualmente.
Especialistas apontam dois fatores principais. O primeiro é a baixa população muçulmana na região, o que reduz a demanda.
O segundo envolve legislação. Para que bancos que não cobram juros operem plenamente, seria necessária adaptação regulatória específica.
Isso exigiria vontade política e debate público. Até o momento, o tema não figura como prioridade nas agendas governamentais latino-americanas.
A expansão desse modelo também ajudou a aumentar a inclusão financeira em países islâmicos. Muitas pessoas evitavam bancos convencionais por motivos religiosos.
Com alternativas alinhadas à sharia, parte dessa população passou a integrar o sistema financeiro. Assim, mais indivíduos puderam movimentar dinheiro de forma compatível com suas crenças.
Portanto, os bancos que não cobram juros representam mais do que um modelo econômico distinto. Eles traduzem valores culturais e religiosos em práticas financeiras modernas, movimentando trilhões e redefinindo a relação entre dinheiro, ética e lucro no cenário global.
Fonte: BBC/CPG

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