Brasília espera, a qualquer momento — possivelmente antes do primeiro turno —, o vazamento de trechos dos vídeos das festas de Daniel Vorcaro, supostamente escondidos no celular do banqueiro do Master, hoje recolhido à penitenciária da Papuda.
Segundo relatos e rumores que circulam na capital federal, as imagens mostrariam autoridades públicas em situações vexatórias, na companhia de modelos estrangeiras em trajes sumários.
A expectativa cresceu à medida que os vídeos entraram definitivamente no acervo probatório das investigações sobre os esquemas do Banco Master. No início, eram apenas cenas comprometedoras armazenadas no telefone de um banqueiro influente, em rotinas de vida louca.
Mas, com a evolução dos acontecimentos, elas passaram a ser vistas como possível chave para dimensionar o alcance da máquina de tráfico de influência a serviço de Vorcaro.
Não apenas como detalhe picante de uma investigação financeira. O assunto entrou pela porta principal, cercado de mulheres bonitas, garotas de programa, charutos, uísque Macallan, festas milionárias e, principalmente, personagens do poder que teriam circulado pelo universo festivo do banqueiro.
Porque uma coisa é descobrir que Vorcaro promovia festas. Outra é saber quem estava nelas. E uma terceira, explosiva, é descobrir quem foi filmado em orgias.
A Polícia Federal encontrou nos aparelhos do banqueiro informações sobre festas particulares, mulheres e convidados importantes. Também surgiram relatos sobre eventos em Trancoso, São Paulo, Angra e no exterior. O Ministério Público junto ao TCU chegou a pedir investigação para identificar autoridades federais que teriam participado desses encontros.
O problema é aparecer numa situação dionisíaca, numa noite erótica, e, algum tempo depois, engravatado, tomar uma decisão de interesse do banqueiro. A intimidade é problema de família. O eventual favor é problema de polícia.
E, em 17 de setembro, praticamente transformou a expectativa em palavra de ordem:
“Precisa vazar o que precisa vazar.”
São declarações do presidente, não conclusões estabelecidas pela investigação. Mas elas deram dimensão institucional ao assunto e acrescentaram um ingrediente político explosivo à expectativa sobre o conteúdo do aparelho.
Lula acrescentou uma frase que talvez explique melhor do que qualquer analista o clima atual de Brasília:
“Tem muita gente com medo na República”, garantiu.
Muita gente. Daí nasceu o pânico cinematográfico.
Todo mundo fala nos vídeos. Há quem garanta que viu, quem conheça alguém que viu. Tem político tentando descobrir quem aparece e rede social distribuindo nomes.
Só falta o filme.
Enquanto isso, o celular do banqueiro virou uma caixa-preta do poder. Ministros do Supremo requisitaram acesso aos dados. Material suficiente para produzir muita insônia, principalmente porque mensagens já revelaram uma extensa agenda de relações de Vorcaro com gente importante da República.
Há quem tenha mantido relações profissionais ou sociais comprovadas com Vorcaro. Há quem tenha sido mencionado em relatos sobre festas. E há quem tenha sido simplesmente jogado dentro do bacanal digital do WhatsApp.
Quanto mais nomes falsos aparecem, mais fácil fica para qualquer nome verdadeiro dizer que tudo é mentira. Todo cuidado é pouco!
Enquanto o filme não aparece, cabe a República inteira dentro dele. Inclusive a direita, a esquerda, o centro, Executivo, Legislativo, Judiciário, empresários, lobistas, banqueiros e advogados.
Os boatos democratizaram o bacanal. Mas a pergunta que interessa não é quem bebeu, dançou ou terminou a noite acompanhado.
A dúvida principal é saber onde termina a suruba. E onde começa o Código Penal.
Deu em Jornal de Brasília

