FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Economia 12/01/2026 15:49

As previsões para a economia brasileira, segundo seis grandes bancos

As previsões para a economia brasileira, segundo seis grandes bancos

A inflação mais contida e uma atividade econômica em desaceleração apontam para o início de um ciclo de cortes de juros no Brasil em 2026.

Há quem acredite que ele possa começar já em janeiro, enquanto outros apontam para março ou até abril. Em um ano marcado por eleições presidenciais, até onde a Selic deve chegar? E a inflação, o PIB e o câmbio?

A Forbes compilou projeções de seis grandes bancos para a economia brasileira em 2026: Itaú, BTG, Santander, XP, UBS e Bradesco.

Para a inflação, que encerrou 2025 com alta de 4,26%, projeções de cinco das seis instituições financeiras compiladas pela Forbes apostam em desaceleração. Para elas, os preços devem ficar entre 3,8% e 4%. Apenas o BTG espera que os preços finalizem o ano um pouco acima de 2025, em 4,5%.

“A inflação voltou ao intervalo da meta após mais de um ano, com contribuições importantes da valorização cambial e desinflação exportada pela China para bens industriais. A acomodação da atividade e das expectativas também contribui para menores repasses de preços”, apontam os analistas do Bradesco.

No caso do PIB, o consenso é maior: todos apostam em desaceleração: de uma provável alta de mais de 2% em 2025 para um avanço entre 1,5% e 1,7% em 2026. “O PIB do terceiro trimestre de 2025 registrou crescimento de 0,1%.

Esse resultado reforça o quadro de perda de tração, especialmente entre os componentes mais sensíveis à política monetária, que vêm exibindo arrefecimento mais nítido nos últimos trimestres, ao avançarem 0,9% no terceiro trimestre, após alta de 1,3% no segundo trimestre de 2025”, dizem os analistas do Itaú.

Por fim, as projeções para os juros variam entre 11,75% e 12,75% ao ano.

“A comunicação recente indica um Banco Central cauteloso, sem pressa para iniciar o ciclo de corte dos juros e mantendo postura dependente dos dados”, conclui relatório do Itaú. Para o câmbio, as apostas se dividem entre R$ 5,20 e R$ 5,90.

Itaú

Inflação: 4%, refletindo a desinflação de bens industriais, impulsionada por estoques elevados, demanda mais fraca e queda dos índices gerais de preços, além da expectativa de redução de preços de gasolina.

PIB: 1,7%. Projeção tem viés de alta, à luz da possibilidade de novas medidas contracíclicas e de um desempenho mais robusto do crédito.

Juros: 12,75% ao ano. Por ora, o banco mantém a projeção de início do ciclo de corte de juros em janeiro, embora reconheça uma barra mais alta para esse movimento.

Câmbio: R$ 5,50: o aumento do prêmio de risco tipicamente observado em anos eleitorais limita o potencial de valorização do real, compensando a expectativa de um ambiente externo mais favorável no próximo ano.

BTG

Inflação: 4,5%, o que indica uma desaceleração mais consistente do indicador, com uma melhora qualitativa em sua composição, apoiada por expectativas mais ancoradas.

PIB: 1,5%, o que representa uma desaceleração em comparação aos 2% observados em 2025. A previsão reflete os efeitos defasados da política monetária restritiva e um cenário externo mais incerto, que levará à perda de tração os segmentos mais cíclicos da economia doméstica.

Juros: 12% ao ano. Com o objetivo de conter expectativas desancoradas de inflação, o início desse ciclo de cortes é favorecido pela desaceleração da atividade econômica e pelo arrefecimento do mercado de trabalho.

Câmbio: R$ 5,20

Santander

Inflação: 3,8%, considerando a um câmbio mais apreciado, acomodação dos preços das commodities e efeitos cumulativos da política monetária restritiva, o que melhora a expectativa tanto do índice como sua composição.

PIB: 1,5%, reflexo de um carregamento estatístico baixo de 2025

Juros: 12,5%. Os analistas tomam como base para a projeção da Selic o início do ciclo dos cortes em março, o aumento das incertezas domésticas e desancoragem persistente da inflação

Câmbio: R$ 5,90. A depreciação gradual é explicada pelo estreitamento do diferencial de juros e as incertezas antecipadas no cenário doméstico

XP

Inflação: 4%, em linha com os preços ao atacado bem-comportados e cotações do petróleo mais baixas.

PIB: 1,7%. Para os analistas, o mercado de trabalho aquecido e impulsos fiscais devem manter o crescimento do PIB próximo ao potencial no curto prazo.

Juros: 12,5%. Os analistas acreditam que o Banco Central deve iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic em março, e preveem cinco reduções de 0,50 ponto percentual, seguidas de uma pausa para avaliação.

Câmbio: R$ 5,60. O prêmio de risco e déficit externo ainda elevados são obstáculos para apreciação adicional do real.

UBS

Inflação: 3,8%

PIB: 1,5%. Analistas apontam que a confiança permanece em níveis baixos em relação aos padrões históricos, e as taxas de juros continuarão a prejudicar o crescimento por algum tempo, daí a expectativa de crescimento abaixo do potencial nos próximos trimestres.

Juros: 11,75%. Os analistas acreditam que o Copom deve iniciar o ciclo de cortes na Selic apenas a partir de abril e estima que devem seguir em ritmo de 50 pontos base por reunião ao longo do ano.

Câmbio: R$ 5,30

Bradesco

Inflação: 3,8%. A valorização cambial e a acomodação da atividade econômica doméstica devem ajudar a conter os repasses de preços.

PIB: 1,5%. Para o início do ano, espera-se algum impulso devido ao aumento do salário mínimo e isenção do Imposto de Renda, mas a tendência geral é de acomodação.

Juros: 12%. Com a acomodação da inflação, o Banco Central sinalizou espaço para iniciar o ciclo de cortes no primeiro trimestre de 2026, com uma expectativa de redução de 0,25 ponto percentual já em janeiro.

Câmbio: Os analistas do banco esperam câmbio estável, com déficit em conta corrente em trajetória de melhora gradual.

Deu em Forbes Money

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista